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Martine/Kahena e Grael/Borges garantem vagas em Tóquio

Pan 2019

Com dois ouros no Pan, Brasil brilha nas águas de Paracas

Marco Grael e Gabriel Borges brilham na classe 49er, enquanto Patrícia Freitas leva a melhor na RS:X. Velejadores brasileiros preenchem o pódio dos Jogos Pan-Americanos

Foto: ©Jonne Roriz/COB

Com dois ouros no Pan, Brasil brilha nas águas de Paracas

Depois de muitos dias nublados e repletos de neblina, o sol apareceu em terras peruanas nesta sexta-feira (09)! Em Paracas, cidade a cerca de 300km de distância da capital Lima, a delegação brasileira de vela dominou a grande maioria das regatas, brilhou na primeira série de finais da competição e levou para casa quatro medalhas nos Jogos Pan-Americanos, sendo duas de ouro, uma de prata e uma de bronze. A viagem longa até lá valeu a pena.

O Brasil já foi para a água com ao menos quatro pódios garantidos. A equipe confirmou a vantagem e o favoritismo, mantendo também o país no topo do quadro histórico de medalhas da modalidade. A definição das outras categorias (Snipe, Kite, Sunfish e Lightning) acontecerá amanhã, a partir das 14h30 (de Brasília). A decisão da classe 49er FX, que contava com Martine Grael e Kahena Kunze, foi adiada para sábado por conta das dificuldades climáticas.

49er

A consistência no início foi fundamental para a vitória de Marco Grael e Gabriel Borges. A dupla carioca esteve à frente na tabela de classificação durante todas as 12 regatas, sem contar a medal race. Desta maneira, a conquista em solo peruano era inevitável, tanto que confirmaram o ouro inédito de maneira antecipada. Ao todo, foram 30 pontos perdidos. Na sequência, Argentina (44) e Canadá (45) completaram o pódio.

Mesmo depois da conquista do Sul-Americano e do sucesso no Campeonato Brasileiro, Grael vibra com o sucesso no Pan de Lima. “É o primeiro campeonato mais expressivo que eu sinto que treinamos e velejamos bem. Não é só o campeonato, mas você olha para trás e vê todo o esforço que você vez, toda a jornada que fizemos. Essa é a carga que o atleta leva para frente, é isso que deixa os campeonatos tão emocionantes. É o que nos motiva a querer buscar mais depois”, avaliou.

Campeão da classe Snipe em Guadalajara 2011, Gabriel Borges reeditou o feito, mas na 49er. “Eu ganhei esse primeiro em 2011, no México. Eu era bem mais jovem, tinha 19 anos. Era o atleta mais jovem da delegação da vela. Foi bem emocionante, era uma sensação inacreditável. Para cá, eu já vim muito mais profissional e maduro, sabia que brigaríamos por medalha. Foi diferente a sensação. Antes, eu estava começando a me profissionalizar e foi até um susto. Aqui, eu já estava um pouco mais maduro, esperando um pouco um bom resultado. E não deu outra. Fizemos um campeonato super sólido e ganhamos com duas regatas de antecipação”, relembrou.

RS:X

Patrícia Freitas já detinha o recorde da categoria com o bicampeonato consecutivo nas últimas duas edições dos Jogos Pan-Americanos. Em 2019, o resultado não foi diferente. Ela administrou a diferença na pontuação para assegurar mais uma medalha de ouro, fechando com apenas 30 pontos perdidos. Celia Tejerina, da Argentina, e Maria Bazo, do Peru, completam a lista das três melhores colocadas.

“Que felicidade! É bom ganhar com os pontos mais relaxados na medal race. Entrar numa final com uma diferença de pontos confortável é um alívio, menos estressante. Tem uma curiosidade sobre o local. Esse vendaval que deu hoje é apelidado de paracas, que significa tempestade de areia. É o nome do vento típico da região. Viemos para o Pan sabendo que venta muito.”

“A minha adaptação ao local foi muito difícil. Eu cheguei há umas duas semanas ou mais. No começo, a Vila Olímpica estava fechada, então tivemos que ficar numa casa que o COB alugou. Mais perto das dunas. Essa questão da areia e da poeira me deu muita alergia. Eu tive um começo de estadia em Paracas muito complicado, mas superei. Ela está sempre aí, mas controlada”, explicou.

No naipe masculino, Brenno Francioli flertou com o bronze em determinados momentos na última prova. No entanto, não alcançou o resultado desejado. Apenas com 21 anos, a expectativa é de crescimento para a sequência da carreira. “As regatas foram boas, eu fiz bem. Realmente o garoto de Aruba anda muito bem nessas condições de ventos fortes. Eu fiquei em segundo na regata inteira, o que me colocava na terceira posição. Na segunda volta da regata, o argentino me passou, que é o atual campeão pan-americano dessa categoria. Perdi a medalha. Feliz com toda a trajetória até aqui.”

“A partir de agora, as consequências vamos vendo dia após dia. O crescimento pessoal foi uma coisa importante. Participar de um evento internacional, pan-americano, com as pessoas de toda a América. Agora, é olhar novos horizontes e almejar novas medalhas, finalizou.

Laser

O começo conturbado nas regatas de estreia afetou o resultado final de Bruno Fontes. Aos poucos, ele recuperou o prejuízo e passou a brigar diretamente por medalhas nos Jogos Pan-Americanos. E deu certo. Após a medal race desta sexta-feira, garantiu o segundo lugar e a prata em Paracas. Foi a primeira vez em que o atleta de 40 anos conseguiu um lugar no pódio do torneio.

“Comecei o campeonato não tão bem e vim acreditando. Até a última regata eu podia conquistar a medalha de ouro. É um sonho de uma vida. São mais de 20 anos velejando nessa categoria. Eu tive muitos obstáculos pela frente. Cheguei ao objetivo que me faltava”, disse.

Nacra 17

Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino enfrentaram problemas durante a participação, questionando a divisão das raias e horários das provas de cada uma das classes. O forte vento na região foi prejudicou o rendimento. De qualquer forma, a dupla faturou a medalha de bronze.

“Na realidade, foi uma medalha importante para a gente. Fica um gostinho amargo porque tínhamos possibilidade de prata e ouro, mas hoje foi um dia difícil. É uma pena ter que decidir o campeonato nessas condições extremas. Foi uma decisão da comissão de regatas, tivemos que aceitar. Estamos contentes ao mesmo tempo, foi uma luta bonita contra os nossos rivais. São rivais do circuito olímpico também, que mostram o nível da classe e da competição que tivemos aqui. Depois de amanhã, já embarcamos para o Japão pensando no evento teste e encontrar condições um pouquinho mais favoráveis para a nossa dupla”, contou Samuel.

Laser Radial

Gabriella Kidd passou longe de disputar as primeiras colocações no Pan de Lima. Distante dos líderes, teve de se contentar com oitavo lugar geral e 101 pontos perdidos.

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