Foi como atravessar um oceano de sonhos. Pela primeira vez, os Jogos Escolares Brasileiros do Japão (JEBRA) levou uma delegação para os Jogos da Juventude, em Brasília. O que nasceu em 2021 como pequenos campeonatos de integração no Japão, hoje se tornou um movimento capaz de unir culturas, formar identidades e revelar novos talentos.
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À frente dessa história está a educadora Márcia Rocha, que há 33 anos vive no Japão e fundou o Centro Educacional Sorriso de Criança. Da sala de aula ao campo esportivo, ela transformou a vontade de manter viva a língua portuguesa e os vínculos com o Brasil em um projeto que já mobiliza milhares de jovens. Ver o JEBRA cruzar fronteiras e chegar à capital brasileira foi, para ela, mais que uma conquista.
“É emocionante. O coração só falta sair do peito, porque é a realização de um sonho. Mesmo de não ter conseguido ganhar, só de vir e proporcionar essa experiência para os estudantes foi muito bom. No ano que vem vamos prepará-los ainda melhor”, contou Márcia.

Desde 2022 que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu, no Japão, promovem o intercâmbio de atletas durante os Jogos da Juventude. Em 2025, a novidade dessa parceria foi a inclusão de estudantes nipo-brasileiros selecionados no JEBRA. A iniciativa é legado da relação que começou com a aclimatação do Time Brasil na cidade japonesa visando os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.
Conexão cultural
Entre os protagonistas dessa estreia estão duas jovens atletas. Alexia Mitsuhasi, de 17 anos, nasceu no Japão, viveu parte da infância em São Paulo e retornou em 2019 ao país asiático. Incentivada pelos colegas da escola, descobriu o atletismo.

Em Brasília, disputou as provas de velociade e viveu sua primeira viagem esportiva internacional. “É muito legal conhecer pessoas novas de estados diferentes e sentir o calor humano do Brasil”, contou, encantada com a troca de experiências e até com o aprendizado de novas gírias.
Laura Yanai, de 16 anos, nasceu no Brasil, mas cresceu no Japão. Foi o JEBRA que a motivou a se aventurar no esporte há pouco tempo. Também no atletismo, ela experimentou o sabor da competição e, ainda mais, da convivência. “É uma experiência muito legal conversar com pessoas de vários estados, ver os sotaques, conhecer a história deles”, disse.

A delegação do JEBRA nos Jogos da Juventude 2025 ainda conta com mais dois estudantes nipo-brasileiros. Hiroshi Okabe e Higor Kiam, ambos também competiram no atletismo. A delegação propriamente japonesa veio com Chichiro Kawai e Mizuki Hori. Ao lado de Laura e Alexia, elas formaram um simbólico quarteto no revezamento 4x100m feminino.
O JEBRA
O JEBRA, que começou com jogos de vôlei e futebol, hoje reúne oito modalidades e movimenta 1.500 atletas de 30 escolas brasileiras no Japão. Mais do que um torneio, tornou-se um elo vivo entre os dois países, uma ponte de pertencimento. E a estreia em Brasília mostra que esse caminho está apenas começando: do outro lado do mundo, sementes estão sendo plantadas para que novos talentos floresçam sob as cores verde e amarela.