Camila Ferezin é um dos principais nomes por trás da transformação da ginástica rítmica brasileira e da ascensão do conjunto nacional entre as potências da modalidade. À frente da Seleção Brasileira desde 2011, a técnica construiu, ao longo de 15 anos, um projeto que tirou o país da 26ª posição do ranking mundial e o levou ao topo. Em 2026, esse trabalho atingiu seu ponto máximo até então, com dois títulos inéditos no Campeonato Mundial de Frankfurt, além da medalha de bronze no conjunto geral e da classificação antecipada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Antes de ser técnica, uma ginasta
Antes de se tornar a treinadora que levou o Brasil ao topo da ginástica rítmica mundial, Camila Ferezin viveu a modalidade como atleta. Nascida em Londrina, começou a treinar ainda na infância e, em 1989, já era campeã brasileira de conjunto.
Aos 14 anos, foi convocada para o Pan de Havana, em 1991. Em 1995, conquistou o bronze por equipes e, quatro anos depois, fez parte do conjunto que ganhou o primeiro ouro do Brasil na ginástica rítmica em Jogos Pan-Americanos, em Winnipeg. Em 2000, disputou os Jogos Olímpicos de Sydney e ajudou o país a terminar em oitavo lugar, até então o melhor resultado olímpico brasileiro na modalidade.

De atleta a comandante da seleção
A passagem de atleta para treinadora aconteceu aos poucos. Após encerrar a carreira, Camila concluiu a faculdade de Educação Física e começou a trabalhar como treinadora. Em 2004, foi auxiliar-técnica nos Jogos Olímpicos de Atenas e, anos depois, assumiu a função de técnica interina do conjunto brasileiro que conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2011. No mesmo ano, passou a comandar definitivamente a equipe.
Mais do que buscar dificuldade e execução, Camila passou a investir também na parte artística, que considera uma das marcas do Brasil. A escolha das músicas, a interpretação e a identidade das apresentações ganharam espaço no planejamento da equipe, com a busca por séries que fossem competitivas tecnicamente, mas que também tivessem personalidade.
Mais sobre Camila Ferezin
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Em 2015, Camila viveu uma mudança importante fora dos tablados com o nascimento de sua filha, Maria Clara. Um ano depois, voltou os olhos para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, sua primeira Olimpíada como treinadora principal do conjunto brasileiro. A equipe terminou na nona colocação, mas aquele ciclo ainda estava longe de representar o ponto alto do trabalho que vinha sendo construído.
A evolução ganhou força nos anos seguintes. Em 2021, quase 50 anos após a estreia do Brasil em Campeonatos Mundiais, o conjunto alcançou pela primeira vez uma final por aparelhos. Em 2023, veio outro marco, com a conquista inédita da vaga olímpica por meio do Campeonato Mundial de Valência. Paralelamente, os pódios em etapas da Copa do Mundo se tornaram cada vez mais frequentes, mostrando a consolidação do Brasil entre as principais equipes da modalidade.
Ciclo 2024 – 2028
O ciclo até Paris 2024, porém, terminou de forma difícil. O Brasil ficou em nono lugar e não avançou à final. Antes da segunda apresentação, Victoria Borges sofreu uma lesão na panturrilha cerca de dez minutos antes da série, mas decidiu competir mesmo com dores. A experiência marcou a equipe e aumentou a motivação para buscar uma resposta na temporada seguinte.
A resposta veio em 2025, no Mundial do Rio de Janeiro. Com uma equipe que mesclava experiência e juventude, o Brasil conquistou as primeiras medalhas de sua história na competição, com duas pratas, no conjunto geral e na prova mista. Um ano depois, em Frankfurt, a trajetória atingiu um novo patamar. A equipe garantiu o bronze no conjunto geral e a classificação antecipada para Los Angeles 2028 antes de conquistar dois ouros inéditos, nas cinco bolas e na prova mista. Após as conquistas, Camila definiu aquele momento como o dia mais feliz de sua carreira, coroando 15 anos de trabalho à frente do conjunto brasileiro.

Maternidade
A maternidade nunca ficou separada da rotina de Camila na seleção. Em 2015, quando esperava Maria Clara, sua segunda filha, a treinadora já era mãe de João Lucas, então com 16 anos. Mesmo durante a gestação e após o nascimento da filha, seguiu acompanhando de perto o trabalho do conjunto e voltou aos treinos um mês depois do parto. De casa, continuava a comandar e acompanhar a rotina da equipe enquanto conciliava a preparação para os Jogos Pan-Americanos de Toronto e os Jogos Olímpicos do Rio com os cuidados com a recém-nascida.
Anos depois, a relação de Maria Clara com a modalidade ganhou outro significado. A filha passou a praticar ginástica rítmica e hoje é campeã brasileira pré-infantil no individual geral e no conjunto.



