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Melnikova coroa retorno com bicampeonato no individual geral



Angelina Melnikova garante boas notas de execução, mesmo com erros na trave e no solo, para levar o ouro no individual geral do Mundial de Ginástica Artística



Angelina Melnikova no Mundial de Ginástica Artística 2025
(Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press)

Uma final emocionante marcou a disputa do individual geral feminino do Campeonato Mundial de Ginástica Artística em Jakarta. Em uma remontada na última rotação, a russa Angelina Melnikova garantiu a medalha de ouro. Repetindo a final do Mundial de 2021, ela superou a norte-americana Leanne Wong por pouco para ficar com o título. O bronze ficou com a chinesa Zhang Qingying.

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A Rússia ficou três anos de fora das competições internacionais da ginástica artística. O retorno veio no final de 2025, com as atletas do país competindo como atletas neutras (ainda por conta da Guerra na Ucrânia). A escola russa é a mais tradicional da ginástica artística feminina e vários torcedores sentiam falta de ver as ginastas do país nas principais competições.

Do grupo que compete em Jakarta, três estão em sua primeira competição internacional. E aí vem a veterana Angelina Melnikova para completar o time. Com toda sua experiência, a campeã olímpica chegou na final como a mulher a ser batida e confirmou o favoritismo.

A nova bicampeã

Angelina Melnikova começou forte na final do individual geral, com um bom salto (um yurchenko com dupla pirueta) e a tradicional série russa de barras assimétricas. Com 14.100 no primeiro e 14.700 no segundo exercício, ela logo pulou para a liderança da competição. Na trave, Melnikova teve uma queda na sua sequência acrobática. Mesmo assim, ela conseguiu uma boa nota de 12.800, por conta da sua boa execução nos saltos de dança.

Angelina Melnikova no Mundial de Ginástica Artística 2025
(Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press)

Após a queda na trave, Angelina Melnikova caiu para o terceiro lugar na classificação geral. Ela precisaria de um bom solo para conquistar o ouro. A russa cometeu alguns erros na sua prova, pisando fora da área no Tsukahara Esticado com um dos pés e errando um dos seus giros. Mas com uma boa coreografia, contendo poucos descontos de artístico, Melnikova conseguiu 13.466. A nota foi o suficiente para vencer a final por um décimo: 55.066 contra 54.966 da norte-americana Leanne Wong.

Com a medalha de ouro, Melnikova chega a oito pódios em Campeonatos Mundiais. Assim, Angelina se posiciona de vez entre as principais ginastas russas deste século, ao lado de nomes como Svetlana Khorkhina e Aliya Mustafina.

Eua e China completam o pódio

Em 2021, Wong também ficou atrás de Melnikova por pouco. Na ocasião, a norte-americana perdeu por três décimos. Alguns torcedores dos EUA criticaram a nota de Melnikova no solo, que acabou tirando o ouro de Leanne Wong. Mas vale destacar dois pontos sobre o total da norte-americana. Ela tem mais descontos de artísticos do que Melnikova na trave e no solo (qualquer décimo a mais que ela recebesse nos dois aparelhos bastaria para o ouro). Além disso, o salto de Wong deveria receber uma penalidade de 2 pontos, já que a ginasta claramente não demonstra apoio na mesa com as duas mãos. Provavelmente, a arbitragem não chegou a um consenso sobre a questão e evitou dar a punição para evitar alguma polêmica, mesmo indo contra o que diz o código de pontuação.

Pódio do individual geral no Mundial de Ginástica Artística: Leanne Wong, Melnikova e Zhang Qingying
Leanne Wong, Angelina Melnikova e Zhang Qingying (Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press)

O bronze ficou com a chinesa Zhang Qingying. Ela conseguiu um total de 54.633 pontos e ficou perto da medalha dourada do individual geral feminino, que é a única que falta para a China. Zhang contou com uma série espetacular de trave, pontuando 14.833 no aparelho, para conduzi-la ao pódio, mesmo com notas mais baixas no salto e no solo. Essa é a primeira medalha da China no individual geral desde a prata de Tang Xijing em 2019. Talvez seja um indício de renascimento da ginástica chinesa para este ciclo olímpica. Elas seguem ganhando medalhas na trave e nas barras assimétricas, mas estão há sete anos sem ganhar medalhas por equipes em Mundial ou Olimpíada. Um resultado como o de Zhang pode dar um gás no programa chinês para que a equipe do país volte a figurar na zona das medalhas.

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

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