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Final caótica de salto no Mundial é definida em punição para alemã em salto dominado por Rebeca



Alemã Karina Schoenmaier é punida por usar apenas uma mão no salto e ouro do Mundial de Ginástica sobra para Angelina Melnikova



Angelina Melnikova, Lia-Monica Fontaine e Josccelyn Roberson no pódio do salto sobre a mesa feminino do Mundial de Ginástica Artística
(Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press)

Nesta sexta-feira (24), aconteceu a final feminina do salto sobre a mesa no Mundial de Ginástica Artística de 2025 em Jakarta, na Indonésia. A prova não teve nomes que dominaram a disputa do aparelho nos últimos anos como Rebeca Andrade e Simone Biles, com a briga pelo ouro ficando aberta. E a primeira posição foi definida por ginastas cometendo erros em um salto que Rebeca e Simone faziam com maestria. A alemã Karina Schoenmaier foi punida, enquanto o ouro caiu no colo da russa Angelina Melnikova.

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Sem dúvidas, Rebeca Andrade e Simone Biles estão na lista da melhores saltadoras da história da ginástica artística feminina. E as duas fizeram falta na final em Jakarta, que viu várias notas relativamente baixas para o aparelho, com só dois de 15 saltos tirando acima de 9.0 de execução. E um salto que Rebeca e Simone faziam muito bem foi alvo de polêmica em Jakarta.

O Cheng recebe seu nome da sua idealizadora, a chinesa tricampeã mundial Cheng Fei. O salto consiste em um Yurchenko com meia volta, seguido de um mortal para frente com pirueta e meia. Rebeca Andrade é quem melhor fez o salto na história, com destaque ao salto que fez na final dos Jogos Pan-Americanos de Santiago em 2023 que é o salto que mais se aproximou do 10 de execução nos últimos anos.

Melnikova com o Cheng à lá Paseka

Com 5.6 de dificuldade, várias ginastas tentam o Cheng para conseguir uma pontuação alta no salto. Mas nem todas conseguem o nível de execução de Rebeca Andrade. A campeã do aparelho foi a russa Angelina Melnikova. Ela não competia o Cheng desde os Jogos Olímpicos Tóquio-2020, mas voltou a treinar o salto alguns meses atrás visando uma medalha em Jakarta. Melnikova conseguiu 14.433 no salto (com uma execução lembrando a russa bicampeã mundial Maria Paseka) e um 14.100 no Yurchenko com dupla pirueta para vencer a prova com 14.466 (média já com o bônus).

O Cheng de um braço só

Na década passada, a norte-americana Mykayla Skinner foi bronze no salto no Mundial de 2014 com um Cheng onde ela não encostava as duas mãos na mesa para fazer a repulsão. Considerando isso perigoso, a FIG instituiu uma penalidade de 2 pontos para ginastas que não apoiam as duas mãos na mesa. Ao longo do Mundial deste ano, haviam dúvidas se a estadunidense Leanne Wong deveria receber essa punição, já que ela apenas toca a mesa com os dedos em uma das mãos (o código de pontuação fala que só tocar o aparelho não é o suficiente).

Mas uma punição desse nível veio na final do salto nesta sexta-feira. A ginasta alemã Karina Schoenmaier também apresentou um Cheng, em um upgrade do que costuma fazer nas finais do aparelho. Saltando pela primeira vez o salto novo, Karina até teve uma boa forma no ar e uma execução melhor que Melnikova. Mas na hora que passou o replay do salto na transmissão, todo mundo viu em câmera lenta claramente. A mão direita da alemã ficou longe de encostar na mesa.

Não restou dúvida para a banca de arbitragem. Veio a punição para Karina Schoenmaier que tirou 12.533 no Cheng e 14.033 na dupla pirueta, para uma média de 13.483. Sem a penalidade, a alemã teria 14.483 e venceria Melnikova por menos de um décimo. A russa tem problemas de execução no seu Cheng, com uma grande abertura de pernas. Mas demonstrou claramente o apoio com duas mãos na mesa para validar o salto sem a penalização.

Chinesa erra na corrida

Outra candidata ao ouro que teve problemas na final em Jakarta foi a chinesa Deng Yalan. Ela errou o ritmo das suas passadas na corrida do seu primeiro salto, simplesmente pulando por cima da mesa.

Sem China e Alemanha, o resto do pódio teve duas norte-americanas. A canadense Lia-Monica Fontaine foi a segunda colocada com uma média de 14.033. O bronze ficou com Joscelyn Roberson dos Estados Unidos, com 13.983 pontos.

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

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