Siga o OTD

Ginástica Artística

Guia – Mundial de Ginástica Artística de 2022: Finais por aparelho – Masculino

Veja os candidatos ao pódio nas finais masculinas por aparelho do Mundial de ginástica artística 2022. Entre eles: Caio Souza e Arthur Nory

Mundial de ginástica artística: Arthur Nory ergue os braços para saudar os juízes após prova na barra fixa
Arthur Nory no Pan-Americano de ginástica artística (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

Os últimos dias do Campeonato Mundial de Ginástica Artística Liverpool-2022 são reservados para as finais por aparelho. Nos dias 5 e 6 de novembro, iremos conhecer os campeões mundiais no solo, cavalo com alças, argolas, salto, barras paralelas e barra fixa. A disputa promete ser forte, já que no masculino há vários ginastas que são especialistas em um ou dois aparelhos, direcionando o seu foco para aumentar a dificuldade de suas apresentações.

+ SIGA O OTD NO YOUTUBETWITTERINSTAGRAMTIK TOK E FACEBOOK

Solo

Campeão Mundial em 2019, o filipino Carlos Yulo tem a maior nota do ano no aparelho com os 15.200 que tirou para levar o ouro nos Jogos do Sudeste Asiático. Seu principal rival na busca pelo bicampeonato é o israelense Artem Dolgopoyat, atual campeão olímpico da prova. Os dois são os únicos que já passaram dos 15 pontos no aparelho em 2022.

O atual campeão é o italiano Nicola Bartolini. Ele tem a terceira melhor nota do ano entre os ginastas que vão à Liverpool, com os 14.850 da final dos Jogos do Mediterrâneo. Quem chega na mesma faixa de pontuação é Donnell Whittenburg, dos Estados Unidos. Ele tem uma série de 6.4 de dificuldade, perdendo apenas para os 6.5 de Dolgopoyat.

Outro nome para ficar de olho é o espanhol Rayderley Zapata, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Zapata ainda não teve uma grande performance este ano, mas tem acrobacias difíceis no seu arsenal para brigar pelo ouro.

O Brasil tem alguns nomes que podem brigar por uma vaga na final do solo em Liverpool. O medalhista olímpico Arthur Nory e o estreante em Mundiais Yuri Guimarães. Ambos tem notas de dificuldade um pouco abaixo dos atletas já citados, mas podem compensar com uma execução limpa na qualificação para conseguirem a vaga na final.

Cavalo com alças

Nariman Kurbanov, do Cazaquistão, tem a nota mais alta do ano (15.300) e teve bons resultados no circuito da Copa do Mundo, com três medalhas de ouro e uma de prata. Ele também tem a maior nota de dificuldade do mundo no momento com 6.7. 

Apenas dois ginastas venceram Kurbanov este ano, também sendo candidatos ao título em Liverpool. No campeonato asiático, Ahmad Abu Al Soud, da Jordânia, levou a medalha de ouro contra o cazaque. Já na Copa do Mundo de Paris, quem ficou em primeiro lugar foi o irlandês Rhys McClenaghan.

O atual campeão mundial é Stephen Nedoroscik, dos Estados Unidos. Ele não competiu internacionalmente este ano, mas fez boas séries no campeonato nacional e na seletiva do país para o Mundial, chegando na casa dos 15 pontos. Quem também está no páreo é Lee Chih Kai, de Taiwan. O vice-campeão olímpico foi ao pódio nos Mundiais de 2018 (bronze) e 2019 (prata) e pode completar a coleção com um ouro em Liverpool.

Argolas

A disputa nas argolas terá alguns dos seus principais candidatos ausentes em Liverpool. O grego Eleftherios Petrounias, o truco Ibrahim Çolak e o brasileiro Arthur Zanetti – todos campeões mundiais – não estarão nesta edição. Çolak sofreu uma fratura na mão, enquanto Petrounias não conseguiu se classificar para o Mundial. Já Zanetti estava na lista inicial do Brasil, mas teve uma virose algumas semanas atrás que o impediu de treinar para a competição.

A China tem um time muito forte nas argolas, com vários nomes podendo chegar na final. O principal é You Hao, medalhista de prata em Tóquio-2020. Ele tem a série mais difícil do mundo atualmente, com os 6.7 de dificuldade que apresentou na final do Campeonato Chinês um mês atrás.

Quem tem feito uma boa temporada no aparelhos é o turco Adem Asil. Ele levou a medalha de prata no Campeonato Europeu e ganhou três medalhas de ouri em Copas do Mundo, ultrapassando a barreira dos 15 pontos em algumas ocasiões. Quem também brilhou nas Copas do Mundo foi o armênio Vahagn Davtyan, vencedor de duas etapas.

Outros nomes de destaque incluem o austríaco Vincenz Hoeck (um ouro e duas pratas em Copa do Mundo este ano), o britânico Courtney Tulloch (bronze no Campeonato Europeu) e o norte-americano Donnell Whittenburg (campeão nacional).

Sem Arthur Zanetti, o melhor brasileiro no aparelho é Caio Souza. Ele ganhou uma prata em Copa do Mundo este ano na Croácia. Uma vaga na final para Caio é possível, vai depender de uma performance limpa na qualificação.

Salto sobre a mesa

Caio Souza ergue os braços. Na sua frente a mesa de salro
Caio Souza competindo no salto nos Jogos Sul-Americanos (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

O nível da final do salto sobre a mesa promete ser altíssimo. Os ginastas precisam ter dois saltos de pelo menos 5.6 de dificuldade para ter uma chance de brigar pela medalha de ouro. Há um grupo de quatro ginastas com um salto 6.0 e outro 5.6. Entre eles uma das apostas dos anfitriões: Jake Jarman. Ele levou o ouro no Campeonato Europeu com um Dragulescu (duplo mortal de frente com meia volta – valor 5.6) e um Kasamatsu com duas piruetas e meia (6.0).

O turco Adem Asil e o israelense Andrey Medvedev vão com a mesma combinação. Ambos fazem a versão carpada do Dragulescu (6.0) e um Tsukahara com duplo mortal carpado (5.6). Quem também tá no grupo das maiores dificuldades é Shek Wai Hung, de Hong Kong. Ele tem um Dragulescu e um Tsukahara com Tsukahara (6.0).

+ OTD em Paris entrevista Andrew Parsons, presidente do IPC

O Brasil tem uma chance de medalha na prova com Caio Souza. Finalista olímpico em Tóquio, o brasileiro tem no seu arsenal um Dragulescu e um Kasamatsu com dupla pirueta (5.6). A combinação de saltos é a mesma do filipino Carlos Yulo, atual campeão mundial e que busca defender seu título em Liverpool.

Outro nome para ficar de olho é o armênio Artur Davtyan. Bronze em Tóquio-2020, ele conta com um Dragulescu e um Randi (mortal para frente com duas piruetas e meia – valor 5.6) que o ajudaram a conquistar a prata no Europeu e três ouros em Copas do Mundo este ano.

Além de Caio, o Brasil também tem o jovem Yuri Guimarães que deve realizar dois saltos em Liverpool. Ele faz um Roche (duplo mortal grupado para frente – 5.2 de dificuldade) e um Kasamatsu com pirueta e meia. Ele está um pouco atrás dos principais saltadores do mundo no momento em dificuldade, mas pode beliscar uma vaga na final se tiver uma boa execução na qualificação.

Barras paralelas

As barras paralelas é o único aparelho no masculino onde os três medalhistas dos Jogos Olímpicos de Tóquio estarão em Liverpool. Entre eles, o favorito na teoria é o chinês Zou Jinyuan. Zou é bicampeão mundial e conta com uma combinação absurda de dificuldade e execução que o permite chegar na casa dos 16 pontos com frequência. Mas o campeão olímpico competiu apenas uma vez este ano no Campeonato Chinês, onde não estava em um bom dia e sofreu duas quedas no aparelho.

O vice-campeão olímpico Lukas Dauser, da Alemanha, tem a maior nota internacional este ano com os 15.533 da final por equipes do Campeonato Europeu. Na sequência, vem o bronze olímpico Ferhat Arican, da Turquia, com 15.400 em uma Copa do Mundo.

Além dos medalhistas olímpicos, vale ficar de olho no britânico Joe Fraser. O atleta da casa foi campeão mundial em 2019 e, este ano, levou o ouro no Campeonato Europeu. Outro nome forte é o ucraniano Ilia Kovtun, que dominou o circuito das Copas do Mundo no aparelho conquistando cinco medalhas de ouro. Vale ficar de olho também nos irmãos Tanigawa Wataru e Kakeru, do Japão, que tiraram notas acima de 15 nas competições domésticas do Japão este ano.

Pelo Brasil, quem tem a melhor chance de um bom resultado é Caio Souza. Em 2021, ele se tornou o primeiro brasileiro a se classificar para a final das barras paralelas em um Mundial, terminando na sétima colocação.

Barra fixa

A disputa pelo ouro na barra fixa tradicionalmente encerra o Campeonato Mundial de ginástica artística. Quem espera repetir o bom resultado no aparelho é Hashimoto Daiki. O japonês levou o ouro em Tóquio-2020 e a prata no último Mundial. Seu rival no individual geral, o chinês Zhang Boheng, é um dos nomes que pode lhe atrapalhar na busca pelo ouro no aparelho.

Quem também vem forte na barra fixa é Brody Malone, dos Estados Unidos. Bronze no Mundial de 2021, Malone tem acumulado bons resultados no aparelho com dois ouros em Copas do Mundo em 2022.

O Brasil tem um campeão mundial na prova. Arthur Nory levou o ouro na barra fixa em Stuttgart-2019. Para levar o bicampeonato, Nory tem aumentado a sua nota de dificuldade da sua série. É possível que o país tenha um segundo ginasta na final do aparelho. Lucas Bittencourt e Caio Souza fizeram uma dobradinha em uma etapa da Copa do Mundo este ano, levando a prata e o bronze respectivamente. Se repetirem as notas daquela ocasião, ambos têm chance de brigar por uma vaga na final.

Outro nome para ficar de olho é o croata Tim Srbic. Campeão mundial em 2017, ele levou três medalhas (uma de cada cor) no circuito da Copa do Mundo em 2022.

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

Mais em Ginástica Artística