A esquiadora Jaqueline Mourão não deve disputar os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Dona de oito participações olímpicas, recorde entre atletas brasileiros, a mineira de 50 anos deve ficar fora da convocação final por conta de critérios da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve). A entidade deve oficializar as convocadas nesta segunda-feira (19).
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A decisão pode ter colocado fim na carreira de uma das maiores referência do esportes de neve brasileiro. Em publicação nas redes sociais neste sábado (17), a atleta lamentou o desfecho. “Apesar de ter os menores pontos FIS tanto na lista olímpica quanto na lista da Federação Internacional, não me classifiquei pelo critério interno do Brasil”, escreveu.
Critérios de classificação do Brasil
O sistema de classificação para o esqui cross-country utiliza os “Pontos FIS” para padronizar resultados em diferentes pistas e condições climáticas. Pela regra, quanto menor a pontuação, melhor o desempenho.
Para Milão-Cortina 2026, o Brasil garantiu duas vagas femininas. A primeira ficou com Eduarda Ribera que somou mais pontos para o país no Ranking de Nações. Por ter apenas 21 anos, Ribera teve a oportunidade de participar do Mundial Júnior. O que pode ser considerado uma ligeira vantagem estratégica na coleta de pontos em relação às concorrentes.
A segunda vaga acabou decidida por um ranking nacional entre Jaqueline Mourão e Bruna Moura. A CBDN criou um ranking considerando os três melhores resultados de cada atleta que tem o índice B para a Olimpíada no sprint clássico e no distance (a partir de 5km) em estilo livre.
Cálculos realizados pela reportagem do Olimpíada Todo Dia mostram que, embora Mourão seja superior nas provas de distance (com marca de 127.94 pontos contra 177.31 de Bruna), a vantagem de Bruna nas provas de velocidade foi decisiva. Bruna registrou média final de 217.48 pontos, enquanto Jaqueline fechou com 238.96.
22 anos de Jogos Olímpicos
Mesmo fora dos Jogos, Jaqueline encerra o ciclo com marcas históricas. Foi a responsável direta pela abertura da cota olímpica brasileira e chegou a apenas 10 pontos do “Índice A” da federação internacional (150 pontos FIS). Caso, conseguisse garantiria vaga em todas as provas individuais em Milão-Cortina 2026.
“Queria muito encerrar minha carreira nos JO 2026. Seriam nove participações. Mas saio com a certeza de que deixei tudo nas pistas”, escreveu a atleta. Ela estreou em Olimpíadas em Atenas-2004, no mountain bike.