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Timo Cavelius é desfalque do Mundial de Judô após ataque de rival georgiano



Atleta alemão, primeiro judoca abertamente gay, ficará ao menos dois meses fora do esporte se recuperando de mandíbula fraturada



Timo Cavelius, judô (Foto: IMAGO/Artur Stabulnieks)

Entre os desfalques do Campeonato Mundial de Judô, que começa neste domingo, em Baku, um deles é consequência de um episódio que manchou o esporte no início do mês. Timo Cavelius sofreu uma fratura dupla na mandíbula após ser agredido por Akaki Japaridze, da Geórgia, depois de uma luta pela liga alemã. O atleta georgiano foi banido da Bundesliga de Judô, enquanto a Federação Internacional de Judô (IJF) e a Confederação Georgiana de Judô ainda avaliam possíveis sanções. Cavelius, que participou dos Jogos Olímpicos de Paris-2024, segue em recuperação e ficará fora da competição.

No dia 5 de setembro, Cavelius, representando o TSV Abensberg, venceu o combate contra Japaridze, atleta do Clube de Judô de Leipzig. Após comemorar a vitória na frente do adversário, Timo Cavelius sofreu um ataque de raiva do rival, que o socou inúmeras vezes, inclusive quando já estava no chão. Cavelius sofreu uma fratura dupla na mandíbula. A polícia alemã também abriu uma investigação criminal contra o atleta da Geórgia.

Timo Cavelius participou dos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e ocupa a 41ª posição no ranking mundial da categoria 81kg. Por outro lado, Japaridze ocupa a 150ª colocação no ranking mundial da 90kg após o quinto lugar no Grand Slam de Tbilisi. 

“Quem pisa no tatame confia seu bem-estar físico ao adversário. Essa confiança é a base do nosso esporte. Esse ato não apenas feriu gravemente o Timo; ele afeta cada um de nós envolvidos no judô”, disse Miryam Roper, atleta olímpica e parte da diretoria da Confederação Alemã de Judô, a DJB, em um comunicado após o ataque.

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Com sua mandíbula fraturada, Timo Cavelius ainda está em recuperação e, portanto, desfalcará a equipe alemã durante o Campeonato Mundial. Ele ficará fora do esporte ao menos até novembro. A mandíbula dele foi estabilizada com a colocação de três placas que deverão ser retiradas em até oito meses.

“Ainda estou chocado com o que aconteceu. Quando a luta terminou, estava feliz com a vitória e celebrei em direção à minha equipe e meus colegas”, disse em entrevista ao Outsports. Timo Cavelius é o único judoca masculino da elite abertamente gay. Não está claro se isso interferiu no ataque.

Após a agressão, Akaki Japaridze postou em seu instagram que o motivo teria sido “insultos verbais e gestuais do adversário, o que também é completamente inaceitável no esporte e dentro dos princípios da ética esportiva. Em primeiro lugar, é inaceitável para mim, como georgiano e como homem”, escreveu ele em georgiano, em tradução feita com uma ferramenta online.

“Não posso nem quero julgar se Japaridze me atacou por causa da minha sexualidade. No fim das contas, a declaração dele deixa margem para interpretações nesse sentido. O que ele pensava naquele momento é algo que só ele mesmo pode responder. Enquanto as declarações de Japaridze não fizerem referência explícita à minha orientação sexual, não quero especular a respeito. Para mim, é importante ater-me aos fatos e não atribuir a ninguém um motivo que não possa ser comprovado”, comentou, enfim, Cavelius.

Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.

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