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Esgrima

Após morte de técnico, Bia Bulcão se vê pronta para seguir

Bia Bulcão lamentou a morte do treinador Gennady Miakotnykh, falou sobre a opção de treinar na Itália e quer difundir a esgrima no Brasil

Bia Bulcão foi bronze no florete dos Jogos Pan-Americanos de Lima (Augusto Bizzi/FIE)

Bia Bulcão viveu um turbilhão de sentimentos no final de março. Um dia depois do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a esgrimista ainda precisou lidar com a morte de Gennady Miakotnykh, russo que era seu técnico desde os 10 anos de idade. Em entrevista realizada durante uma live no Instagram do Olimpíada Todo Dia nesta quinta-feira (28), Bia disse que ainda está digerindo tudo isso, mas se vê preparada pelo técnico com quem dividiu mais da metade de sua vida para seguir na esgrima e treinar na Itália.

“Não é fácil até agora. Foram muitas mudanças, fomos de muitas competições para nenhuma competição. Depois para a mudança da Olimpíada. Aí já com o falecimento do meu técnico. Estou tentando levar um dia de cada vez. Ele foi muito importante para mim, muitas conquistas foram graças ao trabalho que tive com ele. Tudo que eu aprendi no esporte foi com ele, era um dos melhores técnicos do mundo. Ele mesmo foi medalhista mundial. Ele me ensinou tudo que eu preciso para continuar a partir de agora. Eu sinto que estou bem preparada por ele para poder seguir com qualquer outro técnico”, disse.

Feedback do técnico e treinos na Itália

Antes de falecer, Gennady Miakotnykh, que também treinava a seleção brasileira de esgrima, teve a oportunidade de ir para a Itália para acompanhar os treinamentos de Bia Bulcão e dar um feedback positivo da decisão da paulista de passar boa parte do ano se preparando para as competições na Europa.

Bia Bulcão foi para Frascati pela primeira vez em 2018 com o intuito de treinar com as italianas. O país, inclusive, é o maior vencedor da modalidade na história dos Jogos Olímpicos, com mais de 120 pódios e 49 ouros. Lá, Bia aprendeu a enxergar a esgrima de uma maneira diferente, voltou mais vezes e se tornou a primeira esgrimista brasileira a conquistar uma medalha em Jogos Pan-Americanos. Em Lima, a paulista conquistou o bronze.

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“Foi bom porque pude treinar com atletas da equipe da Itália. Todas elas são campeãs mundiais e olímpicas. A gente não tem isso todo dia. Quanto mais gente de alto nível para treinar em um esporte de combate é melhor. Algumas mudanças que eu fiz com a técnica de lá abriram meus olhos em relação à esgrima. Acabei crescendo muito por conta desse trabalho que fiz lá. Não é fácil ficar tanto tempo fora do Brasil. Mas, quando vemos os resultados, acaba compensando”, afirmou.

“A esgrima está se tornando menos programada. Hoje em dia por ser tão rápida as pessoas jogam mais na oportunidade de tocar e saber aproveitar o momento certo. São coisas que na Itália comecei a enxergar melhor. No Brasil é diferente a forma que enxergamos, é mais técnica. Lá a gente vê que não precisa ser assim”, acrescentou.

Difusão da esgrima

Bia Bulcão lamentou a morte do técnico Gennady Miakotnykh, falou sobre a opção de treinar na Itália e quer difundir a esgrima no Brasil.
Bia Bulcão tem chances de ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio (Pedro Ramos/ rededoesporte.gov.br)

Buscando difundir a esgrima e seus valores, Bia Bulcão tem dado palestras em algumas escolas com o intuito de desenvolver o esporte no Brasil para que os novos atletas não precisem treinar na Europa.

“Eu quando comecei era criança também e gostei das dificuldades diferentes que tinha visto na esgrima. A oportunidade de aprender uma coisa a cada dia. Eu acho isso muito interessante. E não só na parte esportiva, os valores da esgrima são muito importantes. Nas minhas palestras eu foco muito nisso, os valores de disciplina e respeito. São coisas que precisamos levar para o dia o dia e usar em diversas áreas”, contou.

+ Bia Bulcão celebra definição sobre classificação olímpica

Bia Bulcão ainda quer encerrar alguns estereótipos da esgrima, entre eles o de ser um ‘esporte de elite’.  “A maior dificuldade da esgrima é que a gente não está na mídia sempre. E isso acaba criando alguns estereótipos, como ser um esporte de elite, não tão acessível. Mas na realidade não é assim, porque no Brasil, por exemplo, os clubes oferecem material para você iniciar na modalidade. Tem algumas academias públicas também”, disse.

“Se você quer fazer num alto nível, acaba ficando mais caro, até porque a gente não tem o mesmo nível de competição e a quantidade de atletas como na Europa, mas a partir do momento que a gente trabalha isso aqui, desenvolvendo a esgrima, vai se tornar um esporte barato até para o alto rendimento. Seria possível parar de mandar os atletas para fora e seguir treinando em casa”, acrescentou.

Representatividade

Aos 26 anos, Bia Bulcão é a única negra da seleção brasileira e sente surpresa com isso, mas deposita confiança e se espelha em outros países para que isso mude em um futuro próximo. São Paulo, inclusive, tem dois projetos mencionados pela atleta que podem render frutos mais para frente: o Mosqueteiros de Paraisópolis e o Projeto Touché.

“A esgrima não tem muitos negros no Brasil, o que me surpreende por conta da maioria da população ser negra. Acho que é por isso a imagem do esporte ser elitizado. Vemos alguns projetos sociais nos Estados Unidos, na França e outros países, inclusive muitos campeões olímpicos saíram desses projetos. Com o desenvolvimento da esgrima no Brasil, o número de negros vai aumentar. Acredito que isso mude com tempo. É importante mais negros praticando esgrima para ver que não tem essa barreira, todos podem praticar esgrima”, finalizou.

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