Siga o OTD

Coronavírus

Arremessadores e lançadores usam criatividade para treinar

Arremessadores e lançadores afetados pelo isolamento social do coronavírus buscam alternativas para seguir treinando em provas que exigem grandes espaços

Fernanda Borges ainda busca a classificação olímpica (Wagner Carmo/CBAt)

Arremessadores e lançadores usam criatividade para treinar

Para os atletas das provas de arremesso e lançamento, que precisam de grandes espaços e medidas de segurança para treinar, as dificuldades aumentaram com a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social causado pela doença. Diante desse cenário, eles estão precisando improvisar, tanto é que Darlan Romani e Fernanda Borges estão treinando em terrenos próximos de suas casas.

Recordista sul-americano e terceiro do mundo no arremesso do peso pelo ranking da World Athletics, Darlan Romani treina com o cubano Justo Navarro e tem a companhia de Geisa Arcanjo nas atividades realizadas no “CT do Darlan” – o próprio atleta construiu uma área de arremesso em um terreno baldio ao lado de sua casa, em Bragança Paulista, interior de São Paulo, para treinar durante a pandemia do coronavírus.

“Está difícil, mas o peso ainda é mais fácil porque a distância é mais curta. Mas a dificuldade é para todos”, afirmou João Paulo Alves da Cunha, treinador de Fernanda Borges (lançamento do disco), Eloah Scramin (dardo), Izabela Rodrigues (disco), Valquiria Meurer (disco), Guilherme Martins (dardo) e Wellington da Cruz (disco), todos atletas do IEMA, e ainda Douglas Reis (disco) e Jucilene Sales de Lima (dardo), os dois da Orcampi.

Fernanda Borges é casada com o ex-atleta João Martins que tem o filho Guilherme, também lançador. O grupo consegue lançar em um campo de Itapecerica da Serra e tem musculação em casa. Eloah Scramin e o Douglas Reis, por sua vez, estão treinando em Oswaldo Cruz, no interior de São Paulo, e também têm espaço para lançamentos.

“Qualificar pelo ranking de pontos é bom, mas eu quero mesmo fazer o índice (63,50 m). Quando voltar, vou estar bem e quero lançar acima da marca olímpico”, disse Fernanda Borges.

Pensamento em Tóquio

“Os demais vivem em cidades da Grande São Paulo e se viram como podem. Todos estão mantendo a forma física, mas nem todos têm a mesma facilidade para trabalhar com os implementos. Temos um plano de todos estarem bem em dezembro deste ano, já pensando em 2021 também”, afirmou João Paulo.

O treinador observa que Fernanda Borges, 10º no ranking mundial do lançamento do disco, estava “99% qualificada para a Olimpíada” por conta da relação de pontos quando as atividades foram paralisadas por causa da pandemia do coronavírus.

“Pelo que ela vinha fazendo a gente esperava por um bom resultado este ano”, afirmou João Paulo, acreditando que Jucilene – 1ª colocada no ranking de 2020 no dardo, com 59,51 m – e Izabela – 2ª no disco, com 60,15 m – também poderiam se classificar pelo ranking ou fazendo o índice.

+ SIGA O OTD NO YOUTUBE, NO INSTAGRAM E NO FACEBOOK

“Mantenho essa minha expectativa com relação a isso. Elas estavam vindo de sequências boas de treinos e resultados. Competição faz falta, mas vamos voltar a competir assim que o calendário permitir e manter o foco em dezembro. Confio em bons resultados”, afirmou.

Por causa das consequências da pandemia do coronavírus, a World Athetics já definiu que os índices olímpicos começam a valer novamente somente a partir de 1º de dezembro de 2020.

Exercícios online

Para os atletas do grupo das provas de lançamentos e arremesso da Orcampi, o treinador Sinval de Oliveira antecipou o recesso, que seria após o Troféu Brasil, em maio, para as primeiras semanas da quarentena. E agora já está voltando com os treinos.

“Eles vão cumprir a planilha na íntegra, com preparação física, mas também educativos de lançamentos e arremesso. Fiz vídeos com os exercícios e coloquei no YouTube. Também temos aulas por Skype e Zoom para correções online”, disse.

Entre os atletas treinados por Sinval estão Rafaela Torres Gonçalves (lançamento de dardo), Lidiane Cansian (disco), Ralf Rei Airton de Oliveira (martelo) e William Braido (arremesso de peso)

Mudando a programação

Ricardo Barros, do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP-SP), que orienta alguns destaques das provas de campo como Allan Wolski, número um no lançamento do martelo do Brasil, Keely Medeiros (arremesso de peso), Welington Morais (peso) e Anna Paula Magalhães Pereira (lançamento do martelo), todos atletas do Pinheiros, está revendo a programação a cada três semanas por conta do coronavírus.

“Mas está difícil. Alguns conseguem treinar em casa ou numa praça, sempre com muito cuidado e em isolamento”, comentou.

Para os atletas do lançamento do martelo as dificuldades são ainda maiores. Líder do ranking brasileiro deste ano, Allan Wolski teme comprometer o ciclo olímpico. Eles dependem de grandes espaços e de gaiolas.

+ “Inimigo a se vencer”, diz lendário Mark Spitz sobre pandemia

“Infelizmente não estou conseguindo me manter dentro dos padrões atléticos desejáveis, pela falta de material para fazer força e de local para lançar”, disse Allan que vive em São Paulo, capital.

“É difícil encontrar algum local vazio onde eu possa treinar os giros ou até mesmo lançar próximo. Tentei ficar na praia para fazer algo mais específico, mas infelizmente não consegui. A Guarda Municipal sempre vinha para me tirar da areia”, completou.

Cenário nos Estados Unidos

Atletas de arremesso e lançamento afetados pelo isolamento do coronavírus buscam alternativas para treinar em provas que exigem grandes espaços.
Willian Dourado tem treinado em sua academia (Wagner Carmo)

Flavio dos Santos Silva é treinador de Willian Dourado, campeão sul-americano de arremesso de peso indoor e número dois no ranking brasileiro, e de Alencar Chagas Pereira, recordista brasileiro sub-20 e sub-23 do martelo, que são da ARPA, de Rio Preto.

“O Willian tem uma academia na casa de um amigo e pode fazer musculação. Treinar a parte técnica e educativa está restrito pela falta de local. Não pode ir a campo pelo risco de ser preso. O Alencar, que mora e estuda nos Estados Unidos, também consegue fazer musculação. A universidade está fechada e ele não pode voltar para o Brasil pelo risco de não poder viajar mais para lá depois”, comentou Flávio.

Mais em Coronavírus