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Bia Ferreira revela climão com rivais em sua volta ao boxe olímpico



Brasileira conta reação das adversárias no pódio após conquistar o ouro da Copa do Mundo de Boxe em Guiyang



Beatriz Ferreira voltou ao boxe olímpico conquistando ouro e, aparentemente, incomodando algumas das principais adversárias de sua nova categoria. Campeã da etapa de Guiyang, na China, da Copa do Mundo de Boxe, a brasileira revelou ao Olimpíada Todo Dia o “climão” que viveu com as rivais durante a cerimônia de premiação dos 65kg. “O meu pódio foi o mais sinistro. As meninas estavam super bravas”, contou Bia.

A brasileira dividiu o pódio com a inglesa Sacha Hickey, medalhista de prata, e com a cazaque Aida Abikeyeva e a polonesa Kinga Krowka, que ficaram com os bronzes. Segundo Bia, apenas Krowka, com quem já havia feito sparring anteriormente, conversou normalmente com ela durante a cerimônia. “Só ela estava interagindo comigo, brincava, mas as outras, a cazaque e a inglesa, estavam assim (de cara feia). Eu fiquei sem graça porque eu estava super feliz. Não sabia se eu ria, se ficava quieta. Não sabia o que fazer”, lembrou.


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Volta com ouro em nova categoria

O incômodo das rivais ajuda a dimensionar o impacto da volta de Beatriz Ferreira ao boxe olímpico. Depois de construir sua trajetória internacional nos 60kg, categoria em que conquistou duas medalhas olímpicas e dois títulos mundiais, a brasileira passou a competir nos 65kg em seu retorno do boxe profissional.

Guiyang foi seu primeiro grande teste internacional na nova divisão. E a chave estava longe de ser simples.

“Quando eu vi a chave, eu falei: ‘Nossa Senhora’. Campeã europeia, campeã asiática, campeã mundial”, relembrou a brasileira.

Entre as adversárias estava Aida Abikeyeva, do Cazaquistão, campeã mundial dos 65kg em 2025 e também campeã asiática. Bia enfrentou a cazaque na semifinal e venceu por decisão unânime.

Na decisão, a brasileira encontrou Sacha Hickey, da Inglaterra. A britânica já havia conquistado o título europeu sub-23 e chegava à competição chinesa como um dos principais nomes da categoria. Mais uma vez, Bia venceu por decisão unânime para ficar com o ouro.

A outra medalhista de bronze, Kinga Krowka, da Polônia, também possuía um título europeu nas categorias de base.

Vitória contra atleta da casa deu confiança

Antes de encontrar as campeãs internacionais, Bia precisou passar por uma situação que considera quase uma tradição em sua carreira: enfrentar uma representante do país-sede.

Nas quartas de final, a brasileira encarou Li Shu, da China, diante da torcida local. Foi justamente essa luta que garantiu a primeira medalha de Bia em seu retorno ao circuito olímpico.

A brasileira venceu a chinesa por decisão dividida, por 3 a 2.

“Quando eu peguei a atleta da casa valendo medalha e eu ganhei, eu já tenho uma tradição disso. Toda vez que a gente enfrenta um atleta da casa e sai com a vitória, então a gente tem a obrigação de ser campeão”, afirmou.

Li Shu não era apenas uma representante local. A chinesa já havia conquistado uma etapa da Copa do Mundo de Boxe e figurava entre os nomes fortes da divisão.

Depois de passar por ela, Bia ganhou ainda mais confiança.

“Eu não sabia nem como comemorar”

No fim, a brasileira cumpriu o que havia colocado para si mesma após superar a atleta da casa. Venceu a campeã mundial na semifinal, bateu a campeã europeia sub-23 na decisão e terminou a Copa do Mundo no lugar mais alto do pódio.

Foi justamente ali que surgiu a situação que virou uma das histórias mais curiosas de sua volta ao boxe olímpico.

Com as adversárias aparentemente pouco satisfeitas ao seu lado, Bia contou que ficou até sem saber como reagir durante a cerimônia.

“Eu não sabia nem como comemorar”, relembrou.

“A mãe de todas”

O ouro na China também marcou o início de uma nova caminhada olímpica para Bia Ferreira. A brasileira já tem duas medalhas em Jogos Olímpicos: prata em Tóquio-2020 e bronze em Paris-2024. Agora, o objetivo é buscar a medalha que ela chama de “a mãe de todas”.

“Eu quero muito buscar essa medalha. Quero muito vivenciar mais uns Jogos Olímpicos”, afirmou Bia. “Eu vou brigar até o fim, porque eu quero. É uma meta estar lá nos Jogos. É tentar a mãe de todas, para dessa vez vir a cor certa.”

A entrevista completa com Bia Ferreira está disponível no canal do Olimpíada Todo Dia no YouTube.

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

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