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Volta à calma no treino: por que os últimos minutos também importam



Reduzir o ritmo aos poucos depois do exercício ajuda o corpo a sair do esforço de forma mais gradual e pode tornar a sessão mais organizada



pessoa caminhando devagar na esteira ou ao ar livre após o treino, com expressão tranquila, toalha no ombro e ritmo leve

Muita gente termina o treino no mesmo segundo em que acaba a última série, o último tiro, a última subida ou a última repetição. A pessoa larga o peso, desce da esteira, pega a garrafa e vai embora. Na pressa do dia a dia, até parece lógico. Mas os minutos finais também fazem parte da sessão.

A chamada volta à calma é o período em que o corpo sai do esforço de maneira progressiva. Em vez de interromper tudo de uma vez, a pessoa reduz o ritmo, respira melhor, caminha mais devagar, pedala leve ou faz movimentos suaves. Não precisa ser complicado, demorado ou cheio de regras. A ideia é apenas criar uma transição entre o treino e o restante do dia.

A American Heart Association explica que, após a atividade física, o coração ainda bate mais rápido, a temperatura corporal está mais alta e os vasos sanguíneos seguem dilatados. Por isso, a volta à calma permite uma redução gradual ao fim do exercício.

O treino não acaba no pico do esforço

Durante o exercício, o corpo trabalha em um ritmo diferente. A respiração acelera, os músculos recebem mais sangue, a frequência cardíaca sobe e a atenção fica voltada para o movimento. Quando o treino termina de forma brusca, a mudança é muito rápida.

Isso não significa que parar de uma vez sempre vá causar um problema. Mas, para muita gente, reduzir aos poucos pode deixar o fim da sessão mais confortável. Depois de uma corrida, por exemplo, alguns minutos de caminhada ajudam a desacelerar. Depois de um treino de musculação intenso, movimentos leves podem marcar melhor o encerramento.

A Mayo Clinic resume aquecimento e volta à calma como momentos em que a pessoa faz a própria atividade em ritmo mais lento e intensidade menor. No caso da volta à calma, o objetivo é diminuir gradualmente a intensidade depois do exercício.

Volta à calma não é a mesma coisa que alongar muito

Um ponto importante é não confundir volta à calma com uma sessão longa de alongamento. Alongar pode entrar no fim do treino, mas não é obrigatório transformar esse momento em uma rotina extensa. A volta à calma pode ser simplesmente caminhar, pedalar leve, soltar braços e pernas ou respirar com mais controle.

Depois, se fizer sentido para a pessoa, alguns alongamentos leves podem aparecer. O NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, oferece uma rotina de desaquecimento de cerca de dez minutos após exercícios, com foco em alongar o corpo depois da atividade.

O cuidado está na intensidade. O fim do treino não é hora de forçar amplitude a qualquer custo, disputar flexibilidade ou insistir em dor. A sensação deve ser de desaceleração, não de mais uma parte pesada da sessão.

Como fazer depois de diferentes treinos

Depois de uma caminhada rápida ou corrida leve, a volta à calma pode ser feita com alguns minutos caminhando em ritmo confortável. Quem usa bicicleta ergométrica pode reduzir a carga e a velocidade. Quem faz treino funcional pode trocar saltos e movimentos intensos por marcha no lugar, mobilidade leve e respiração.

Na musculação, a volta à calma pode ser ainda mais simples. Ao terminar a última série, vale caminhar um pouco pela academia, fazer movimentos articulares leves ou repetir algum padrão sem carga, apenas para soltar o corpo. Se o treino foi de pernas, por exemplo, uma caminhada leve pode ajudar a baixar o ritmo. Se foi de membros superiores, movimentos suaves de ombros, costas e braços podem cumprir esse papel.

Uma revisão narrativa publicada em 2018 observou que a volta à calma ativa pode acelerar a recuperação dos sistemas cardiovascular e respiratório, mas também destacou que muitos efeitos atribuídos a ela ainda não são totalmente claros. Ou seja: é melhor tratar a prática como um hábito útil de organização e transição, não como uma garantia de recuperação perfeita.

Quanto tempo precisa durar?

Para a maioria das pessoas, poucos minutos já podem ser suficientes. Uma referência comum é pensar em cinco a dez minutos, ajustando conforme a intensidade do treino e o tempo disponível. Quanto mais intenso foi o esforço, mais sentido faz desacelerar com calma.

Isso não precisa virar mais uma barreira para treinar. Quem só tem meia hora não precisa desistir porque não consegue fazer uma volta à calma longa. Pode reservar dois ou três minutos no fim, reduzir o ritmo e encerrar melhor do que parar de forma completamente abrupta.

A volta à calma também ajuda a criar uma sensação de fechamento. O treino deixa de terminar no susto e passa a ter começo, meio e fim. Para quem busca constância, esses detalhes importam. Eles tornam a prática mais organizada, mais confortável e mais fácil de repetir no dia seguinte.

No fim, os últimos minutos não precisam ser espetaculares. Precisam apenas cumprir uma função simples: avisar ao corpo que o esforço acabou e que é hora de voltar ao ritmo normal.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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