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Manobra da Confederação diminui peso dos atletas em eleição

CBBd convocou eleição para esta sexta-feira (4) com menos de 1/3 dos votos destinados aos atletas, como prevê a Lei Pelé. Atitude pode impedir que entidade receba dinheiro público. Entenda o caso

Eleição presidencial da CBBd gera críticas de atletas, entre eles, Ygor Coelho (Instagram/co3lho12)

Manobra da Confederação diminui peso dos atletas em eleição

O calendário eleitoral do movimento olímpico brasileiro começou envolvido em uma polêmica. Nesta sexta-feira (4), está marcada a eleição para presidente da CBBd (Confederação Brasileira de Badminton), marcada para acontecer em Brasília. No entanto, de acordo com o edital publicado pela entidade, a votação contará com menos atletas com direito a voto do que prevê a Lei Pelé, e tal ação gerou críticas da oposição e dos próprios atletas, entre eles, Ygor Coelho.

A ação em si, não é ilegal. Mas segundo a Lei Pelé, para que as entidades esportivas recebam o repasse de recursos públicos, é necessário que o colégio eleitoral seja constituído “de todos os filiados no gozo de seus direitos, observado que a categoria de atleta deverá possuir o equivalente a, no mínimo, 1/3 dos votos”. Vale ressaltar que tal premissa está presente também no estatuto da própria CBBd, no Artigo-15, parágrafo 4.

A CBBd, no entanto, anunciou que 15 federações e cinco atletas terão direito ao voto, totalizando 20 votantes. Mas por estas proporções, os votos dos atletas correspondem a somente 1/4 dos votos e não 1/3 como exige o Estatuto e a Lei Pelé. Desta forma, para que se atinja o número mínimo, seria necessária a participação de oito atletas entre 23 votantes no total para chegar ao mínimo de 1/3.

“Para mim, quem faz o show são os atletas. Hoje em dia, os atletas têm direito a voz. ‘Ah, já tem os votos dos presidentes das federações, por que eu vou ouvir os atletas?’ O atleta é a maior parte, a maioria de um sistema esportivo. E tirar esse direito é tirar a nossa voz. A gente fica calado. Mas a gente é igual a todo mundo. Direitos iguais, isso é o básico”, opinou Ygor Coelho ao Olimpíada Todo Dia.

“Para o badminton ser melhor, nós temos que ouvir todas as partes. Porque eu não jogo sozinho, o presidente da Confederação não joga sozinho, o treinador da seleção não joga sozinho. Nós somos um time e representamos um país, que é o Brasil”, completou.

Preocupação futura

Como dito acima, a ação em si, de não ter pelo menos 1/3 dos votos vindos dos atletas, não é ilegal. Entretanto, com isso, a CBBd e pode ficar sem direito de receber verbas públicas, como a Lei Piva, o que no caso do badminton, seria bastante prejudicial.

“Acho que o badminton está vivendo um momento muito especial e ficar sem dinheiro seria muito ruim. A gente ainda não acabou o ciclo olímpico de 2020, por causa da pandemia, e ficar sem dinheiro agora prejudicaria projetos para 2021, não teria como realizar torneios nacionais, projetos futuros…”, pontuou Ygor.

+Eleição para a presidência do COB acontecerá no dia 7 de outubro

“O badminton cresceu muitos nesses últimos quatro anos, com a Olimpíada, participação em Mundiais e Pan-Americanos. É uma ascensão, vem ganhando respeito junto ao COB. E perder dinheiro público, porque a CBBd quer, queimaria a imagem dela, que hoje em dia, ao meu ver, é respeitada e a imagem de um esporte que está em crescimento”, concluiu.

A eleição e os candidatos

Francisco Ferraz é o atual presidente da CBBd, mas não pode se reeleger. O seu candidato é José Roberto Santini Campos, diretor técnico da entidade. A outra chapa, batizada “Novos Rumos”, é apoiada pela maioria dos atletas, entre eles Ygor Coelho, tem como candidato o árbitro Hilton Fernando dos Santos.

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A chapa de oposição, inclusive, também se manifestou sobre o caso. “Buscando garantir o direito legal determinado no Estatuto da CBBd, assim como o cumprimento das normas e regras estabelecidas pela Assembleia Geral da Confederação quando da aprovação deste mesmo Estatuto, informamos que estamos lutando pela correção de tudo aquilo que julgamos irregularidades no Edital de Convocação da Assembleia Eleitoral”.

Os atletas também enviaram um ofício à Comissão Eleitoral e a Comissão de Atletas do COB (Comitê Olímpico do Brasil) pediu a suspensão da eleição da CBBd, mas até agora, ela segue como o previsto, para acontecer nesta sexta-feira (4).

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