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Assunção-2025

 

De olho no Pan de 31, Assunção-2025 investiu em legado e sustentabilidade



17 mil crianças visitaram os Jogos Pan-Americanos Júnior como estratégia de impacto sociocultural no Paraguai



Alunos com bandeira do Brasil nos Jogos Pan-Americanos Júnior Assunção-2025
(Foto: Grazie Batista/COB)

De Assunção – Além das conquistas e dos problemas visíveis de Assunção-2025, algo sempre difícil de mensurar em megaeventos é o impacto que um evento esportivo como os Jogos Pan-Americanos Júnior deixarão no esporte e na sociedade paraguaia. Sobre o assunto, o Olimpíada Todo Dia conversou com Alejandro Bacot, Diretor de Legado e Sustentabilidade de Assunção-2025. Ele falou sobre os desafios, sucessos e expectativas enfrentados por sua equipe durante os Jogos, além de comentar a candidatura da capital paraguaia para o Pan de 2031.

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Bacot já havia exercido a mesma função nos Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023. Ele explicou que o trabalho no Paraguai foi dividido em quatro grandes áreas. Impacto socioeducativo –que inclui um programa de cultura e artes–; impacto econômico; legado esportivo; e finalmente, uma estratégia de sustentabilidade.

Máscaras para medalhistas foi algo inovador

Em meio a diversos problemas de organização, o primeiro aspecto foi o que mais chamou a atenção de uma maneira positiva. O programa cultural de Assunção-2025 incluiu não só os mascotes Tito e Tika, mas outras atividades. A mais chamativa delas foram as máscaras de artesanato e das bolsinhas com tecido local, entregues a todos medalhistas. Cerca de 100 artesãos trabalharam para produzir esses produtos. “As máscaras entregues foram inovadoras, porque é algo único. Nos Jogos Olímpicos e Pan-Americanos em geral se entrega uma pelúcia”, frisa Alejandro. 

Outro acerto foi o programa ASU Fans que levou mais de 17 mil crianças de 41 escolas às arenas. Em alguns esportes, a presença delas transformava completamente o ambiente. Durante a final por equipes femininas do tênis de mesa, alunos do 7º 8º e 9º da Escuela Félix Romualdo Talavera Goiburu, em Ñemby, região metropolitana de Assunção, estiveram presentes. Eles se sentaram ao lado do brasileiro Carlos Wanderley, que então emprestou sua bandeira do Brasil para a festa dos estudantes, que tinham entre 12 e 15 anos. O grupo, então, passou a torcer animadamente pela equipe brasileira. 

Mascotes Tito e Tika representam o chaco paraguaio

Alejandro Bacot destacou que, enquanto os jogos custaram cerca de 65 milhões de dólares, o impacto econômico na cidade gerou aproximadamente 500 milhões de dólares. Ele, inclusive, apontou o recém-construído parque aquático como um dos legados esportivos.

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Sobre a sustentabilidade, o dirigente ressaltou que o Comitê Organizador dos Jogos tomou as decisões com base na estratégia da norma ISO 20121:24. “É, afinal, a forma como hoje em dia se pensam e se gerem megaventos esportivos dessa envergadura, seguindo padrões internacionais de sustentabilidade”, garante Bacot. Ele é Mestre em Estudos Olímpicos, Educação Olímpica e Organização e Gerência de Eventos Esportivos promovido pela Academia Olímpica Internacional (IOA) em parceria com a Universidade de Peloponeso, em Olímpia e Sparta, na Grécia.

“A primeira prioridade era garantir que as emissões de carbono fossem as menores possíveis. Também implementamos uma estratégia de eletromobilidade, com veículos elétricos no parque do COP e ônibus elétricos para os voluntários. Houve ainda uma gestão integral de resíduos, com um processo de reciclagem, no qual esperamos que mais de 90% das garrafas de plástico pet sejam recicladas. No âmbito da economia circular, estimamos que 80% de todo o plástico utilizado no look of the games (ambientação visual dos jogos) seja reutilizado. E, por fim, a conservação da biodiversidade, da fauna e da flora do país”, elenca Bacot. Ele ressalta que os gatos selvagens do Chaco Tito e Tika são os mascotes dos Jogos Pan-Americanos Júnior Assunção-2025 por representarem animais em risco de extinção.

Acessibilidade na cidade é desafio para candidatura 2031

Sobre a candidatura de Assunção para os Jogos Pan-Americanos de 2031, Alejandro Bacot acredita que o trabalho é complementar. Segundo ele, o Comitê Organizador de Assunção-2025 “buscou fazer que esse evento seja espetacular e demonstrar às Américas que Paraguai pode”. “Paraguay puede” é praticamente um lema nacional e dos Jogos, inclusive mencionado várias vezes nas Cerimônias de Abertura e Encerramento.

A reportagem do Olimpíada Todo Dia observou muitas áreas do Comitê Olímpico Paraguaio (COP) em Luque, e da Secretaria Nacional de Esportes (SND), em Assunção, ainda em construção, com caminhos de terra batida, e praticamente não viu nenhum espectador de cadeira de rodas nas duas semanas em Assunção e Luque. No entanto, Bacot garantiu que “os espaços esportivos estão aptos para receber atletas com deficiência”. “Estamos convencidos que, se Paraguai ganhar, será uma transformação total da cidade”, concluiu ele, mencionando que será uma boa oportunidade para a cidade de Assunção buscar ser mais acessível para pessoas com dificuldade de mobilidade.

Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.

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