De Assunção – A maioria dos atletas, e até muitos outros profissionais do esporte, costuma pensar em ciclos olímpicos para seus projetos. Com Henrique Marques, atleta olímpico de Paris-2024, não é diferente. Mas, talvez, seja possível pensarmos em um “ciclo de Assunção” para o atleta do taekwondo. Três anos depois de ganhar a prata nos Jogos Sul-Americanos Assunção-2022, ele voltou ao Paraguai e conquistou dois ouros nos Jogos Pan-Americanos Júnior Assunção-2025, coroando um período com muitos desafios pessoais.
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A carreira de Henrique Marques despontou em 2022, ano em que foi o porta-bandeira do Brasil nos Jogos Sul-Americanos Juvenis em Rosário, Argentina. Ele era um dos favoritos para os Jogos Pan-Americanos Santiago-2023, mas precisou interromper a carreira após descobrir uma arritmia cardíaca. “Meu coração batia 33 mil vezes errado num dia. Agradeço à CBTKD, Time Brasil, pelo apoio que eles me deram. Fiz vários exames e tive a chance de operar antes de acontecer algo muito pior”, contou o atleta para a imprensa após sua campanha irretocável no torneio individual, no sábado (16). No dia seguinte, ele conquistou o ouro no torneio por equipes, ao lado de Guilherme Morais e Camilly Gosch.
Ciclo Olímpico de Paris-2024 foi marcado por superação
Já recuperado, ele conquistou a vaga para os Jogos Olímpicos Paris-2024, onde fez um ótimo torneio. Venceu o jordaniano Saleh Al-Sharabaty, prata em Tóquio-2020, e caiu numa luta muito disputada contra Seo Geon-woo. O confronto de quartas de finais terminou com empate em ambos os rounds, mas sempre com vantagem do sul-coreano, em critérios de desempate. O gostinho da medalha pode ter ficado, mas a sensação que segue com ele é totalmente positiva.
“Eu acho que a Olimpíada é o sonho de qualquer pessoa. Então, já estar lá para mim era algo muito grande, ainda mais pelas coisas que eu tinha passado: pela arritmia, pelo joelho que eu tive que operar, enfim, quem estava perto acompanhou. Perdi o meu pai no meio da preparação, foi algo muito difícil, mas acredito que toda essa superação está me fazendo mais forte a cada dia. Então, acho que depois de ter perdido nas Olimpíadas, mas estar de cabeça erguida, isso vale muito a pena”, comentou o fluminense de Itaboraí, um dos mais disputados pelos jornalistas em Assunção-2025.
A cabeça de Henrique já está em Los Angeles-2028, que começa em menos de três anos. Antes disso, ele ainda tem alguns desafios importantes, como o Mundial em Wuxi, na China, em outubro, e os Jogos Pan-Americanos de Lima-2027, no qual já tem vaga garantida. “Fico alguns dias em casa, e vou para a China disputar o Grand Prix. Da China, eu vou direto para o Peru. A gente está nessa correria aí para conseguir mais ouro, mais pontos e a classificação para os Jogos Olímpicos”, completou o campeão pan-americano júnior.