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Maratona Aquática

“Vou renascer!” Poliana fala sobre aposentadoria e filhos

Após 20 anos de Seleção Brasileira e três Olimpíadas na maratona aquática, Poliana Okimoto anuncia aposentadoria, mas já fala em dois grandes sonhos

Poliana Okimoto fez história na maratona aquática! Pioneira, participou de três Olimpíadas na modalidade, coroadas com o bronze na edição do Rio de Janeiro em 2016. Aos 34 anos, a nadadora oficializa na manhã da próxima segunda-feira (04), no UniSanta, sua aposentadoria. Confira o vídeo!

“Quando eu coloquei na balança o meu lado pessoal e o meu lado profissional, o lado pessoal pesou bastante. O lado profissional eu sou muito realizada, eu estou me sentindo muito plena. Eu conquistei tudo que eu queria no esporte e até mais do que eu imaginava. Já o lado pessoal não, eu ainda quero ser mãe, quero construir uma família, quero dar um  pouco mais de atenção para minha família e eu acho também que a falta de estrutura que eu tive no começo desse ano me desmotivou bastante”, contou em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia.

A vontade de disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 existiu, mesmo sabendo que era necessário pensar um ano de cada vez e tendo a certeza que a pressão e a vontade seriam muito maior. “Eu sei que o preço para uma medalha olímpica é um preço muito alto. E de repente sem toda a estrutura que eu preciso… Eu não estou disposta a pagar todo esse preço sozinha.”

No último ciclo olímpico, Poliana tinha uma equipe multidisciplinar, que teve que ser reduzida ao máximo devido a queda de patrocínios da atleta. “Isso acabou atrapalhando os meus treinos. Não treinando bem, não competi bem e dessa forma a motivação também não vem junto. Então tudo isso pesou muito, mas principalmente o lado pessoal, eu acho. Eu estou com 34 anos e o relógio biológico da mulher vai fazendo tic tac. E eu tenho muita vontade de ser mãe. Eu e o Ricardo (Cintra – marido e treindador) estamos casados há mais de 10 anos, então é uma vontade que a gente tem há muito tempo. Talvez se os papéis fossem inversos, se o Ricardo fosse o nadador e eu fosse a técnica a gente já teria mais de um filho já,” diz.

Com 20 anos de Seleção Brasileira, a nadadora sempre teve uma rotina árdua e sem férias, mesmo quando pensa em ter filhos, não estipula a data. Sabe que quer logo, mas pretende viver um pouco “sem planos”. Nesses primeiros meses quer fazer o que tiver na telha, viajar e depois pensar em futuro. A aposentadoria veio pensando também na família, que não escondeu a felicidade com a escolha da atleta.

“Eles estão amando. Minha mãe não via a hora que eu parasse de nadar logo. Ela quer ter neto também. É uma pressão em casa, eu tenho um irmão mais velho, que também tá nessa de ‘engravidar’ ainda. Então meus pais estão carentes de neto. Vai ser bom porque vai estar cheio de priminho pra brincar junto”

O papo materno, no entanto, ainda é futuro. Os compromissos em 2017 ainda existem. Poliana Okimoto disputa os 800, no próxima quarta-feira (06), e os 200 livre na quinta (07). Recebe homenagem na prova do Rei e Rainha do Mar no sábado (09), na edição amadora, e finaliza, oficialmente, a carreira disputando a prova do domingo (10).  

“Essa prova vai ser bem emblemática para mim, porque é uma prova que traz muitas recordações. Foi em Copacabana que eu comecei a fazer maratona aquática, foi minha primeira prova… Os jogos pan-americanos que foi um campeonato inesquecível para mim e, claro, a medalha olímpica. Eu acho que foi ali onde foi a coroação da minha carreira. Então o local não podia ser melhor para mim.”

Em março de 2018 começa um novo momento: o ‘pós carreira’. Ao lado do marido e treinador, Ricardo Cintra, fará a primeira travessia Poliana Okimoto. Uma clínica aberta ao público nos dias 16 e 17 e a competição extraoficial no dia 18, no Wet’n’Wild, em São Paulo, numa maratona indoor no lago. “Eu estou participando da organização da prova e está sendo muito gostoso para mim, porque eu sempre vi muitas coisas erradas em várias provas e quero fazer certo. É como se fosse um curso de maratonas aquáticas”.

Poliana Okimoto deixa um legado. Abriu portas para a nova geração de atletas, trouxe visibilidade para a modalidade com as conquistas. Cresceu junto com a maratona aquática durante 10 anos, já que esteve na primeira edição olímpica. Questionada se a ficha caiu… Poliana respira fundo e garante: “É uma coisa que eu venho pensando, já há um tempo, mas eu acho que vai ser uma outra Poliana, sabe? Eu acho que eu vou renascer. Porque a minha vida inteira eu fiz isso. As pessoas acham que eu me aposentando eu vou sair do cenário. Na verdade não, porque eu gosto muito do que eu faço. Eu vou continuar treinando, eu tenho certeza que eu não vou conseguir sair da água. Eu vou estar no cenário, eu vou estar na natação. Eu vou estar na maratona aquática. (…) Meu grande sonho é ser mãe e o outro sonho é melhorar a modalidade fora da água agora. Eu acho que eu cumpri a minha missão dentro da água, abri portas, mostrei o que é a maratona aquática para o Brasil, agora eu quero melhorar um pouco fora da água. Vamos ver como vai ser isso.”

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