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Wrestling do Piauí fortalece base e se destaca na modalidade

Rodrigo Damasceno, professor e presidente da federação, é o responsável pela ascensão da modalidade. Ele quer conquistar patrocínio e o tapete olímpico.

wrestling piauiense
Foto: Divulgação/CBW

O Wrestling piauiense tem se destacado no cenário internacional apesar de sua curta história. Desde dezembro de 2021, o estado já conquistou quatro medalhas em brasileiros de base e marcou presença em um Brasileiro Sênior. 

Os bons resultados e a ascensão, se deve a um importante personagem: o professor e presidente da federação local, Rodrigo Damasceno. Aos 29 anos, ele é faixa preta, professor de jiu-jitsu e conheceu o Wrestling  em 2015, mas desde então, se especializou na modalidade e se aprofundou para dar um novo rumo para o wrestling no Piauí. 

Inter se classifica à semifinal do Brasileiro sub-20 feminino

Desde que assumiu o cargo de líder da federação local, o wrestling regional só tem crescido. No final do ano passado, o estado garantiu suas duas primeiras medalhas em competições nacionais, ambas de bronze, com Marcos Felipe, no Campeonato Brasileiro Cadete, e Ruan Carlos, na categoria Infantil. Neste ano, Maria Eduarda Custódio trouxe mais uma conquista, ela conseguiu o bronze no Brasileiro Sub-17, enquanto Fabiana Helen faturou a prata no Brasileiro Sub-20. 

Foto: Instagram/@rodriguinhopsi

Perfil do atletas

Assim como a modalidade é nova no estado, o mesmo acontece com os competidores, todos são muito jovens, sendo a mais velha, Fabiana, de 19 anos. A maioria foi recrutada por Rodrigo e vieram de outra modalidade. 

“É uma estratégia que fazemos de trabalhar com a base. Quando você pega um atleta de outra modalidade que já tem um tempo maior, sendo até da categoria adulta, ele tem dificuldade ou uma certa resistência para adentrar em uma nova modalidade. Trabalhar com as categorias de base é uma estratégia muito mais viável”, explica o professor.

Apesar da alavancagem do wrestling no Piauí, a modalidade ainda se limita a poucos participantes, com cerca de 12 atletas por treino. Por conta disso, grande parte deles ainda se dividem entre o wrestling e o jiu-jitsu para haver uma carga maior de treino. 

Mas, a ideia do presidente é mudar esse cenário. Rodrigo quer que os atletas se dediquem exclusivamente à modalidade olímpica. “Eles ainda não estão totalmente no wrestling porque ainda não temos tantos treinos da modalidade, mas a ideia é que se projetem e fiquem exclusivamente na modalidade, saindo do jiu-jitsu e buscando o processo de profissionalização”.

Falta de apoio local 

No começo deste ano, o Piauí teve representantes no Campeonato Brasileiro Sênior pela primeira vez. Rodrigo passou por dificuldade para conseguir enviar Marcos Felipe e Fabiana Helen, além de Maria Eduarda Custódio, que competiu no sub-17, pois faltam auxílios privados ou estatais. Para não perder o torneio o professor tirou dinheiro do próprio bolso para mandar os atletas para São José dos Campos, onde aconteceu o torneio. 

“Foi uma situação bem complicada. Ficamos na mão, pedimos ajuda do poder público e chegamos na semana da viagem e não obtivemos nenhuma resposta. Tive que tirar do bolso as passagens. Eles foram e voltaram de ônibus, mas deu tudo certo também porque a CBW nos ajudou”, explica Rodrigo, que acabou não indo com a equipe por conta dos elevados custos.

Após a disputa do Brasileiro Sênior, um primeiro tipo de parceria foi firmada entre a federação com empresas privadas. Fabiana Helen agora representa a Faculdade Estácio de Teresina, onde Rodrigo leciona no curso de Psicologia. “A instituição privada estimula falando dela (Fabiana), projetando a atleta para o cenário esportivo local e gradativamente nacional. A ideia é que se ‘plante a sementinha’ para que venham novos praticantes”, revela. 

Esse é o único apoio que a Federação Piauiense de Wrestling recebe. Rodrigo tem alguns objetivos para 2022. Um deles é conseguir investimentos para a modalidade, o outro é ter um tapete olímpico no estado.

 “O objetivo principal é fomentar o esporte a nível estadual, saber que temos um material humano de qualidade que precisa ser lapidado. Gradativamente, ter outros profissionais e formar outros instrutores. Quando nosso tapete olímpico chegar, isso vai nos ajudar. Na medida em que tiver instrutores, fomentar a modalidade em outros locais. O foco é sempre em projetos sociais, onde existam essas vulnerabilidades, tentando fazer um trabalho de escola”, comenta Rodrigo, que sonha com um atleta piauiense na seleção brasileira de wrestling.

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