Siga o OTD

Atletismo

Em grande fase, Brasil pode sair zerado da Olimpíada

Divulgação

Em grande fase, Brasil pode sair zerado da Olimpíada

Faltando menos de dois anos para a Olimpíada, atletismo caminha para chegar na Olimpíada com muitas chances de medalha, mas nenhuma delas como favorito absoluto

O atletismo brasileiro vive, ao mesmo tempo, a melhor fase da história, com pelo menos dez atletas em condições de brigar por medalhas nas grandes competições, e o temor de sair de um Campeonato Mundial ou Olimpíada sem nenhuma medalha. É estranho dizer, simultaneamente, muitos brasileiros têm chances de medalha nas maiores competições, mas nenhum seria favorito absoluto ao pódio (como são os casos de Isaquias Queiroz, da canoagem, revezamento 4x100m da natação, as duplas do vôlei de praia nacionais e Mayra Aguiar, do judô, por exemplo).

O Brasil tem o atual campeão olímpico do salto com vara, Thiago Braz, o atual vice-campeão mundial indoor do salto triplo, Almir Cunha, e o medalhista de bronze na marcha atlética, Caio Bonfim. Mas, apesar do talento deste trio, nenhum deles seria favorito absoluto ao pódio se a Olimpíada fosse hoje.

A Confederação Brasileira viveu, e ainda vive, uma crise política, que culminou com o afastamento de Toninho Fernandes, presidente da entidade até o início deste ano. Paralelo a isso, atletas nacionais têm batido recordes nas provas de velocidade, meio-fundo, marcha atlética, saltos e arremessos.

Andressa Morais, finalista do Mundial do ano passado no lançamento do disco, está em um 2018 muito bom, muito regular na casa dos 64 metros. Vai disputar a última etapa da Diamond League, talvez a principal competição da temporada. Vai competir contra as melhores do mundo, e com chances reais de medalha.

Darlan Romani está em uma regularidade incrível esse ano, fazendo marcas próximas aos 22 metros em quase todas as competições no arremesso do peso. Brigaria por medalha se a Olimpíada fosse hoje, mas é outro que não chegaria como favorito absoluto ao pódio, mas sim no bloco dos seis maiores candidatos. Na quinta-feira, disputa a Diamond League de Zurique, a etapa final da temporada para o peso.

Thiago Braz não faz uma grande temporada, mas é um campeão olímpico. Não está nem entre os dez primeiros colocados do ranking deste ano, mas que pode duvidar dele, que foi ouro na Olimpíada do Rio? Disputa, nesta sexta-feira, a etapa final da Diamond League.

Na velocidade, o Brasil teve quatro atletas abaixo dos 10s15 neste ano nos 100m rasos, marca inédita, que pode levar o revezamento a voltar a brigar por medalhas. No feminino, Rosângela Santos foi finalista no Mundial do ano passado nos 100m, e tem uma atleta jovem, Vitória Rosa, na sua cola e com muito destaque este ano.

Ainda nas provas rápidas, Gabriel Constantino conseguiu ótimas marcas nos 110m com barreiras. Fez um 13s23 que lhe daria uma medalha olímpica nos Jogos do Rio, por exemplo. Briga por medalhas? Sim. Seria favorito em uma Olimpíada? Ainda não.

No meio-fundo e fundo, dois nomes se destacam: Thiago André, finalista dos 800m do Mundial do ano passado, que ainda não sabe ao certo se sua especialidade está nos 800m ou 1500m, mas a verdade é que pode ser top 10 em qualquer evento. Outro nome é Altobeli Santos, dos 3000m com obstáculos, que ainda está um pouco longe das medalhas, mas tem marcas para ser finalista com sobras.

A marcha atlética viveu, nos últimos anos, os maiores resultados da história. Caio Bonfim foi bronze no Mundial do ano passado e Erica Sena vem entre as oito melhores há quatro anos. Dois nomes que vão brigar por medalhas em 2019 e 2020.

No salto triplo, Almir Cunha foi medalha de prata no Mundial Indoor deste ano, fez uma temporada muito boa, mas se contundiu nos últimos meses. É um atleta que briga por medalhas em qualquer competição que entra. Nubia Soares bateu recentemente o recorde brasileiro do salto triplo, tem crescido muito, com marcas que a colocam na briga pelo pódio nos grandes eventos.

Geisa Arcanjo, finalista das últimas duas Olimpíadas e do Mundial do ano passado no arremesso do peso, Wagner “Montanha”, finalista olímpico no martelo, e Fernanda Borges, no lançamento do disco, têm conseguido marcas importantes também, para brigar por finais nas maiores competições.

Enfim, é muito possível, para não dizer provável, que o atletismo brasileiro bata o recorde de finais no Campeonato Mundial de 2019 e na Olimpíada de 2020. Agora, se vai sair medalha ou não, é outros discussão. Neste momento, o Brasil não tem nenhum favorito, mas inúmeros candidatos.

Mais em Atletismo