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Zé Roberto admite que é possível ter jogadoras naturalizadas na Seleção

Por Paulo Chacon

A partir do fatídico 16 de agosto de 2016, depois que Zhu fechou o quinto set e o jogo com vitória da China sobre o Brasil pelas quartas-de-final da Olimpíada de 2016, muito foi noticiado sobre o fim da geração que foi, para muitos, a melhor da história do país com dois ouros olímpicos, e sobre a reformulação que teria que ocorrer na Seleção Brasileira de vôlei feminino, já que nove das 12 jogadoras que jogaram a Rio 2016 terão pelo menos 34 anos em 2020. Em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia, o técnico José Roberto Guimarães pede calma, diz que o time vai precisar de tempo, jogo e intercâmbio para chegar bem a Tóquio e pela primeira vez admitiu que as portas da Seleção estão abertas para estrangeiras que se naturalizarem.

“Acho que é sempre aquela coisa, que a geração que está vindo não é tão boa quanto a que estava. No feminino, você vai me dizer, que vai haver uma troca e pode ser complicado, pode ser, mas vamos dar tempo pra ver o que vai acontecer nesse futuro, quando a gente colocar. Essa geração já vem jogando há algum tempo, ela não vai ser colocada agora, nesse momento e vai mudar tudo. Nesses últimos quatro anos, a gente foi com um time para o Pan-americano e outro pro Grand Prix, participamos com 30, 35 jogadoras. A gente já está procurando fazer essa troca há algum tempo, podemos sofrer um pouco mais ou um pouco menos, tem jogadora querendo se naturalizar, vindo de outros países, muita coisa pode acontecer antes da gente começar a falar, vamos dar tempo ao tempo”, afirmou o treinador.

A geração que chega para substituir as bicampeãs olímpicas tem bons resultados. Em 2015, o Brasil foi campeão mundial Sub-23 com Rosamaria, Juliana Paes, Valquiria, Priscila Heldes e Gabriela, jogadoras que hoje integram os times da Superliga e no último ciclo olímpico foram colocadas aos poucos na seleção adulta, já visando essa transição. Além disso, algumas jogadoras como Tandara, Roberta, Monique e Carol, que não estiveram na Olimpíada do Rio, em outros momentos já vestiram a camisa da Seleção Brasileira. Isso sem contar com a possível naturalização de outras jogadoras, como a da americana Hooker, que sem espaço na seleção americana, não descartaria trocar de nacionalidade. Vale lembrar que esse procedimento não é simples. Segundo as regras da Federação Intrenacional de Vôlei, o processo de naturalização dura, no mínimo, dois anos.

Para efeito de comparação, a situação vivida hoje pelo vôlei feminino do Brasil, é bem parecida com a que ocorreu após a Olímpiada de 2004 em Atenas. Na época, para a olimpíada de Pequim 2008, permaneceram do grupo de 2004, somente Fofão, Mari, Walewska e Valeskinha e a elas foi somada uma nova geração com Paula Pequeno, Sheilla, Jaqueline, Fabi, Fabiana, que conseguiram a conquista do primeiro ouro da história para o país.

“Acredito que haja uma semelhança com 2004, na época, existia uma geração vindo muito forte, com a base de Paula Pequeno, Sheilla, Jaqueline, que se parece um pouco com a situação atual; e tem algumas jogadoras que eu tenho acompanhado, talvez um pouco mais tardias, mas uma geração alta, uma geração interessante e que em um futuro, vai acontecer. Não estão prontas para agora, já, tem que jogar os mundiais, mas eu acho que tem talento, são coisas boas, temos que trabalhar”, completou Zé Roberto sobre o assunto.

+ Assista à integra da entrevista exclusiva de José Roberto Guimarães ao Olimpíada Todo Dia. O treinador fala de reformulação no vôlei feminino do Brasil a partir de 28:35

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