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No primeiro saque, Lucarelli já pressentiu: “Hoje é nosso!”



Com a confiança para forçar o saque desde o primeiro ponto, o capitão da seleção, Lucarelli, foi a personificação da estratégia bem sucedida



Na imagem, o capitão Lucarelli aplicando um de seus potentes saques.
O capitão Lucarelli aplicando um de seus potentes saques. Foto: Maurício Val/ Dhavid Normando/ CBV

Um final feliz para a Seleção masculina de vôlei veio neste domingo (20) pela manhã, ao derrotar a Argentina na decisão do Sul-Americano. Assim, a vaga olímpica veio com grande participação dos principais nomes do elenco. Entre eles, o capitão Lucarelli, mais experiente da geração e que foi um dos símbolos da estratégia de forçar o saque. Agora, o atleta quer se preparar bem nesses dois anos para chegar no melhor de sua forma para a última edição de Jogos Olímpicos de sua carreira.

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Na entrevista após a partida, Lucarelli expressou todo o seu contentamento com o dever cumprido. “Feliz demais, ainda mais por poder mostrar a capacidade de nossa equipe. Sempre treinamos demais, trabalhamos muito, nós merecíamos isso, nos dedicamos muito depois da VNL para esse momento. Disse que levaríamos todas as partidas com seriedade para chegarmos prontos para fazer uma grande partida hoje. Conseguimos mostrar isso. O saque era importante, também executamos para quebrar a recepção deles e fazer o nosso jogo mais simples e foi o que aconteceu”.

Um míssil nas mãos

O ponteiro da seleção explicou a estratégia e a importância do fundamento inicial de um ponto para que o time tivesse sucesso na decisão. “Começar no saque sempre é complicado, principalmente para quem força. Quando acertei o primeiro com força, pensei ‘hoje é nosso, vamos para cima’. Com certeza dá uma confiança. Na disputa do cara ou coroa, eu comentei que nós iríamos começar sacando, nosso estatístico falou: ‘então você começa no saque’. Já fui preparado e aquecido para fazer o melhor, deu certo e até o fim do jogo todo mundo conseguiu sacar muito bem”.

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Lucarelli também acrescentou que o estado de atenção que todos entraram foi fundamental para a fluidez do jogo e a retomada do trono no continente. “Ao contrário dos outros jogos, hoje começamos no 220, defendendo, bloqueando, todo mundo sacando muito bem, o ataque muito forte. Entrar em um jogo decisivo, contra a Argentina, já dá essa carga maior. Foi positivo, entramos muito atentos a tudo”.

Altos e baixos de grandes seleções

Além disso, Lucarelli trouxe uma reflexão sobre a baixa que a seleção teve nos últimos anos, com atuações que não eram as esperadas nos campeonatos importantes. O ponteio e capitão avalia como natural dentro do processo ao longo de muitos ciclos entre os melhores do mundo.

“Vários países passaram por esse momento. A Itália, em certo momento, ganhava tudo na década de 90, continuou em alto nível, mas não chegava em finais. Voltou agora e sempre está chegando. A Polônia teve um momento bom, depois não tinha mais títulos e foi outra que voltou. São ciclos, é algo normal, o voleibol mundial tem melhorado muito, no Europeu mesmo, algumas surpresas, países que têm menos expressão ganhando partidas, fazendo jogo duro perante equipes renomadas. Parece papo de futebol que não tem mais time bobo, mas é verdade, muitos jogadores de países diferentes que jogam nas melhores ligas do mundo. Então, tivemos a humildade de entender que precisávamos melhorar. Treinamos bastante, nos esforçamos e nos sacrificamos e hoje veio o resultado”, comemorou Lucarelli.

“Aprendemos com nossos erros, que até nem acredito que sejam erros mesmo, eram questões técnicas e táticas que, desde o começo, poderíamos ser mais efetivos. É um conjunto de coisas que vamos aprendendo, esses momentos negativos servem para tirar algumas lições”, completou.

Última dança

Lucarelli já está com a Seleção principal desde 2012 e o título olímpico, em casa, na Rio-2016, foi o auge de suas conquistas, inclusive como melhor ponteiro da competição. Atualmente com 34 anos, vai chegar em Los Angeles com 36 e já decretou que será sua última edição. E, para isso, quer mostrar seu melhor jogo. “Vou me esforçar muito nesses dois anos para estar entre os 12, será minha última. Estou aqui há muito tempo, mas eu quero tentar bastante ir para essa Olimpíada, vou fazer o meu melhor para estar bem física e tecnicamente. Amo estar aqui, porém fazer uma despedida, sei que minha hora está chegando, espero fechar com chave de ouro em Los Angeles”.

O ponteiro explicou que a chegada da vaga com antecedência é importante para o planejamento da equipe tanto com a linha principal do trabalho, como com as alternativas. “Dá uma tranquilidade maior para todo o trabalho. Dá tranquilidade para comissão técnica, para outros jogadores atuarem, para criar novas táticas, poder viajar sem o peso de ainda buscar uma classificação. Sempre vamos querer entrar para ganhar qualquer campeonato, VNL, Mundial do ano que vem, VNL de novo e Olimpíada. Onde entrarmos, vamos querer ganhar”.

*Com entrevistas no local de Rafael Zito

Jornalista formado em 2013, mas que atuo desde 2008, quando ingressei na Universidade P. Mackenzie, Trabalhei por seis anos no Diário Lance!, passei por Punteiro Izquierdo, Surto Olímpico, Torcedores, Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, Liga Nacional de Basquete e N Sports. Entrei no OTD em Abril de 2023.

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