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Kisy amplia repertório e chega forte para ser titular da seleção brasileira



O Brasil busca há alguns anos uma referência ofensiva mais consistente na posição de oposta e, após temporada de destaque na Rússia, Kisy aparece com boas chances de assumir protagonismo na disputa com Rosamaria e Tainara



Kisy terminou como a maior pontuadora da Liga Russa na temporada 2025/26 (Foto: FIVB/Divulgação)
Kisy terminou como a maior pontuadora da Liga Russa na temporada 2025/26 (Foto: FIVB/Divulgação)

A Liga das Nações (VNL) 2026 de vôlei feminino começa nesta quarta-feira (3) para o Brasil, que enfrenta a Holanda, às 20h, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF). E o dia é de novidade também para o Olimpíada Todo Dia (OTD), com transmissão ao vivo no Youtube, sem imagens, com pré-jogo, reações e comentários durante a partida e repercussão após o encerramento do duelo. Sem a capitã Gabi, fora da lista de relacionadas desse primeiro confronto, Ana Cristina e Julia Bergmann devem formar a dupla de ponteiras titulares. Com isso, quem deve ser a titular na posição de oposta: Kisy, Tainara ou Rosamaria?

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Cenário atual e comparação com rivais

Se existe uma posição que provoca debates intensos na seleção brasileira, é a de oposta. Enquanto o Brasil vive um momento privilegiado em setores como centrais, líberos e até ponteiras, a equipe segue procurando uma jogadora capaz de assumir de forma constante o protagonismo ofensivo que outras potências encontram com naturalidade, principalmente Itália, com Paola Egonu e Ekaterina Antropova, e Turquia, com Melissa Vargas. É por isso que a disputa entre Kisy, Rosamaria e Tainara chama tanta atenção neste início de VNL.

Na prática, o Brasil sofre nesta posição desde a saída da bicampeã olímpica Sheilla. Ela conquistou os ouros em Pequim-2008 e Londres-2012, disputou a Rio-2016 e chegou a tentar uma vaga em Tóquio-2020 na reta final, mas acabou não indo. Desde então, Tandara chegou a ocupar a posição, formando a dupla na Olimpíada japonesa com Rosamaria. Depois disso, Rosamaria foi quem mais correspondeu e atuou como titular com mais efetividade. Jogadora com inúmeras virtudes e importante para o grupo, Rosamaria também pode jogar como ponteira por sua versatilidade e qualidade.

Opções para estreia da VNL

Nos últimos anos, o Brasil frequentemente precisou recorrer às ponteiras para resolver jogos. Gabi, Ana Cristina e Julia Bergmann acumularam enorme responsabilidade ofensiva, especialmente nos momentos de contra-ataque. Não por acaso, muitas vezes as principais pontuadoras da seleção brasileira foram atletas da entrada de rede, algo que nem sempre acontece nas principais seleções do mundo. A comparação com a Itália é inevitável. O time europeu, atual campeão olímpico, mundial e da VNL, conta com nomes como Egonu e Antropova para transformar bolas difíceis em pontos.

Já o Brasil ainda procura uma definição mais clara para a posição. Rosamaria assumiu esse papel em diversos momentos recentes e foi a escolhida pelo técnico José Roberto Guimarães nas fases decisivas da VNL e do Mundial de 2025. Ainda assim, permanece a sensação de que a seleção brasileira precisa e pode encontrar uma produção ofensiva ainda maior na posição. Para o duelo de estreia contra a Holanda, o técnico relacionou Rosamaria, Tainara e Kisy, com opções também de Helena e Ana Cristina, já que as duas últimas e a primeira delas estão sendo definidas pela comissão técnica como opostas e ponteiras.

Kisy chega forte após sucesso na Rússia

Rosamaria chega respaldada pela experiência e pela regularidade. A catarinense de 32 anos foi a sexta maior pontuadora da Liga Japonesa 2025/26, com 805 pontos em 44 partidas, média de 18,29 por jogo. Além dos números, ela oferece versatilidade, estabilidade emocional e histórico importante com a camisa da seleção brasileira. Por isso, larga naturalmente como uma das favoritas. Tainara também apresenta argumentos relevantes. Em sua primeira temporada pelo Sesc Flamengo, terminou a Superliga como a quarta em acertos da competição, somando 403 pontos em 27 jogos, média de 14,92 por partida.

Dona de um perfil explosivo em quadra e de grande capacidade física, Tainara frequentemente muda o ritmo dos jogos quando encontra sequência ofensiva, mas talvez seja a que mais oscila entre as três. Mas, se a escolha fosse minha neste começo de temporada, a aposta seria Kisy. A oposta viveu uma temporada marcante em sua carreira. Em sua primeira experiência internacional, ela liderou toda a Liga Russa em pontuação. Foram 561 pontos em 28 partidas, média superior a 20 pontos por jogo. Isso aconteceu mesmo ela defendendo um Lokomotiv Kaliningrado que caiu nas quartas de final.

Nenhuma outra jogadora da competição marcou mais pontos do que Kisy, que já renovou seu contrato com o clube russo. O dado ganha ainda mais relevância quando comparado a algumas das principais referências mundiais da posição. A brasileira terminou a temporada com média de pontuação superior à de Antropova na Liga Italiana (19,87) e próxima da registrada por Egonu (22,41). Além disso, teve uma atuação de 44 pontos contra o Odintsovo, vice-campeão russo, uma das melhores atuações individuais da temporada.

Kisy ampliou seu repertório?

Outro aspecto interessante é a evolução técnica apresentada na Rússia. Atuando em uma liga com características diferentes das encontradas no Brasil, Kisy passou a receber mais bolas altas e situações de definição em condições adversas, algo extremamente valioso para uma oposta. Anteriormente no Minas, a jogadora recebia, na maioria das vezes, bolas mais rápidas por preferência do então técnico italiano Nicola Negro. Além disso, ela também se sentiu mais à vontade com levantamentos mais velozes e se complicava com frequência nos passes mais empinados. Será que na Rússia o repertório aumentou?

“Eu estou com muita curiosidade pra ver duas jogadoras na seleção brasileira nessa temporada. Uma delas é uma aposta mais minha, pois gostaria muito de ver, até pela temporada dela no clube e por ser uma posição que a gente tem muita dificuldade recente, que é a Kisy. Ela foi muito bem na Rússia e, de alguma forma ou outra, começou a atacar mais bola alta, até porque na Rússia não se joga com tanta velocidade assim. Então, estou muito curioso para vê-la em quadra”, analisou Rafael Zito, jornalista do OTD, em participação na live do Canal Super Spike, no YouTube.

Isso não significa que Kisy deva ser considerada uma titular absoluta. A disputa com Rosamaria e Tainara parece uma das mais equilibradas da seleção brasileira para a VNL 2026. Mas, olhando exclusivamente para o desempenho apresentado na temporada de clubes, a oposta do Lokomotiv Kaliningrado chega, na minha visão, com os argumentos mais fortes para receber uma oportunidade maior. Se o Brasil deseja encontrar uma referência ofensiva capaz de dividir responsabilidades com Gabi, Ana Cristina e Julia Bergmann, talvez seja a hora de observar com atenção o que Kisy construiu na Rússia.

A cobertura da VNL 2026 no Olimpíada Todo Dia é feita em colaboração com a Volleyball World. Para assistir a todos os jogos da Liga das Nações ao vivo, acesse a VBTV pelo link subscribe.volleyballworld.com e use o cupom 10OLIMPIADA para garantir desconto na assinatura.

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