A final da Superliga 2025/26 de vôlei feminino entre Dentil Praia Clube e Gerdau Minas, neste domingo (3), no Ginásio do Ibirapuera, vai muito além de um clássico mineiro. Dentro de quadra, o confronto coloca frente a frente duas das melhores líberos do Brasil na atualidade: Natinha e Nyeme, companheiras de seleção brasileira na medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e referências na posição. Mais do que rivais, as duas carregam uma relação de respeito e admiração que ajuda a explicar o alto nível apresentado por ambas ao longo da temporada.
- Harimoto lidera Japão em retorno à final do Mundial de Tênis de Mesa após 10 anos
- Harimoto Miwa leva Japão à final contra a China no Mundial de Tênis de Mesa
- Arthur Nory leva primeiro ouro do Troféu Brasil de ginástica artística em Natal
- China atropela e chega à 29ª final do Mundial de Tênis de Mesa por Equipes
- Suíça vence na Espanha e Tota Magalhães fecha na 68º posição
+ SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK
Admiração mútua que eleva o nível
Em entrevistas ao Olimpíada Todo Dia (OTD), Natinha e Nyeme destacaram justamente esse vínculo como um dos motores para evolução dentro de quadra. Do lado do Praia Clube, a líbero não esconde o quanto observa e valoriza o jogo da adversária. “A gente se admira muito. São diferentes jogos, né, digo o meu e o dela, mas o dela é espetacular, é incrível, a gente se admira e dá força uma para outra. Acho que isso é o mais importante, uma vai botando a outra para cima, uma sobe bola, a outra não pode deixar cair, e aí a gente vai se motivando durante o jogo, isso é muito bacana, eu admiro muito”.
A resposta do outro lado vem no mesmo tom. Nyeme, do Minas, também faz questão de destacar as qualidades da rival e companheira de seleção. “A Natinha a gente se conhece muito bem, há muito tempo. Tinha falado disso dela em outra entrevista e é o que ela é. Ela é guerreira, ela não desiste. Ela é muito resiliente e eu fico muito feliz porque ela tá jogando muito bem. É sempre bom a gente ver as líberos que jogaram com a gente na seleção se dando bem, então fico feliz por ela”, comentou a defensora do time minastenista.
Caminhos diferentes, mesmo protagonismo
Apesar de estilos distintos, as duas chegam à decisão vivendo momentos marcantes na carreira. Natinha chega à final em alta, após uma temporada de retomada pessoal e profissional. A líbero do Praia Clube destacou a importância do momento vivido e o peso simbólico de disputar a decisão no Ibirapuera. Além disso, a defensora também ressaltou a evolução da equipe no momento decisivo da temporada e o crescimento após uma semifinal de Superliga desgastante diante do Sesc Flamengo, que deu ainda mais confiança ao grupo.
“Estou muito feliz, principalmente por jogar a final aqui no Ibirapuera, um lugar muito importante para mim. Me senti muito sensível entrando aqui, porque com 9 anos de idade, mais ou menos, assisti jogos da seleção aqui. Então, criança, muito novinha, e vai ser minha primeira final jogando no Ibirapuera. Me sinto no meu auge, posso dizer, fisicamente e profissionalmente. Então a gente chega para essa final com espírito muito gostoso, a equipe cresceu num momento importante da temporada e a semifinal nos deu ainda mais gás. Estar nessa final nos deixa muito felizes e o time está bem confiante”, disse Natinha.
Já Nyeme vive um retorno de impacto. Após período afastada pela maternidade, ela retomou o posto de titular do Minas e rapidamente voltou a figurar entre os principais nomes da posição, inclusive liderando estatísticas de passe com 76,6% de eficiência. “No início eu fiquei receosa e me questionei se conseguiria voltar a jogar no nível que parei, mas sempre acreditei no trabalho do dia a dia, então, não parava de treinar incansavelmente e com repetição. Tenho conseguido ajudar a equipe e fazer minha função muito bem. Fico muito feliz por isso”, comentou a defensora.
Final começa zerada
Na temporada 2025/26, o Minas leva ampla vantagem com vitórias em todos os confrontos. Na decisão do Campeonato Mineiro e nos dois jogos dos turnos da Superliga, a equipe minastenista venceu sem perder set. Já na semifinal da Copa Brasil, Nyeme e suas companheiras venceram por 3 a 1. Apesar do retrospecto recente favorável, a líbero faz questão de minimizar qualquer vantagem. Para ela, a decisão é um novo campeonato, completamente diferente do que foi apresentado anteriormente, e o jogo começa do zero.
“Isso não existe (retrospecto favorável). O que passou, passou. Agora a final é completamente diferente, é outro campeonato, então a gente vai entrar aqui para jogar e está zero a zero. Ninguém ganhou nada ainda. Agora é o jogo mais importante, quem ganhar esse é que vale”, afirmou Nyeme. Do lado do Praia, Natinha segue a mesma linha. A defensora reforça que os resultados passados não entram em quadra e que o foco está totalmente na final. Segundo ela, o momento exige leveza, confiança e capacidade de lidar com a pressão, já que finais têm dinâmica completamente diferente da fase classificatória.
“Acho que o que ficou para trás não conta. Os resultados estão lá do passado, ficaram para trás, não está mais na nossa cabeça. É tirar todo esse peso que tem porque a gente sabe que jogar uma final é diferente, não é como a fase classificatória. E tenho certeza que o time está preparado e que vamos fazer um belíssimo jogo”, opinou a confiante Natinha.
Natinha com seleção no radar
Se o ataque costuma chamar atenção, o duelo entre Natinha e Nyeme reforça que títulos também passam pela defesa. As duas são responsáveis por dar equilíbrio e sustentação às suas equipes, muitas vezes decidindo pontos invisíveis para quem olha apenas a estatística básica. Mais do que números, o confronto entre as líberos representa leitura de jogo, posicionamento, liderança silenciosa e capacidade de manter o time vivo nos momentos mais críticos. O duelo Praia e Minas terá muitos elementos decisivos, mas poucos tão simbólicos quanto o encontro entre duas atletas de excelência.
No tema seleção brasileira, Natinha revela vontade de regressar. “Claro que é uma possibilidade e quero estar na seleção de novo. Passei por um momento delicado da minha vida (em 2025), que precisei dar uma pausa. Sempre tive na minha cabeça: se não consigo estar 100% em um lugar, é melhor não estar Acredito que eu não ia render o que a seleção precisava naquele momento. Então, decidi me resguardar e me reerguer, primeiro, para estar bem. E consegui isso. Nessa temporada, eu consegui mentalmente e fisicamente me recuperar, estar bem”, relatou a defensora do Praia.
Nyeme e as babás de Antonella
Após a medalha de bronze em Paris-2024, Nyeme optou por pausar a carreira para ser mãe. Ela engravidou e, há exato um ano, no dia 2 de maior de 2025, Antonella nasceu. Pouco depois, a líbero assinou novo contrato com o Minas e voltou a jogar no clube que estava antes. Em novembro do ano passado, a defensora realizou sua primeira partida como titular desde o regresso. Nesta semana, já no Ginásio do Ibirapuera em preparação para a final contra o Praia, a filha dela apareceu em um dos treinos caminhando pelo local com a ponteira Pri Daroit, uma das babás entre as 13 companheiras de time.
“A Pri é a primeira da lista sempre. Ela ama a Antonella. Ela ama cuidar dela. E fico muito feliz por esse carinho. Eu fico radiante de felicidade com a estrutura dada pelo Minas porque não são todos os times que fazem isso, que acreditam que a gente pode ter filho e voltar a jogar em alto nível. Então, ter essa estrutura que o Minas me proporcionou pode fazer com que outros clubes abram as portas para atletas que querem ser mãe e atleta ao mesmo tempo, porque não vai atrapalhar. Pelo contrário, a gente tem mais gás, mais energia, um motivo a mais pra fazer o que a gente ama, que é pelos nossos filhos. Então, que todos os clubes façam isso e acreditem que a gente pode fazer as duas coisas”, enfatizou Nyeme.
“Ela é a alegria do time. É uma disputa pra ver quem vai cuidar dela. Em todas as viagens, nos treinos, quando a Antonella chega, todo mundo pode estar cansado, o que for, mas todo mundo quer pegar, quer brincar, quer andar, quer correr com ela na quadra. E isso faz o time ficar mais unido, sabe? Ela é aquele mascotinho ali que une todo mundo. E tenho muitas babás, são 13 pelo menos. Então não dá muito trabalho”, finalizou a defensora do Minas.
Você deve estar logado para postar uma comentário Login