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“Nasceu uma outra Adenízia”, revela a atleta pós cirurgia

Central do Scandicci, da Itália, brasileira Adenízia fala sobre “pior desafio da vida” com a cirurgia do ombro, recuperação e casamentos. Assista e leia com exclusividade no Olimpíada Todo Dia!

“Meu Deus, é o pior desafio que eu tive na minha vida!” Quem vê a brasileira Adenízia sorridente e receptiva saindo da fisioterapia, não imagina as dores e o que a atleta tem passado nas últimas semanas. Jogando pelo Scandicci, da Itália, pela terceira temporada consecutiva, sentiu o ombro direito depois de duas bolas seguidas e não conseguia erguer o braço. Rompeu o ligamento e precisou operar. Com o pedido de dispensa da Seleção Brasileira, em 2019, a central vive, hoje, vida de gente normal, se recuperando da cirurgia e organizando os casamentos. Entenda o motivo de ter nascido uma ‘nova Adenízia’. Assista ao vídeo!

“Eu passei por um período muito difícil. Uma lesão que eu não… Eu nunca tive uma lesão nesse nível. Já quebrei osso, mão já quebrei as duas, mas mesmo assim você recupera muito rápido. A lesão que eu tive mais grave foram dois meses de recuperação. Esse ombro meio que me pegou de surpresa, porque eu nunca tive dor no ombro, de verdade assim. Sempre dor muscular, essas coisas… Então para mim foi bem difícil, porque eu não… Eu juro que eu me machuquei ali naquele momento, mas quando saiu o exame e você viu o tamanho da lesão, que era uma lesão grande. Que tinha 80% rompido do tendão. Aquilo pra mim foi meio impactante,” contou com exclusividade ao Olimpíada Todo Dia.

Muitas coisas passam na cabeça do atleta que se lesiona. O medo de não conseguir retornar em alto nível, principalmente. Depois de muito chorar, Adenízia passou por quatro médicos até, então, chegar ao diagnóstico da operação. Os 20% que restavam tendão do ombro não aguentariam o impacto: A lesão era para cirurgia. Daí em diante, a central contou com apoio de muitos amigos para entender o que seria necessário no momento.

“Eu fui lá embaixo, eu fiquei muito mal. Mas depois eu fui encarando, fui tendo pessoas do meu lado. Pessoas importantes que me deram muita força, que me ajudaram muito. Falando que também já passaram por isso, que já houveram várias lesões no esporte. Os meninos do basquete, Leandrinho… Teve o Fernando, do futebol… Eles me deram um super apoio, falando que: ‘você vai passar por isso… Você vai tirar isso de letra. Você não precisa se preocupar, você vai voltar do mesmo nível’. Então a partir daquele momento eu fui pegando força.”

A central viu a cirurgia, viu como estava seu ombro por dentro, que era ainda ‘pior’ do que o diagnóstico. Desde então passou a encarar as coisas de uma outra forma: “Aí cada dia era um dia que eu ganhava um pouquinho mais. Um dia era um sacrifício pra mim, perdi todos os movimentos do ombro. Então foi pra mim uma coisa que eu juro que eu aprendi muito com isso, porque eu tive que depender das pessoas, eu tive que aprender a ter paciência. Queira ou não, atleta quer se movimentar, você quer fazer. E isso eu falo que nasceu uma outra Adenízia. Paciência e humildade para saber esperar o momento das pessoas poderem te ajudar. Isso pra mim foi fundamental.”

Agora a rotina é fisioterapia. A previsão de retorno para jogo é entre outubro e novembro. No entanto, o momento já permite começar a dar uma manchete, alguns poucos fundamentos. Nada em cima, ainda. “Rotina cansa. Então agora que eu fui liberada para dar uma manchetinha. Pra sair um pouquinho daqui (a atleta está fazendo fisioterapia no Insport, na capital paulista). Deu até um novo ânimo. Porque você fica aqui todos os dias, de manhã e a tarde, de manhã e a tarde, chegou uma hora que eu estava exausta. Eu falava… Gente, eu chegava em casa e olhava assim uma olheira. Eu tava com uma olheira gigante. Eu falava assim: ‘não tô conseguindo descansar fisicamente’. Eu estou cansada mentalmente. Porque eu vou pra fisioterapia já sabendo que eu vou sentir dor. Então aquilo você fala: ‘Meu Deus, é o pior desafio que eu tive na minha vida.”

Casamentos? Isso mesmo! Casamentos!

 

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Lá vem a noiva… #casamentoadeevitinho #casamentovieade #adenizia05 #wedding #matrimonio #love

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Mas levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, como diz a música! O clima, também, é cheio de amor. Adenízia se prepara para o casamento com o namorado Vitor. Serão duas comemorações: dia 26 no Brasil e, depois, na Itália. “Eu tenho dois casamentos. Eu estou organizando dois casamentos. E está uma loucura. A minha sorte é que eu tive minha sogra para me ajudar aqui no do Brasil. Mas o da Itália eu faço tem uma amiga lá que está me ajudando, mas eu fiz praticamente tudo sozinha. Então é uma coisa totalmente diferente. Organizar festa. Escolher tudo. Desde as flores, até o prato. O que você vai comer no dia. Então tem sido uma experiência boa. Gostosa, mas estressante.”

Se a meta do retorno às quadras será no final do ano, temos um prazo muito perto: o movimento para jogar o buquê: “Agora eu estou tendo que fazer força para jogar o meu buquê, porque ainda não consigo levantar o braço. Então todo dia quando eu chego, eu chego as vezes desanimada, eles falam: ‘bora, você tem que jogar o buquê, filha. Bora. Bora. Vamos lá. Força. Pra cima. Tem que jogar esse buquê com a mão direita ainda’.”

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