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Vitor Tavares, do parabadminton mira os Jogos Paralímpicos e o topo do mundo

Tóquio 2020

Após ascensão estratosférica, Vitor Tavares mira topo do mundo

Apenas quatro anos depois de começar no parabadminton, Vitor Tavares já é esperança de medalha paralímpica

Vitor Tavares é o quarto do ranking mundial (Foto: Washington Alves/EXEMPLUS/CPB)

Após ascensão estratosférica, Vitor Tavares mira topo do mundo

Vitor Tavares alimentava o sonho de ser atleta desde criança. Praticou diversas modalidades, mas foi no parabadminton que o curitibano realizou esse sonho. Aos 21 anos, ele é um dos melhores do mundo na categoria SS6, para atletas com nanismo, mira o topo e quer medalhar nos Jogos Paralímpicos de Tóquio.

Ligado ao esporte desde os primeiros passos, Vitor Tavares, como a maioria dos brasileiros, iniciou no futebol e sonhava em atuar nos melhores clubes.

Depois passou para o mountain bike downhill e almejava disputar as maiores competições. Quando os principais centros da modalidade foram fechando no Paraná, recebeu um convite tentador de Vladimir Rodrigues. O professor viu o garoto, de 16 anos na época, andando pelos corredores do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo e o chamou para experimentar o badminton. Três meses depois, já tinha trocado de esporte e em pouco tempo começou a competir.

Evolução relâmpago

A ascensão foi meteórica. Vitor Tavares venceu o primeiro torneio a nível nacional que participou. O roteiro se repetiu na estreia internacional. Através do projeto Agitos, fruto de uma parceria entre a Federação Internacional de Badminton (BWF), o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) e Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o curitibano foi para o Peru e levantou mais um caneco. Com dois títulos em dois torneios, passou a enxergar a modalidade de forma diferente.

“Quando você começa a ter resultados, passa a olhar o esporte com olhos de profissão. A gente começou a se interessar mais, investir, se dedicar 100% a todos os treinos”, disse em entrevista ao Olimpíada Todo Dia, admitindo que até se surpreendeu com a rapidez de como tudo aconteceu, apesar de sempre sonhar em chegar ao topo em todos os esportes que praticou.

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“Achei que a ascensão foi muito rápida. Em dois anos, eu já estava em uma boa colocação no ranking mundial. Com isso, sempre que eu estava descansando pensava: ‘será que em um ano vou conseguir ser campeão pan-americano? Será que daqui dois anos vou conseguir ser campeão mundial? Será que vou me classificar para as Paralimpíadas?’ Eu ficava com isso, sempre me imaginando jogando torneios grandes, ganhando e por aí vai”.

O topo do mundo

Vitor Tavares, do parabadminton, quer o topo do mundo e os Jogos Paralímpicos
Vitor Tavares foi ouro no Parapan de Lima (Washington Alves/EXEMPLUS/CPB)

Alguns questionamentos já se tornaram realidade. Em 2018, Vitor Tavares foi campeão pan-americano e no ano seguinte conquistou a medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Lima.

Os resultados mais expressivos no cenário internacional, entretanto, vieram recentemente. No começo de 2020, ele foi campeão do Brazil Parabadminton International, batendo o inglês Jack Shephard, líder do ranking mundial, e o indiano Nagar Krishna, segundo do mundo. Na sequência, foi vice-campeão do Peru Parabadminton International, onde perdeu a final justamente para o atleta da Índia.

Como o ciclo paralímpico do parabadminton é de um ano e as competições realizadas no Peru e no Brasil foram uma das últimas, Vitor Tavares, aos 21 anos, quatro após começar a praticar o esporte, está praticamente garantido nos Jogos de Tóquio. Atualmente, ele é o quarto do ranking mundial.

Deste modo, o curitibano se dá direito de almejar voos altos. “O próximo grande evento são os Jogos Paralímpicos de Tóquio. Mas meus maiores sonhos agora, em questão de título, é ser campeão mundial e paralímpico, ou até ter uma medalha de Tóquio. E chegar no top 1 do mundo, se tornar o primeiro do mundo”, projetou.

Estreia nas Paralimpíadas

“É de perder o fôlego”. Vitor Tavares é nitidamente fascinado pelo parabadminton, principalmente pelos frenéticos rallys, e acredita que a modalidade tem muito a ganhar nos próximos anos. Isso porque ela vai estrear nos Jogos Paralímpicos justamente em Tóquio. No programa olímpico, por sua vez, está presente de Barcelona 1992.

“É um esporte rápido, que quando você pega a raquete para brincar, descobrir, sentir as sensações, começa a gostar. Agora entrando nos Jogos Paralímpicos, que é um dos maiores eventos do mundo, a gente vai ter uma visibilidade maior. E não só os atletas terão uma visibilidade maior, para caso alguém queira nos ajudar financeiramente, como a gente vai conseguir trazer mais participantes, o que também é necessário”, apontou.

O sonho de disputar as Paralimpíadas, entretanto, foi adiado, assim como as outras competições. Mais do que isso, Vitor Tavares está sentindo falta do parabadminton. Com a pandemia do coronavírus e o isolamento social, ele está sem ter contato com uma quadra há mais de um mês.

“O badminton é um esporte que muitas vezes precisa ter uma sensibilidade, porque existem várias formas de bater na peteca. Batendo de um jeito, ela vai cair próxima da rede, mais no fundo ou cortando, então é preciso ter sempre esse contato para não perder a sensibilidade. Você tendo esse contanto bem diminuído como está agora – estou jogando com a parede de casa ou com algum familiar – não é a mesma coisa, porque a proporção é diferente e não dá para realizar todos os golpes”, apontou.

Pausa na faculdade

O adiamento das Paralimpíadas e a pandemia do coronavírus também mudaram a programação pessoal de Vitor Tavares. Ele trancou a faculdade de Educação Física por conta do calendário de competições e planejava retomá-la após os Jogos, mas agora terá que esperar um pouco mais.

“Quando eu saía para participar de torneios, passava até uma semana e meia fora. E esse tempo às vezes era o que eu precisava para estudar para a prova ou até mesmo fazer a prova. Existiam vários torneios que eram realizados juntos, como aconteceu nos últimos torneios de Brasil e Peru. Quando você vai para um torneio e depois vai direto para o outro, acaba perdendo um mês. E eu não conseguia fazer a prova. Como os Jogos estavam próximos, decidi trancar a faculdade para que a gente consiga focar bem mais no esporte”, afirmou.

Dentro de quadra e fora de quadra, Vitor Tavares quer seguir com a receita que vem dando certo e fez com que alcançasse um sonho traçado desde criança: evoluir.

“Eu penso sempre em continuar evoluindo, sempre almejando minha melhora tanto fora quanto dentro de quadra. Então vou seguir treinando junto com a equipe técnica, com meu clube e minha família. A gente está sempre buscando mais. Eles estão sempre me apoiando para que todos os sonhos se tornem realidade. Você treinando, se dedicando, vai ter o resultado”, finalizou.

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