Mais uma crise para o tênis de mesa brasileiro. Conforme noticiado primeiramente pelo portal UOL, um grupo de nove atletas, todos medalhistas paralímpicos ou mundiais enviaram um ofício ao Ministério do Esporte. O documento expressa insatisfação com a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) e solicita “intervenção imediata” para assegurar que “o processo da Bolsa Pódio respeite os princípios da legalidade”. Os atletas também mencionam uma cláusula no contrato para uso do centro de treinamento do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que proíbe críticas públicas à confederação.
Entre os signatários do ofício está Bruna Alexandre, dona de seis medalhas paralímpicas, e que no ano passado se tornou a primeira atleta do Brasil a competir nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Também assinaram o documento: Claudio Massad, Cátia Oliveira, Danielle Rauen, Jennyfer Parinos, Joyce Oliveira, Luiz Filipe Manara, Marliane Santos e Paulo Salmin. Os nove atletas somam 16 medalhas paralímpicas e oito em Campeonatos Mundiais.
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O grupo alega que a CBTM impôs exigências excessivas para a utilização da Bolsa Pódio, incluindo a comprovação de participação em competições internacionais e um percentual mínimo de investimento por parte dos atletas.
Exigências da CBTM
Os mesa-tenistas relataram que a CBTM solicitou que eles comprovassem como utilizariam os recursos da Bolsa Pódio, além de exigir a participação em 10 competições internacionais para que o plano de trabalho fosse aprovado. “Queremos transparência, saber quais os critérios da CBTM, pois para cada atleta é uma exigência diferente”, afirmou Cláudio Massad ao UOL. Ele ainda destacou que a confederação não tem a prerrogativa de exigir a comprovação da utilização dos recursos da bolsa, já que o contrato é entre o atleta e o Ministério do Esporte.

Luiz Filipe Manara também comentou sobre a situação. “Claro que os atletas investem na carreira. Compramos material, fazemos treinos particulares, sessões de fisioterapia à parte, compramos suplementação e medicamentos, algo muito importante para atletas paralímpicos”, afirmou o medalhista paralímpico.
Resposta do Ministério do Esporte
O Ministério do Esporte confirmou o recebimento da carta e informou que encaminhou ofício para as entidades envolvidas, solicitando esclarecimentos sobre os fatos relatados. “No momento, o ministério aguarda retorno de uma entidade para proceder com a consolidação das informações e retorno aos atletas”, disse o órgão.
Após o envio do ofício, os atletas afirmaram ter enfrentado boicotes por parte da CBTM. Uma dessas questões é referente à dificuldades em utilizar o CT Paralímpico, que pertence ao CPB. Um mês atrás, Bruna Alexandre, por exemplo, fez um post para anunciar que havia rompido o seu contrato com a CBTM e por isso deixou de treinar no CPB. “Obrigada Comitê Paralímpico Brasileiro por todo apoio e suporte durante esses 5 anos que treinei no Centro Paralímpico (Comitê Paralímpico Brasileiro é uma família). Seguirei a minha preparação de treinamento em um outro lugar”, escreveu a atleta em seu Instagram.