SAQUAREMA (RJ) – Nadia Erostarbe ficou cinco meses viajando de evento em evento e agora pode voltar para casa com um sentimento de dever cumprido, afinal sairá do Brasil no top 10 do ranking mundial da temporada da a Liga Mundial de Surfe (WSL). O que talvez nem todo mundo sabe é que Saquarema ocupa um lugar especial na trajetória de Nadia Erostarbe. Primeira espanhola a competir na elite do surfe feminino, ela voltou a brilhar na Praia de Itaúna nesta semana, avançando às semifinal do torneio, ficando entre as quatro melhores pela segunda vez na temporada. A atleta do País Basco destacou a importância do Brasil em sua relação com o esporte.
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A espanhola avançou à semifinal da etapa brasileira depois de vencer Molly Picklum e Caity Simmers, mas sua história com Saquarema começou antes. Conversando com a imprensa durante a competição, Nadia lembrou que há três anos ela também chegou à semifinal em Saquarema, mas no Challenger Series, um resultado importante para mudar sua confiança no surfe.
Experiência olímpica a trouxe mais visibilidade
“Nestes últimos três anos, mudou muito minha relação com o surfe. Três anos atrás, na verdade, foi aqui em Saquarema que fiz um resultado muito bom e isso me deu muita confiança”, afirmou Nadia ao Olimpíada Todo Dia.
Desde então, a espanhola também viveu uma experiência olímpica e ganhou mais visibilidade em seu país. Para ela, a participação nos Jogos aumentou a atenção da mídia e fez mais pessoas acompanharem sua trajetória.
“Depois, me classificar para os Jogos Olímpicos trouxe muito mais atenção para isso. Nos Jogos, houve muito mais mídia na Espanha, também havia muitas pessoas torcendo por mim, e isso me deu mais visibilidade e maior segurança para poder chegar aqui”, explicou.
Primeira espanhola na elite
Nadia também falou sobre o impacto de dividir o circuito com atletas que admirou durante a vida. Ela reconheceu que o início na elite exigiu adaptação, mas tenta encarar o processo com naturalidade.
“É difícil. São pessoas que admirei toda a minha vida e agora estar com elas, no começo, foi uma grande mudança. Mas eu tento não pensar muito sobre isso. No fim, estou aqui, é incrível”, disse.
A espanhola espera que sua presença abra caminho para outras surfistas do país no futuro. “Ser a primeira espanhola a estar aqui é incrível. Espero que mais venham no futuro”, completou.
Dentro d’água, Nadia explicou que gosta de diferentes tipos de ondas, mas, para competir, prefere condições que permitam giros e manobras. Em Saquarema, ela precisou se adaptar às esquerdas e ganhou confiança ao longo da etapa. “Eu gosto de todas as ondas. Gosto de ondas grandes, também tubulares. Mas, para competir, prefiro giros”, explicou.
Energia brasileira, açaí e portunhol
Além da competição, Nadia mostrou carinho pelo ambiente em Saquarema. Ela destacou a energia da torcida brasileira e disse que tenta manter o foco, mesmo com a vibração intensa da praia.
“Eu tento estar o mais focada possível, mas a energia aqui é muito forte. Há muitas pessoas na praia, e isso mostra que é algo que está acontecendo aqui no Brasil e em nenhum outro lugar. Aqui há muitas pessoas animadas”, afirmou.
A espanhola também entrou no clima brasileiro fora da água. Quando perguntada sobre a comida, não teve dúvidas ao escolher o açaí como um dos pontos favoritos.
“Eu amo açaí. A comida, sim, mas especialmente açaí”, contou.
Nadia ainda brincou ao mostrar algumas palavras em português. Entre “olá”, “bom dia” e “tudo bem”, ela arrancou risadas ao mandar um “caraca” e resumir sua comunicação no Brasil.
“Eu falo portunhol”, disse, sorrindo.