SAQUAREMA (RJ) – Esta semana está sendo de muita expectativa entre fãs e profissionais de surfe que estão em Saquarema esperando pelo Finals Day da etapa brasileira da Liga Mundial de Surfe (WSL) desde domingo, dia 21 de junho. O Olimpíada Todo Dia conversou com alguns destes entusiastas do surfe do Brasil e do mundo que estão na cidade fluminense.
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Quem aproveitou os dias certos para estar na cidade foi o gaúcho Lucas Danelus, de 18 anos. Grande fã de surfe, em especial da Brazilian Storm, ele viajou de Caxias do Sul para acompanhar seu primeiro torneio de surfe in loco. Como ele ficou da quinta-feira, dia 18, até o domingo, dia 21, ele aproveitou bastante os dois primeiros dias, que contaram com 48 baterias no total.
“Foi perfeito, fiquei todo dia das 7h às 16h30 na praia. Minhas expectativas estavam muito altas e elas foram atingidas. Eu tenho assistido praticamente todas as baterias recentemente, com prioridade sempre para os brasileiros. Eu estava com expectativa muito alta, porque sempre vibrei de casa”, comentou o estudante.
Por outro lado, o uruguaio Miguel Castillo, chegou na terça-feira, dia 23, e ainda não viu os atletas em ação, mas está muito ansioso para finalmente ver as finais e surfar ao lado dos atletas. Treinador da seleção uruguaia de águas abertas, ele estava no Rio de Janeiro aproveitando as ondas da Barra da Tijuca acompanhando os resultados, esperando conseguir chegar nas finais, que deve acontecer nesta sexta-feira.
Ver o surfe com outros olhos e capturar em imagens
A paulista Vanessa Gonçalves, 32 anos, aproveitou a vinda para Saquarema e aqui juntou a paixão pelo surfe a uma nova profissão. Recentemente, ela criou a página Sea Flow Fotos, produzindo conteúdos em imagem e vídeo. “Eu já fui em outras etapas de surfe, mas era outra relação, não conhecia tanto. Hoje estou vivendo aqui o esporte”, comentou a fotógrafa e videomaker.
Original de Atibaia, ela agora mora em Itamambuca, no litoral paulista, em Ubatuba e estava torcendo muito para Felipe Toledo, por ser de lá, mas o surfista, bicampeão mundial em 2022 e 2023, perdeu logo na estreia. “Foi uma bateria muito tensa para mim assistindo, fiquei triste quando ele não passou”. Fã também de Yago Dora, sua torcida agora vai para o atual campeão mundial, que disputará a semifinal contra o australiano Ethan Ewing. “Gosto muito do estilo dele”, revelou.
Surfando entre as competições
O inglês Gregor McHendry, 26 anos, já pensava em vir para o Brasil e acabou escolhendo Saquarema como destino principal para acompanhar o surfe. Parte de uma viagem mais ampla pela América Latina, ele fica apenas duas semanas e meia no país. A princípio, seu destino principal no país seria Florianópolis, justamente para surfar nas praias catarinenses, mas mudou de planos quando descobriu que teria a etapa brasileira da WSL.
“É uma vibe muito louca aqui em Saquarema. Me diverti bastante. É minha primeira competição da Liga Mundial de Surfe”, disse o natural da ilha de Jersey, que disse ser fã do havaiano John John Florence, e tem ido todos os dias para a praia, mesmo nos dias off, como esta quinta-feira.
A dominicana Melany Castillo, 27 anos, é outra que veio ao Brasil, em parte para assistir à etapa de Saquarema da Liga Mundial de Surfe, mas também para acompanhar uma festa junina – que aprendeu no curso de português na República Dominicana – e comemorar seu aniversário.

Lucas Danelus está para se mudar para Santa Catarina, onde espera praticar mais o surfe. “Comecei no surfe ao acompanhar meu primo. Aí comecei a acompanhar todos os campeonatos da WSL e do Brasil. Como não temos praia em nossa cidade, quando posso vou para Santa Catarina, principalmente Garopava, na Praia do Rosa”.
Gregor McHendry se descobriu nas ondas também jovem. “Comecei a surfar com uns 12 anos. Minha mãe me mandava para um camp de verão e assim comecei a amar o esporte”. Hoje ele, que está prestes a se mudar para a Austrália, viaja o mundo, tentando surfar sempre que possível.
Cody Simpson inspirou fã a acompanhar surfe
A relação de Melany Castillo e o surfe começou de uma forma curiosa. O australiano Cody Simpson é seu cantor favorito. Nadador profissional, que tentou uma vaga para Paris-2024, ele também posta vídeos surfando nas suas redes sociais e Melany passou a se interessar pelo esporte, que começou a assistir durante os Jogos Olímpicos, torcendo tanto para os brasileiros quanto para os australianos.
Vanessa também começou a gostar de surfe, ainda criança, mas hoje vê o esporte com outros olhos. “Eu sempre fui apaixonada pelo esporte, desde os 12, 13 anos. Só que era muito fora da minha realidade, morava no interior, então eu não tinha esse contato. Aí quando eu fiz 18 anos, eu fui morar no Rio e comecei a ter mais contato com o mar e o esporte, até namorei um surfista. E aí eu fiquei com esse bichinho… Ano passado, fui passar o réveillon em Itamambuca e aí eu decidi mudar para lá, para realmente aprender a surfar e tirar esse sonho do papel”, contou ela.
“Eu resolvi unir duas paixões, eu sempre gostei muito de fotografia, e depois o surfe. Eu gosto principalmente do fotojornalismo, que é a vida acontecendo. E fotografar o esporte é muito legal. Acho que tem um lado afetivo, de você congelar o momento, é uma arte que a pessoa pode estar ao teu lado, mas não vai ter uma foto igual a sua, porque é o seu olhar, o seu ângulo. Essa exclusividade é muito legal. Mil pessoas fizeram vídeo do aéreo do Ítalo, mas sob o meu ângulo, a minha perspectiva acho que só eu. Então tem esse lado artístico que é bem legal”.
Encontro com ídolos de perto
Para Vanessa, encontrar os atletas tão perto é o que há de mais especial no evento. “Eu acho que você ver seus ídolos, que você vê sempre no Instagram… encontrar na sua frente, é incrível”. Além da interação, Vanessa que já acompanha muitos torneios de surfe em Itamambuca ressaltou a diferença que é acompanhar os atletas da elite em ação. “Realmente, você conseguir ver o surfe deles. É muito bizarro o contato que eles têm com o mar e a capacidade que eles têm de fazer coisas bizarras parecerem fáceis”, acrescentou.
Melany Castillo revelou que seu atleta favorito é o francês Marco Mignot. Rookie da temporada de 2025, ele também veste a bandeira do México. Por acaso Castillo tinha ganho uma bandeira mexicana de outro viajante e acabou levando para pedir um autógrafo do seu ídolo, o que chamou a atenção também.

Como os grandes nomes do surfe brasileiro estão sendo bastante assediados pela torcida, ela comenta que outros surfistas acabam passando despercebidos pela torcida e mais fáceis de conversar, como o indonésio Rio Waida. “Às vezes me perguntam por que eu não gosto de John John Florence ou Yago Dora… claro que gosto deles, mas eles são os GOATs. É legal apoiar os novos, como Erin Brooks ou Tya Zebrowski”, comentou. “É um sentimento muito insano você surfar no mesmo lugar dos atletas”, completou.
Tubos e aéreos ao vivo
Lucas Danelus mencionou entre seus momentos favoritos o encontro com Miguel Pupo na praia. “Foi muito, muito especial. Alejo Muniz também foi muito gente boa”. Ele também ressaltou ter assistido às baterias de João Chianca. “Ele deu um show de surfe; Pegou uns dois, três tubos nas baterias dele, foi um show à parte”. Ainda sobre os aéreos, Gregor McHendry destacou o italiano Leonardo Fioravanti. “Ele meteu um aéreo enorme que foi muito louco. Foi bem na nossa frente na praia, isso foi louco”, disse.
Lucas também destacou outros brasileiros. “O Ítalo Ferreira também… Por mais que ele tenha perdido, eu vi só ele dentro da água durante meia hora de bateria. Meteu uns dois, três aéreos, tentou vários outros, o que é muito emocionante por si só. A Luana Silva foi outra que amei ter visto, uma pena ela ter perdido”.