Bob Burnquist, maior medalhista da história dos X Games e uma das maiores lendas do skate mundial, analisa a nova fase do esporte a partir da criação da X Games League, competição inédita que propõe um formato mais flexível e inovador. Atuando como General Manager do Club São Paulo, o brasileiro destaca as oportunidades que o novo modelo pode gerar tanto para atletas consagrados quanto para novos talentos.
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No cenário atual do skate competitivo, marcado pela forte influência do ciclo olímpico, muitos dos principais atletas têm direcionado sua preparação para um modelo mais rígido e estratégico. “A maioria dos grandes nomes acaba sendo puxada para a estratégia olímpica apenas”, afirmou Bob Burnquist. Para ele, esse movimento impõe uma pressão adicional e uma seriedade que nem sempre refletem a essência do skate.
Diante desse cenário, a proposta da liga aparece como uma alternativa mais flexível e aberta à inovação. Bob Burnquist destacou que o novo formato possibilita a construção de diferentes narrativas, além da criação de obstáculos e dinâmicas variadas de competição. “Você cria uma liga que não é engessada, que pode evoluir individualmente em cada área”, explicou.
Liberdade no formato
A liberdade proposta pelo novo formato representa, para os atletas, uma mudança relevante na maneira de encarar as competições. Na avaliação do ex-skatista, dinâmicas diferentes das adotadas no circuito olímpico incentivam o desenvolvimento de novas estratégias e abordagens. “É um formato que, às vezes, não tem nada a ver com o que ele está treinando para a Olimpíada. Isso faz com que o skatista pense diferente”, afirmou.
Ele também chamou atenção para o valor cultural desses ambientes competitivos. Ao relembrar sua trajetória, destacou que eventos menores, mesmo com menor premiação, frequentemente atraíam atletas pela identidade própria e pela conexão com a essência do skate. “Às vezes, a pessoa vai mesmo sem receber nada, porque se sente mais em casa”, comentou.
Vitrine para novos talentos
O ex-skatista destacou que a nova liga tem potencial para atuar como vitrine para talentos fora do circuito olímpico. “Muitos nomes que, de repente, não estão classificados olimpicamente, têm espaço e podem aparecer dentro de eventos como esse”, avaliou. Nesse contexto, a X Games League surge também como um novo radar na identificação de atletas promissores.
Estrutura do evento
A X Games League terá formato de franquias, inspirado na NBA, com equipes de 10 atletas representando regiões. A estreia acontece em junho de 2026, com três etapas de skate e BMX. O Brasil será representado pelo X Games São Paulo Club, liderado por Bob Burnquist. Nas disputas, os atletas competem individualmente, somando pontos para as equipes no sistema de “melhor descida”.
O General Manager do Club São Paulo formou sua equipe com nomes de destaque do skate e do BMX. No vert e park, estão Gui Khury, Sky Brown, Luigi Cini e Raicca Ventura. Já no street, o time conta com Giovanni Vianna, Gabi Mazeto e Ibuki Matsumoto. No BMX, completam a equipe Queen Saray, Ryan Williams e Garrett Reynolds.
Além dos brasileiros, o time reúne atletas da Grã-Bretanha, Japão, Colômbia, Austrália e Estados Unidos, reforçando o caráter internacional da equipe. “O skate, assim como a bike, sendo um esporte de ação, sempre foi sobre nacionalidades e não sobre geografia. A minha inspiração não vem só do Brasil, mas também de outras nações. O skate é mais centrado em personalidades, então a ideia de montar o time e meu papel é trazer essa diversidade e afinar o grupo”, afirmou Bob Burnquist.