Miguel Cardoso entrou nos saltos ornamentais aos sete anos porque queria fazer o mesmo que o irmão. A diversão ganhou uma rotina de treinos no ano seguinte. Onze anos depois, o brasileiro comemora o bronze na plataforma de 10 metros dos Jogos Sul-Americanos Santa Fé-2026 e trabalha para chegar à Olimpíada de Los Angeles-2028.
Na reportagem de Fabrizio Giachero para o Olimpíada Todo Dia, Miguel relembrou a vontade de acompanhar o irmão na modalidade. “Vi o meu irmão fazendo, sempre tive vontade, completei a idade, entrei, não perdi tempo”, contou.
Miguel Cardoso destaca apoio da família
O irmão segue entre os principais apoios de Miguel, que também faz questão de destacar o papel dos pais nos 11 anos de treinamento.
“Meu irmão é um pilar, eu acho que é um dos principais pilares. Ele, meu pai e minha mãe são fundamentais para eu estar aqui hoje”, afirmou.
A reação aos saltos de 10 metros, no entanto, variava dentro de casa. Enquanto a mãe demonstrava tranquilidade, o pai tinha mais receio de ver o filho na plataforma.
“Minha mãe sempre foi mais tranquila. O problema era meu pai. Meu pai tinha um pouquinho mais de medo”, contou.
Para Miguel, a prática diária tornou a altura familiar. Segundo ele, o nervosismo antes de executar um salto durante a competição pesa mais do que a distância até a água. Do lado de fora, acredita que a prova está entre as mais emocionantes de acompanhar.
Bronze superou as expectativas
Miguel conquistou o bronze na quarta-feira (16), no Centro Aquático Provincial, em Rosário. O brasileiro somou 326,05 pontos e completou o pódio ao lado do equatoriano Santiago Choez, campeão com 389,95, e do venezuelano Jesus Gonzalez, prata com 372,70. Resultado divulgado pelo COB.
Na entrevista ao OTD, o atleta contou que chegou à competição sem colocar a medalha como uma obrigação. A prioridade era executar o seu melhor desempenho.
“Eu vim pensando em dar o meu melhor e que, se o meu melhor fosse suficiente para alcançar a medalha, para mim já estaria de bom tamanho. E funcionou”, comemorou. “Ultrapassou muito as minhas expectativas.”
O bronze de Miguel encerrou a participação brasileira nos saltos ornamentais. Ao todo, o país conquistou seis medalhas: um ouro, uma prata e quatro bronzes.
Pan de Lima e Los Angeles no horizonte
Depois do pódio em Santa Fé-2026, Miguel quer seguir o caminho até os Jogos Olímpicos. Antes de Los Angeles, porém, ele tem outro objetivo: disputar o Pan de Lima.
“A meta é a gente estar presente na Olimpíada de Los Angeles para poder representar o nosso país”, afirmou.
O brasileiro ressaltou que ainda precisa superar etapas e alcançar marcas para chegar às próximas competições. A resposta para esse percurso, segundo ele, está na continuidade dos treinos.
“Agora é continuar trabalhando, focado no processo, que tem muito por vir ainda”, disse. “Trabalhando duro e focado, vai dar certo.”



