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“A água é a salvação dela” conheça Susana Schnarndorf

Conheça a história da atleta paralímpica da natação, Susana Schnarndorf, dona de uma medalha de prata na Paralimpíada do Rio 2016, prata nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara 2011, quatro medalhas em mundiais e incontáveis na vida. Assista ao vídeo!

A vida de Susana Schnarndorf e o esporte sempre estiveram ligados de alguma fora. Sem qualquer explicação para isso, a atleta da natação paralímpica era fissurada desde muito cedo nos Jogos Olímpicos e chegava até a matar aula para treinar. “Eu já nasci pronta, eu já nasci atleta,” contou em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia. “A gente não pensou, na época, que as coisas iam crescer dessa maneira. Ela ia começar a competir e o negócio foi crescendo. A água é a salvação dela” completou a mãe, Marian. Assista ao vídeo!

Por saber desde muito cedo que precisava treinar muito para conquistar os objetivos, Susana Schnarndorf foi destaque do triatlo e pentacampeã brasileira entre 1993 e 1997, disputou os Jogos Pan-Americanos de 1995 em Mar Del Plata e completou 13 Ironmans. Mas uma doença mudou a sua vida.

“A minha meta era fazer o IronMan do Avaí, que é a Olimpíada do triatlo no caso. Uma prova glamourosa assim, muito difícil de fazer, porque é quente, vento, o mar é mexido e eu sempre quis fazer aquela como um desafio mesmo. E aí foi que começou minha paixão pelo triatlo. Uma carreira super bacana, assim, uma época muito feliz da minha vida, que eu segui a carreira até eu começar com os sintomas da minha doença,” disse a atleta.

Susana Schnarndorf após completar Iron Man do Havaí – Reprodução / Facebook

Depois disso, começaram a surgir os primeiros sintomas da doença. Susana Schnarndorf sentia dificuldade para respirar, não conseguia engolir a saliva e a glote fechava. Levava um tempo, as vezes desmaiava… E foi procurar por diagnóstico.

“Sabe quando a gente não que acreditar no que está acontecendo? Foi a minha reação. Ela falava. Eu fui até lá. E eu não sabia como lidar com aquilo. Vinham diversos diagnósticos, de tudo que você possa imaginar…” relembra a mãe.

“Primeiro falaram que eu tinha tumor no cérebro, depois falaram que eu tinha esclerose lateral, esclerose múltipla. Até que descobriram a minha patologia,” completa Susana.

Em 2005, a atleta foi diagnosticada com MAS, múltipla atrofia dos sistemas. A doença vai, com o passar dos anos, diminuindo a capacidade dos conjuntos musculares e de órgãos como o coração e o pulmão.

“Deram, naquela época, dois anos de vida para ela. Isso ela me deu a notícia assim…  Caminhando no shopping. E ela do meu lado, falando… Sabe quando você tem vontade de abrir um buraco e entrar? E eu continuei caminhando, mas parecia uma sonâmbula. Isso me assustava muito,” conta Marian Schnarndorf.

“Quem tem a MSA (múltipla atrofia dos sistemas) vive assim, em média, no máximo, oito anos. Tem uma sobrevida de oito anos. Eu estou com quatorze anos de doença aí, então eu estou no meu bônus, né?,” brinca rindo Susana.

Após um período, Susana, então, seguiu para a natação paralímpica. Logo, começou a fazer parte da Seleção Brasileira em 2010. Na nova modalidade, ela se adaptou rápido e foi campeã brasileira e recordista nos 50m livre, 100m livre, 400m livre, 100m nado peito e 200m medley entre 2010 e 2012. “A natação paralímpica para mim é aquela luta de continuar competitiva mesmo com a minha doença piorando.”

Daí em diante, Susana Schnarndorf coleciona ótimos resultados na natação paralímpica. Disputou os Jogos Parapan-Americanos em Guadalajara, em 2011. “Porque você fala assim: pô, todo mundo falava que eu ia morrer e olha aí onde eu estou agora. 2012 eu realizei o sonho da minha vida que foi participar da minha primeira Paralimpíada, em Londres, e eu sempre tive o sonho de ir para uma Olimpíada. Não consegui como atleta convencional e em 2012 eu realizei esse sonho com um sentido diferente. Muito mais importante para mim, que foi ter entrado lá no time da Seleção Brasileira lá em Londres.”

Na edição de 2012, Susana conseguiu o quarto lugar nos 100m peito na classe SB7 e o quinto no 200m medley SM7. Mas o que vale mesmo são as lembrança que ela traz sobre o feito inesquecível que conquistou na sua vida: “E meu filho estava mandando mensagem para mim, não lembro se nessa época era torpedo ou o que que era, mas era tipo o WhatsApp de hoje, né? ‘Mãe, eu acho que eu estou te vendo. Levanta a mão.’ Eu levantei e ele: ‘Eu estou te vendo, eu estou te vendo.’ Aquela coisa que passou um filme na minha cabeça assim: pouts, cara, tudo que eu passei valeu a pena, olha onde eu estou. Eu estou indo disputar uma Paralimpíada. Então foi uma coisa muito forte para mim,” relembra Susana.

E não parou por aí, os melhores resultados na natação paralímpica aconteceram em 2013: Susana Schnarndorf foi campeã mundial nos 100m peito na categoria SB6, além de receber o prêmio de melhor atleta feminina no Prêmio Paralímpico. Nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016, Susana mudou de categoria, e conseguiu sua primeira medalha paralímpica, a prata no 4x50m misto – 20 pontos, ao lado de Daniel Dias, Clodoaldo Silva e Joana Silva.

Joana Silva, Daniel Dias, Clodoaldo Silva e Susana Schnarndorf com a medalha de prata no revezamento da Paralimpíada do Rio 2016 – Foto Reuters

Quando tudo mudou, Susana Schnarndorf encontrou nas dificuldades a oportunidade para realizar os sonhos que sempre teve dentro do esporte. “É uma nova fase, é um novo começo, então muda tudo, né? A maneira que ela nadava antes e como ela nada agora. Mas eu aceito plenamente. Torço fervorosamente. Assisti a Paralimpíada, que achei que foi assim… O máximo do máximo. E é muito importante para mim. Vê-la, estar com ela… Ela ensina as pessoas, inclusive a mim, como viver,” conclui a mãe, Marian.

“Isso tudo que aconteceu na minha vida, eu tive, na verdade, que me reinventar várias vezes, né? Eu aprendi aquela frase, que é bem falada: mas as vezes o fim é só um novo começo. Eu tive esse fim e esse começo várias vezes na minha vida. O esporte ensina muito a gente a fazer isso, né? Não é uma linha reta, é uma linha cheia de sobe e desce e a gente tem que aprender a cair, no caso, e a levantar rápido. Eu aprendi que depois sempre de um momento difícil a gente tem um momento muito bom. Porque a gente fica muito mais forte. E a gente nunca perde, a gente aprende quando perde. Então, se tem uma coisa que eu ponho na minha cabeça é que num dia a gente ganha e no outro a gente aprende. Sei lá, eu acho que eu com a minha história eu tento ver e fazer com que as pessoas vejam o lado bom da vida, que sempre tem, né?” define Susana.

E se engana quem pensa que Susana ensina apenas no âmbito esportivo, a atleta da natação paralímpica conta sua história e compartilha ensinamentos por onde passa: “Nas palestras que eu dou, assim, as pessoas se emocionam bastante e vem me agradecer depois. ‘Pouts, você me ajudou bastante, porque eu estou passando por tal e tal situação.’ Quando eu vou competir, as pessoas vem com muito carinho também: ‘pô, você me ajudou a, sei lá, voltar a fazer ginástica, voltar a cuidar de mim’. Então é uma coisa muito, muito bacana para mim. E é a minha quarta medalha querida aí, que eu tenho são essas. São essas coisas boas que eu posso fazer pelas pessoas também.”

Divulgação/Nissan

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