Símbolo de transformação do esporte paralímpico nacional, o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro completa dez anos consolidado como um dos principais legados dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Em entrevista ao Olimpíada Todo Dia (OTD), o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), José Antonio Ferreira Freire, destacou o impacto da estrutura no crescimento do movimento paralímpico, tanto no alto rendimento quanto na formação de atletas em todo o país.
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Para o dirigente, a criação do CT marcou uma mudança de patamar no esporte paralímpico brasileiro. Segundo ele, a possibilidade de concentrar treinamentos, competições e suporte multidisciplinar em um único espaço foi determinante para os resultados conquistados pelo Brasil nos últimos ciclos paralímpicos.
“O impacto foi enorme, porque a partir da inauguração desse centro a gente conseguiu ter muito mais fases de treinamento. Conseguimos colocar os atletas treinando aqui todos os dias, e esse crescimento faz parte essencialmente do avanço que tivemos em Tóquio e também do quinto lugar em Paris”, afirmou.

Peça fundamental
José Antonio ressaltou ainda que o centro se tornou peça fundamental para a preparação das seleções brasileiras, oferecendo estrutura de excelência em áreas como fisiologia, ciência do esporte e acompanhamento técnico. Para ele, o CT foi determinante para consolidar o Brasil entre as principais potências paralímpicas do mundo.
Entre as principais instalações estão pistas de atletismo, centro aquático, quadras adaptadas, salas de treinamento e áreas destinadas à medicina esportiva. O local também possui estrutura de apoio com hospedagem para atletas, refeitório, lavanderia, auditórios e setores administrativos.
“Sem o centro de treinamento talvez a gente não tivesse alcançado principalmente o quinto lugar em Paris. O centro tem tudo a ver com o que conquistamos nesse período”, destacou.
Outro ponto destacado pelo dirigente foi a mudança na percepção da sociedade em relação ao esporte paralímpico. Segundo José Antonio, a presença de diferentes modalidades treinando e competindo no local ajudou a ampliar a visibilidade do movimento e reforçou a compreensão do esporte paralímpico como alto rendimento.
“A sociedade precisa entender que esse é um esporte de alto rendimento, com todo um modelo de treinamento como acontece no esporte olímpico. Esse centro tem uma enorme capacidade de transformação”, afirmou.
Metas futuras
Mesmo consolidado como referência internacional, o dirigente revelou que o crescimento do esporte paralímpico já faz o CT projetar novos passos para o futuro. Segundo ele, o espaço “se tornou pequeno” diante da expansão do movimento, e o objetivo agora é ampliar a rede de desenvolvimento esportivo pelo país.
O CPB já possui 105 centros de referência espalhados pelo Brasil e organiza atualmente 27 competições nacionais em diferentes regiões. A estratégia, segundo José Antonio, é descentralizar o acesso ao esporte e levar a estrutura de formação para além de São Paulo.
“Antes os atletas vinham para cá duas ou três vezes no ano. Hoje a lógica mudou: saímos de São Paulo para levar o esporte para todo o Brasil”, explicou.
Pensando nos próximos ciclos paralímpicos, o presidente do CPB afirmou que a meta é manter o crescimento da modalidade nos próximos anos. Segundo ele, o objetivo é aproximar o Brasil das principais potências mundiais até 2036.