Principal nome do bobsled brasileiro e atleta mais experiente da delegação, Edson Bindilatti iniciou sua sexta participação em Jogos Olímpicos de Inverno destacando o ambiente encontrado em Milão-Cortina 2026. Logo nos primeiros dias na Vila Olímpica, o piloto ressaltou a estrutura oferecida aos competidores e as condições de suporte disponibilizadas ao Time Brasil. Com 46 anos, ele também comentou sobre o contato inicial com a pista, que já havia sido utilizada pela equipe em 2025, mas que voltou a ser testada antes da abertura oficial da competição.
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“Minha expectativa e as primeiras impressões dos Jogos Olímpicos e da pista foram as melhores. A Vila Olímpica é bem ampla e a gente tem que caminhar um pouquinho até chegar ao nosso estabelecimento. Tem toda a acessibilidade para os atletas, desde a parte física, da parte de alimentação, até todo suporte do COB na fisioterapia e área médica. E a pista, a gente teve a oportunidade de ter duas descidas antes da abertura dos Jogos, onde deu para relembrar novamente, pois estivemos aqui em novembro e agora deu para pegar um pouquinho. A expectativa é muito grande de fazer um bom trabalho”, analisou.
Emoção de representar o Brasil pela sexta vez
Mesmo com uma trajetória marcada por múltiplas participações olímpicas, Edson Bindilatti afirmou que a sensação de defender o país segue intensa. Para ele, cada edição traz um misto de ansiedade, orgulho e responsabilidade com quem acompanha o esporte no país. “A sensação de representar o Brasil pela sexta vez é emocionante. Toda vez é como se fosse a primeira. A gente sempre sente um friozinho na barriga, mas também uma emoção muito grande de saber que você está representando milhares de pessoas”, destacou o atleta.
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O piloto ressaltou ainda o impacto emocional que o esporte pode gerar fora do ambiente competitivo. “Além de ser um prazer, de gostar de competir e fazer um trabalho sério, o que faço aqui também é ter a possibilidade e a oportunidade de levar um pouco de alegria para os brasileiros que sofrem bastante durante todo o tempo”. Mesmo reconhecendo o alto nível da competição, Edson Bindilatti deixou claro que entra na pista com objetivos grandes. “Claro que é difícil ganhar medalha nos Jogos Olímpicos, mas a gente quer fazer um grande resultado, o melhor resultado da história do Brasil”, completou o piloto.
Maturidade, controle emocional e melhor momento da carreira
Aos 46 anos, Edson Bindilatti avaliou que chega a Milão-Cortina vivendo a fase mais completa da carreira. Segundo o piloto, a experiência acumulada ao longo dos anos trouxe não apenas conhecimento técnico, mas também maior equilíbrio emocional. “Eu não digo nem… Não é a palavra seriedade, mas maturidade. Então, acho que estou muito mais maduro, acho que acredito que por conta de chegar nesses Jogos Olímpicos, na minha sexta participação Olímpica, 46 anos, e estar na minha melhor preparação física, tanto física como mental”, analisou o brasileiro
O atleta explicou como lida com a adrenalina característica da modalidade e a importância do controle desse fator durante as descidas. “Acredito que quando você não sentir o friozinho na barriga, você pode parar. Adrenalina tem que ter, claro que não em excesso, você tem que saber controlar aquele frio na barriga porque em excesso faz mal e de menos também”, disse Edson Bindilatti, que também detalhou o trabalho mental desenvolvido nos últimos anos. “Hoje tenho acompanhamento. Não é psicológico, mas é mental mesmo, neural. Com a Melissa Veloso, ela me ajuda bastante em relação a isso”, acrescentou.
Da improvisação à expertise: a evolução do bobsled brasileiro
Edson Bindilatti fez um resgate da trajetória do bobsled no Brasil, lembrando as dificuldades enfrentadas no início do projeto e comparando com o cenário atual, muito mais estruturado. “Quando a gente começou, era tudo mato. Eu brinco, a gente ia para um lado, o treinador ia para o outro, mas é porque a gente não conhecia a modalidade, era tudo novidade”, comentou. Com o passar dos anos, o conhecimento técnico se tornou um diferencial importante da equipe brasileira. “Hoje a gente consegue desmontar um trenó e te entregar ele montadinho e rápido como ele estava antes”, complementou.
Segundo o atleta , isso facilita o processo de formação de novos atletas. “Hoje, quando o atleta chega para o bobsled, ele fica pronto muito rápido, ele não vai passar dificuldade na aprendizagem”, afirmou Edson Bindilatti. Além do papel como piloto, ele destacou a importância da convivência e do diálogo com atletas mais jovens, especialmente em uma modalidade marcada por velocidade e impacto físico. “É de muita parceria e receptividade. Eu sempre gosto de conversar com eles, entender qual é a dúvida, o que ele achou da descida, o que pode ser melhorado”, declarou o brasileiro
Edson Bindilattti também reforçou que a humildade é fundamental para a evolução coletiva. “Porque às vezes as pessoas falam, pô, você tem seis Olimpíadas, meu, mas eu não sou mais que ninguém. Eu aprendo muito com quem está chegando, aprendo muito com quem já está”, destacou o piloto.
Modalidade democrática e com futuro promissor no Brasil
Para Edson Bindilatti, o bobsled ainda é cercado de estigmas, mas tem potencial para crescer e atrair novos talentos no país. “O bobsled é uma modalidade muito democrática. Às vezes as pessoas veem o bobsled na TV e acham que é só pra quem é rico, é só pra quem tem oportunidade diferenciada. Não, o bobsled é pra todo mundo, de verdade”. Ele também projetou um cenário positivo para os próximos ciclos olímpicos. “Eu vejo o futuro do Bobsled e do Skeleton no Brasil muito próspero, pois hoje a gente tem uma Confederação consolidada e que pensa no desenvolvimento”, concluiu o piloto.