Depois de atravessar o Canal da Mancha no final deste mês, Ana Marcela Cunha deve retomar o caminho competitivo que pode levá-la aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Em trecho da entrevista completa concedida ao Olimpíada Todo Dia, a campeã olímpica explicou que a travessia entre Inglaterra e França não significa uma despedida das competições, mas uma etapa diferente antes de voltar o foco para as águas abertas.
No vídeo, Ana Marcela fala sobre os Jogos Sul-Americanos, previstos para setembro, e explica que a competição será importante para classificar o Brasil aos Jogos Pan-Americanos de Lima 2027. A nadadora destaca que, nas águas abertas, o processo é diferente de outras provas da natação, já que o primeiro objetivo é garantir a vaga do país.
O vídeo acima é um trecho da entrevista completa de Ana Marcela Cunha ao Olimpíada Todo Dia, disponível no canal do OTD no YouTube. Na conversa com Fernando Gavini e Gabriel Gentile, a campeã olímpica falou sobre a preparação para atravessar o Canal da Mancha, o treino no escuro, a presença de um representante do Guinness no barco, os planos para a sequência da carreira e a possibilidade de seguir no ciclo até Los Angeles 2028.
Ao comentar o que vem depois do Canal da Mancha, Ana Marcela explicou que os Jogos Sul-Americanos serão uma etapa importante para as águas abertas do Brasil. A competição classifica o país para os Jogos Pan-Americanos. “A gente tem aí dia 20 de setembro já. Eu posso falar que vai ser o Campeonato Sul-Americano. Na verdade, são Jogos Sul-Americanos, que é importante porque é um evento que classifica a bandeira, classifica o Brasil para o Pan-Americano”, explicou Ana Marcela.
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Rota até Los Angeles
Ana Marcela também destacou que a classificação nas águas abertas passa primeiro pela vaga do país. Depois, uma seletiva nacional deve definir quem representará o Brasil nos Jogos Pan-Americanos.
“A gente funciona um pouco diferente de alguns outros esportes. A piscina, por exemplo, você faz o índice, faz um tempo e termina classificando para o Pan-Americano. A gente não. Tem os Jogos Sul-Americanos, tem que chegar entre as sete primeiras para obter a vaga para a bandeira, para o Brasil. No caso, não é nem a minha classificação, é classificar o país. Depois, a gente tem provavelmente a seletiva nacional, de onde sai para disputar os Jogos Pan-Americanos”, completou.
A rota até Los Angeles 2028 passa primeiro pelos Jogos Sul-Americanos de 2026, competição que pode garantir a vaga do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2027. Depois, uma seletiva nacional deve definir quem representará o país no Pan. A partir daí, Ana Marcela pode entrar novamente no caminho olímpico das águas abertas.
Canal da Mancha como novo fôlego
Ana Marcela escolheu 2026 para realizar o sonho antigo de atravessar o Canal da Mancha. A prova, marcada para uma janela entre os dias 20 e 29 de julho, será um dos maiores desafios da carreira da nadadora. Mesmo assim, ela reforça que o projeto não representa uma pausa definitiva no alto rendimento.
“Esse ano, justamente, poder ter escolhido fazer o Canal da Mancha tem me ajudado bastante a ter um ano um pouco mais off, um pouco mais tranquilo, que eu estou cuidando muito de mim mesma e realizando sonhos que não são só o alto rendimento em si”, afirmou.
A campeã olímpica diz que o desafio tem ajudado a pensar com mais tranquilidade nos próximos passos. E, entre eles, Los Angeles aparece como possibilidade.
“Tem me dado uma refrescada para que a gente possa, de repente, pensar em Pan-Americano, Olimpíada, estar lá em LA. Vamos ver. Acho que é só o tempo, as coisas como têm acontecido, tem me deixado tranquila para essas decisões”, disse Ana Marcela.
Campeã olímpica em Tóquio-2020 e dona de sete títulos mundiais, Ana Marcela evita cravar planos de longo prazo, mas deixou claro que o Canal da Mancha não representa uma despedida. Depois da travessia, a brasileira volta a olhar para o calendário competitivo das águas abertas. O caminho até Los Angeles segue possível, uma braçada de cada vez.



