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Crise política no Afeganistão liga o sinal de alerta no COI

Impacto no esporte com a chegada do grupo Talibã ao poder, conhecido por seu radicalismo e perseguição às mulheres, preocupa a entidade

A pequena delegação do Afeganistão desfila na cerimônia de abertura da Olimpíada de Tóquio (Reprodução/Reuters)

Crise política no Afeganistão liga o sinal de alerta no COI

O retorno ao poder do grupo extremista Talibã no Afeganistão colocou a geopolítica mais do que nunca no cenário do esporte olímpico. Conhecido pelo radicalismo com o qual interpretam a lei islâmica e pela perseguição a mulheres e crianças, o Talibã pode também significar um retrocesso do papel do Afeganistão no esporte. O COI (Comitê Olímpico Internacional) já ligou o sinal de alerta para isso.

Em resposta a um pedido de entrevista do blog, o COI confirmou que está acompanhando com muita atenção a situação no Afeganistão após a tomada do poder pelo Talibã, que chegou à capital Cabul no último domingo (15).

“O COI vem monitorando a situação no Afeganistão e estamos em contato com as autoridades esportivas do país. Ao mesmo tempo, encaminhamos informações relevantes a vários órgãos governamentais. Por razões de segurança para as pessoas envolvidas, não faremos mais comentários a respeito do caso neste momento”, afirmou a entidade, em nota oficial.

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Infelizmente, ficaram sem resposta algumas perguntas relevantes. Por exemplo, nos Jogos de Tóquio-2020, o Afeganistão foi representado por apenas cinco atletas e destes, somente uma era mulher. Kimia Yousofi, de 25 anos, representante do atletismo, foi a única presença feminina na delegação. É curioso imaginar como o COI irá reagir nos Jogos de Paris-2024 se o Afeganistão estiver presente sem nenhuma mulher na equipe. Justamente na Olimpíada em que a entidade assegura que haverá igualdade de gênero de atletas.

A Paralimpíada de Tóquio, que começará na próxima terça-feira (24), não terá a participação da diminuta delegação do Afeganistão, que teria somente dois representantes. Entre eles, Zakia Khudaddi, do taekwondo, que seria a primeira mulher do país a disputar o evento.

Enquanto isso, no Afeganistão o medo dos efeitos da volta do Talibã no esporte já são evidentes. Nesta quarta-feira (18), Samira Asghari, integrante do comitê olímpico afegão, fez apelo para tirar as atletas, treinadoras e equipes de apoio do país.

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“Por favor, as atletas femininas, as treinadoras e suas comitivas precisam de sua ajuda. Devemos tirá-las das mãos do Talibã, sair do Afeganistão, em particular Cabul. Por favor, façam algo antes que seja tarde demais”, escreveu Asghari, em suas redes sociais. Nesta quinta-feira (19), contudo, o post não estava mais disponível, aparentemente deletado.

Pelo visto, o monitoramento do COI em relação ao Afeganistão terá que ir muito além das “notas de repúdio” para evitar um lamentável retrocesso no esporte do país com a chegada dos radicais do Talibã.

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