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Crise econômica Pinheiros anuncia redução de 25% de salários de seus atletas

Laguna Olímpico

Crise econômica pode ser pior do que pandemia para o esporte

Efeitos da recessão em razão do coronavírus já começam a ser sentidos no universo olímpico brasileiro

Um dos principais clubes do esporte brasileiro, o Pinheiros já sente os efeitos da crise econômica por causa da pandemia (João Raposo/ ECP)

Crise econômica pode ser pior do que pandemia para o esporte

A semana começa com a quarentena firme e forte, a despeito de alguns terraplanistas sanitários. No esporte, tudo parado, com exceção de poucos países que insistem em desafiar a gripezinha. Mas os últimos dias também trouxeram notícias preocupantes para o esporte olímpico do Brasil. Infelizmente, já é possível prever que o cenário pós-pandemia trará uma crise econômica com efeitos devastadores por aqui.

Na ultima sexta-feira (17), uma reportagem do globoesporte.com mostrou que três dos principais clubes esportivos do Brasil confirmavam o corte de 25% nos salários de atletas e funcionários de suas equipes, pelo menos durante os meses de abril e maio.

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Pinheiros (SP) e Minas Tênis (MG), que reúnem boa parte dos principais atletas olímpicos do país, confirmaram a redução nos holerites de suas equipes. A Sogipa (RS)*, outro gigante entre os clubes do esporte brasileiro, realizou por enquanto a redução salarial de parte de seus funcionários. A instituição ainda estuda se também fará este corte, com base na Medida Provisória 936, que permite redução de salários e jornada de trabalho.

Para ter uma ideia da dimensão desta crise, estes três clubes certamente terão maioria dentro da delegação do Brasil que deverá participar da Olimpíada de Tóquio, adiada para o ano que vem em razão da pandemia do coronavírus.

Como tudo pode piorar, na quarta (16), o mesmo Pinheiros dispensou por correspondência todo o seu time adulto masculino de basquete. A equipe está classificada para disputar (saiba lá com que elenco) os playoffs do NBB, que não tem data para ser retomado. A decisão veio na sequência de outra parecida. Na terça (15), o Bauru Basket anunciou que estava desistindo do NBB e que inclusive dispensou todo o elenco.

Cenário preocupante

Todos estes fatos só mostram que o cenário pós-coronavírus para o esporte olímpico do Brasil será muito complicado. Algo terrível para uma sequência de crise financeira que vem atingindo diversas modalidades desde o final da Olimpíada Rio-2016. No atual ciclo olímpico, o apoio estatal reduziu-se ao mínimo possível. Diante da dimensão dos problemas que a pandemia traz para a economia de modo geral, a situação não tem como melhorar.

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Este temor pelo que virá na sequência desta crise existe dentro do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Em recente entrevista ao blog, Jorge Bichara, diretor de esportes da entidade, mostrava preocupação com a própria manutenção do sistema esportivo e de investimentos.

Não se deve tirar de vista que a preparação olímpica para Tóquio vai prosseguir. Não se sabe quando, é verdade. Mas em algum momento os treinamentos e competições serão retomados. E não se espante se a falta de recursos atrapalhar a reta final do treinamento dos atletas brasileiros.

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Para um sistema frágil como é o das nossas confederações olímpicas, a grande maioria dependente quase que exclusivamente dos repasses da Lei Agnelo/Piva, a sobrevivência ao coronavírus será um desafio tão duro quanto encarar qualquer quarentena.

* Nota: segundo informou a assessoria da Sogipa, em contato com o blog, ainda não foi definido se haverá ou não corte nos salários dos atletas do clube, como publicado anteriormente. O post foi atualizado.

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