Siga o OTD

Brasil - Pré-Olímpico Mundial

Laguna Olímpico

Erros do passado explicam decepção do basquete feminino

A quase eliminação para Tóquio-2020 começou bem antes da incrível derrota para Porto Rico

Erros do passado explicam decepção do basquete feminino

Tem horas em que é preciso manter a cabeça fria. Claro que após uma derrota inacreditável como esta da seleção brasileira feminina de basquete diante de Porto Rico, pelo Pré-Olímpico mundial, nesta quinta-feira (6), é difícil não perder a compostura. Ainda mais que foi uma derrota que praticamente sacramentou o adeus nas chances de classificação do time brasileiro para Tóquio-2020.

Como não se descabelar ao lembrar que o mesmo time que dominou com relativa tranquilidade a partida durante três quartos, tenha sofrido um apagão assustador na última parcial, vendo as porto-riquenhas levarem a partida para a prorrogação. E por pouco não venceram no tempo normal.

+ O blog está no Twitter. Clique e siga para acompanhar

Então, sobra reclamação para uma bandeja errada debaixo da cesta, um arremesso de três feito sem qualidade, um “air ball” inacreditável em um momento decisivo. Sim, as atletas (e o treinador José Neto) estiveram em uma jornada extremamente infeliz em Bourges (FRA), uma das sedes dos quatro pré-olímpicos mundiais.

O fato de saber que três dos quatro participantes da chave irão à Olimpíada – o que significa dizer que uma vitória do basquete feminino do Brasil nesta quinta-feira praticamente carimbaria o passaporte – aumenta a dramaticidade deste resultado.

+ Curta a página do blog no Facebook

Mas saiba que se a vaga olímpica não vier, como tudo indica não virá, as causas estão muito além do que demonstra a decepcionante derrota desta quinta-feira em Bourges.

Para quem não se lembra, o basquete brasileiro ainda passa por um doloroso processo de reformulação em sua entidade máxima, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete). A temerária gestão do ex-presidente Carlos Nunes literalmente faliu a CBB. Uma suspensão internacional aplicada pela Fiba (Federação Internacional de Basquete), no final de 2016, foi a gota d’água em termos de vexame.

+ O blog também está no Instagram. Siga

Eleito para o lugar de Nunes, o novo presidente Guy Peixoto tenta reconstruir a casa, mas não conseguiu solucionar de vez os problemas financeiros da entidade. Até hoje, a CBB não tem um patrocinador master, em pleno ano olímpico, por exemplo.

E chegamos então ao problema do basquete feminino.

Não é dos tempos atuais que a modalidade sofre com a falta de atenção e estrutura. O que não é privilégio do Brasil, diga-se de passagem. A própria Fiba demonstra pouca atenção com as mulheres nas quadras, isto é histórico. Basta dizer que para o próximo Mundial há uma proposta em reduzir de 16 para 12 seleções participantes. O masculino vive um momento oposto, tendo sua Copa do Mundo com 32 países.

Reconstrução no basquete feminino

Em nosso quintal, as coisas também não andaram bem nos últimos anos. Indefinições de treinadores, problemas no trabalho de renovação do grupo, pouco intercâmbio com equipes relevantes. Tudo isso contribuiu para que o Brasil sequer conquistasse a vaga para o Mundial de 2018.

O ano passado marcou uma mudança para melhor nesta situação. A decisão de colocar um treinador sem ligação com o basquete feminino, mas extremamente vencedor como José Neto, mostrou-se completamente acertada.

O trabalho de reconstrução entre as meninas começou há menos de um ano, esta é a verdade. Ainda assim, implantando uma nova mentalidade tática, o time conseguiu uma medalha de ouro no Pan-Americano de Lima, jogando muito bem. Também teve atuações convincentes na Copa América e no Pré-Olímpico das Américas.

Mas quando tinha que vencer, o time sentiu o peso. A falta da experiente pivô Clarissa, não recuperada de uma tendinite, e a eliminação por cinco faltas de Damiris no final da partida, também contribuíram para a derrota.

A matemática mostra que o Brasil ainda está vivo na competição. Mas para se classificar, precisaria derrotar a França (o que não acontece desde 2002) e/ou a Austrália (derrotada pelas brasileiras pela última vez também em 2002). É praticamente impossível.

O que não pode é se levar pelo emocional e querer jogar fora um trabalho a longo prazo, que o próprio Neto já havia lá em Lima que precisa ser feito. A reconstrução do basquete feminino do Brasil, que tantas alegrias já trouxe ao torcedor, está apenas começando. Mesmo que a raiva pela derrota nesta quinta-feira não traga motivos para otimismo.

Mais em Laguna Olímpico