A esgrima brasileira estabeleceu um novo patamar de expectativas para o Campeonato Mundial Cadete e Juvenil do Rio de Janeiro, marcado para abril deste ano. Após resultados históricos na etapa de Bogotá da Copa do Mundo de sabre da categoria, Ana Beatriz Fraga, de 16 anos, e Marcus Pinto, de 15, alcançaram a terceira colocação em seus respectivos rankings mundiais cadete.
+ SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK
O desempenho na Colômbia foi marcado por conquistas inéditas. Ana Beatriz Fraga conquistou a medalha de ouro no sabre cadete de forma invicta, tornando-se a primeira brasileira a vencer uma etapa deste circuito organizado pela Federação Internacional de Esgrima (FIE). No dia seguinte, competindo na categoria júnior (sub-20), a atleta somou mais uma medalha, desta vez de prata, sendo superada na final pela porto-riquenha Gabriela Maria Hwang por 15 a 10.
No masculino, Marcus Pinto garantiu a medalha de bronze na categoria júnior. Com uma campanha sólida desde a fase de poules, o esgrimista superou nomes de destaque da China e da Nigéria antes de cair na semifinal diante de Jintao Yao (13 a 15). No cadete, Marcus encerrou sua participação na quinta posição. Além disso, Marcus e Ana ajudaram o país a conquistar os títulos por equipes da etapa.
DNA Esportivo
A trajetória dos jovens atletas é acompanhada por um forte histórico familiar no alto rendimento. Marcus Pinto nasceu em Nova York, em 2010, seis anos após a migração de seus pais para os Estados Unidos. Ele é filho de Bibiane Pinto, integrante da seleção brasileira de ginástica rítmica que conquistou a medalha de prata histórica nos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991.
“Na minha casa o esporte é muito importante. Meus pais tentaram tudo. Eu comecei no beisebol, basquete, futebol, natação, tênis… mas eu vi um desenho de uns caras fazendo esgrima e falei: ‘Mamãe, eu quero fazer isso'”, contou Marcus. Sobre o passado e influência da mãe, ele fala com muito orgulho. “Ela sabe como nos guiar nesse mundo. Os outros pais não sabem como é difícil, ela sabe”.
Ana Beatriz também carrega herança da ginástica. Seu pai, Rafael Fraga, foi atleta de ginástica artística com conquistas em nível nacional. “Meus pais sabiam a importância que era o esporte para a disciplina e para o respeito. Eles deixaram como obrigatório fazer um esporte, independente de ser competitivo ou não”, revela a esgrimista. Ela iniciou na modalidade em 2017 e quase desistiu da modalidade durante a pandemia.
Estilos distintos
Dentro da pista, os atletas apresentam características distintas. Marcus Pinto se descreve como um esgrimista estratégico e paciente. “Eu gosto de começar lento para ver o que o meu oponente está fazendo. Eu espero mais que a maioria das pessoas e mudo o ritmo para deixar o oponente adivinhando”, explicou.
Por outro lado, Ana Beatriz adota uma postura de maior intensidade emocional e uma agressividade controlada. “Eu sou uma pessoa muito emocional. No jogo de esgrima, estou tentando dar meu máximo sempre e sempre muito fervorosa. Eu ataco, defendo, tento fazer de tudo”, definiu a sabrista.
Horizonte 2026
O foco de ambos agora converge para o Mundial em solo brasileiro. Com o topo do ranking mundial ao alcance, a meta é o pódio. Marcus é direto sobre sua ambição. “Indo como terceiro do mundo, estou tentando ir lá para ganhar, para medalhar”.
Para Ana Beatriz, o fator casa é um motivador adicional para o crescimento da modalidade no país. “Espero que eu consiga ir muito bem, independente de medalhar ou não. Medalhar é um objetivo que quero muito, mas um quadro de quartas de final seria muito bom para destacar a esgrima brasileira”, projetou.