A medalha de bronze ficou no peito, mas Giovani Felipin deixou o tatame dos Jogos Sul-Americanos Santa Fé-2026 com uma sensação diferente. O brasileiro comemorou o pódio no kumite masculino acima de 84 kg, mas admitiu que o resultado veio acompanhado de um “gostinho amargo”.
O motivo foi a forma como a competição começou. Na primeira luta da categoria, contra o venezuelano Joaquin Sánchez, Giovani tinha a vitória nas mãos, mas deixou escapar no último segundo. “Essa medalha de bronze tem um gostinho um pouco amargo. Eu estava ganhando uma luta contra a Venezuela, uma luta decisiva, ganhando de 5 a 4. A gente acabou tendo uma troca de golpe e os dois foram para o médico. Eu cortei a minha boca e ele o nariz. No caratê você pode tomar até quatro faltas. Na quinta você é desclassificado. Eu já tinha tomado a penúltima falta e acabei tomando a última e fui desclassificado”, lamentou.
O resultado tirou do brasileiro a possibilidade de disputar diretamente o ouro, mas não encerrou sua caminhada em Santa Fé. Giovani reagiu, venceu os confrontos seguintes, terminou a fase de grupos na segunda colocação e garantiu a medalha de bronze ao derrotar o argentino Brando Ledesma.
Apesar da frustração, Giovani reconhece que situações como essa fazem parte da modalidade. “Esporte é isso. O caratê é muito disso. Você pode mudar uma luta faltando um segundo, faltando um minuto. É sair com a lição daqui, voltar a treinar, corrigir e, se Deus quiser, conquistar outras medalhas.”
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Reação para buscar o bronze
Depois do golpe duro na estreia, Giovani precisou rapidamente mudar a chave para seguir vivo na competição. O brasileiro venceu os três seguines da fase de grupos contra Tomas Dotta, do Uruguai, Ivan Britos, do Paraguai, e Gael Muñoz, da Bolívia, e se classificou para a disputa do bronze. Na disputa da medalha, enfrentou o argentino Brando Ledesma e venceu por 4 a 1, garantindo mais um pódio para o Brasil no primeiro dia do caratê em Santa Fé.
Além da medalha de bronze, Giovani Felipin deixou Santa Fé com uma conquista ainda mais importante: a classificação para os Jogos Pan-Americanos de Lima-2027.
A vaga dependia do resultado da final do kumite masculino acima de 84 kg. Como Chile e Venezuela chegaram à decisão, o brasileiro precisava torcer por uma vitória venezuelana para garantir sua classificação.
E foi exatamente o que aconteceu. Joaquin Sánchez, o mesmo adversário que havia enfrentado Giovani na primeira luta da competição, derrotou o chileno Rodrigo Rojas na final e assegurou a vaga continental para o Brasil.
A situação criou uma história curiosa dentro da competição. Sánchez foi responsável pelo momento mais duro de Giovani em Santa Fé, ao vencer a luta por desclassificação quando o brasileiro estava à frente no placar. Horas depois, o venezuelano também foi o responsável por abrir o caminho para a classificação do brasileiro ao Pan.
Um ano de grandes resultados
Mesmo com a frustração pelo resultado que poderia ter sido diferente, Giovani encerra 2026 satisfeito com a temporada construída. “Foi um ano muito bom para mim. Eu ganhei uma etapa de Série A, depois fui para a Premier League, que é uma outra etapa de Liga Mundial, fiquei em bronze, fui vice-campeão sul-americano e agora conquistei bronze nos Jogos Sul-Americanos.” Antes de encerrar definitivamente o calendário internacional, Giovani ainda terá uma competição na Rússia. “Trabalhar agora e o ano que vem ser um ano melhor ainda, se Deus quiser.”



