Poucos dias depois de conquistar a primeira medalha de sua carreira em um Campeonato Mundial, Gabriel Nascimento volta à água em território brasileiro. O canoísta de 20 anos será um dos destaques do Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem, que começa nesta quinta-feira (3), na Lagoa Central, em Lagoa Santa (MG), e segue até domingo (6). A competição terá 534 atletas de 36 clubes e 260 provas.
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Gabriel chega ao Brasileiro embalado pela prata conquistada ao lado de Jacky Godmann no C2 500m do Mundial de Poznan, na Polônia. Os brasileiros completaram a final em 1min39s81 e ficaram a 58 centésimos do ouro. O resultado representou ainda a primeira medalha masculina do Brasil em um Mundial de canoagem velocidade sem Isaquias Queiroz na embarcação.
A competição em Lagoa Santa também traz uma lembrança especial para Gabriel. Foi no Brasileiro do ano passado que ele conquistou uma das vitórias mais simbólicas de sua ainda curta carreira. No C1 1000m, superou Isaquias pela primeira vez em uma competição nacional e encerrou uma sequência de seis títulos consecutivos do campeão olímpico na prova.
Quem é Gabriel Nascimento?
Gabriel Assunção Nascimento nasceu em Ubatã, no interior da Bahia, e atualmente representa a Associação Cacaueira de Canoagem, a ACC. Sua história começou longe da estrutura de grandes centros esportivos. Ainda menino, Gabriel vivia com a família na zona rural e acompanhava os treinamentos de canoagem realizados no Rio de Contas. Marcos Costa Lima, o Marcão da Canoagem, percebeu características físicas para o esporte e passou a incentivá-lo a experimentar a modalidade. Antes de se firmar como atleta, Gabriel dividia a rotina entre a escola, tarefas da propriedade rural e trabalhos ligados à colheita de cajá e cacau.
A evolução foi rápida. Ainda adolescente, passou a representar o Brasil nas categorias de base e disputou Mundiais Júnior e Sub-23. Em 2024, esteve no Mundial Sub-23 de Plovdiv, na Bulgária, nas provas de C1 1000m e C1 500m. No ano seguinte, alcançou o primeiro grande resultado mundial de base. Gabriel conquistou a prata do C2 500m Sub-23 ao lado de Mateus Nunes no Mundial realizado em Portugal. Pouco depois, fez sua estreia no Campeonato Mundial sênior, em Milão.
Entre os melhores do mundo
A estreia entre os adultos mostrou que Gabriel já estava pronto para competir no mais alto nível. Em Milão-2025, terminou em quinto lugar no C1 500m. No C2 500m, formou dupla com Jacky Godmann e chegou ainda mais perto do pódio: os dois ficaram na quarta colocação, com 1min41s19.
Os resultados renderam reconhecimento ao fim da temporada. Gabriel e Jacky foram escolhidos pelo Comitê Olímpico do Brasil como os destaques de 2025 da canoagem velocidade no Prêmio Brasil Olímpico. Em 2026, Gabriel deu outro salto. Na etapa de Brandemburgo da Copa do Mundo, ficou com o bronze no C1 500m, atrás apenas de Isaquias Queiroz e do chinês Ji Bowen. Foi seu primeiro grande pódio internacional na distância.
Depois, em Montreal, alcançou um feito ainda maior ao vencer o C1 200m da Copa do Mundo. Com isso, tornou-se o primeiro brasileiro além de Isaquias a conquistar um ouro em etapa do circuito mundial da canoagem velocidade em dez anos. Gabriel também integrou o C4 brasileiro que conquistou a prata em Montreal, ao lado de Mateus Nunes, Isaquias e Jacky.
Prata no Mundial confirma ascensão

A progressão ficou ainda mais clara no Mundial de Poznan. Além da prata no C2 500m, Gabriel disputou individualmente o C1 200m e terminou em quarto lugar, depois de vencer a semifinal.
Gabriel ainda não disputou Jogos Olímpicos. Ele não esteve entre os convocados da canoagem velocidade brasileira em Paris-2024, quando o país foi representado na canoa masculina por Isaquias Queiroz, Jacky Godmann e Mateus Nunes.
Antes disso, porém, ele já havia acumulado experiência continental. Gabriel participou de competições sul-americanas e pan-americanas nas categorias de base e iniciou a trajetória internacional ainda adolescente. Agora, volta ao Brasileiro como um atleta diferente daquele que surpreendeu Isaquias em Lagoa Santa no ano passado: medalhista de Copa do Mundo e, principalmente, vice-campeão mundial.



