Nos últimos ciclos olímpicos, a canoagem velocidade se consolidou como um dos esportes de maior destaque e rendimento para o Brasil, com um histórico recente de medalhas que colocou o país no mapa global da modalidade. Agora, a corrida para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 já começou, e a comissão técnica de Lauro Pinda precisou adaptar o planejamento diante de um novo cenário de classificação.
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Fazem parte do programa a canoa individual, chamada de C1, e as em dupla, o C2, nos dois naipes. Além do caiaque individual (K1), duplas (K2) e de quatro remadores (K4).

A nova corrida olímpica e a estratégia
Para o ciclo de LA 2028, o sistema de classificação sofreu alterações. Em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia, o treinador da seleção brasileira, Lauro Souza Junior, o Pinda, explicou que o foco atual é garantir segurança logo no início para gerenciar o desgaste no futuro.
O novo formato da corrida olímpica da canoagem baseia-se em um ranking acumulativo. Para garantir a vaga, os países precisam somar os oito melhores resultados obtidos ao longo do ciclo, até o final de 2027. Diferente de ciclos anteriores, onde uma única competição (como o Mundial pré-olímpico) distribuía a grande massa de cotas, o sistema atual premia a constância. Quem se mantém nas cabeças durante todo o ciclo garante a tranquilidade da vaga de forma antecipada.

“A ideia era, nesse primeiro ano, a gente correr todas as competições com todas as embarcações principais para que a gente conseguisse se posicionar bem no ranking”, explica Pinda. “Isso nos permite, no próximo ano, escolher mais as competições e levar embarcações distintas. Talvez no ano que vem eu não leve as embarcações principais para todas as provas, o que permite poupar alguns atletas e dar rodagem para outros que estão surgindo.”
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Metas para o Mundial e futuro do caiaque
O primeiro grande teste prático dessa estratégia ocorre no Campeonato Mundial, em agosto. A comissão técnica está com a calculadora na mão: o pódio é o sonho, mas a constância no ranking é a prioridade matemática.
“No mundial, a gente quer ganhar medalhas, né? Mas o mais importante é estar bem colocado nas provas que valem pontos pro ranking”, finaliza. “No C2, se mantendo ali sempre entre os 5 melhores, a gente consegue fechar esse primeiro ano de ranking muito bem. Já no C1, a gente precisa estar em primeiro ou segundo em alguma prova (1000m, 500m ou 200m). Não adianta ficar em quinto, porque se ficamos em quinto no C1 200, a gente perde para 8 atletas que estão no C1 1000 e no C1 500 à nossa frente.”
E o Caiaque?
Enquanto a canoa ajusta suas formações em busca dos pontos, o caiaque vive uma realidade paralela, focada em um planejamento a longo prazo.
“Com o caiaque, a estratégia é um pouco diferente”, revela o treinador. “A gente não tem o objetivo de ranquear os atletas pelo sistema de pontos. O objetivo desse time é remar o qualificatório olímpico continental em 2028, que vai ser no Brasil. Eles já estão treinando para isso em Lagoa Santa.”
Pinda também apontou o déficit estrutural dos clubes como um gargalo. “Infelizmente, o sistema de clubes do Brasil hoje é muito ingrato. Por isso, a confederação está investindo em alguns clubes em regiões do Brasil, colocando treinadores e infraestrutura para que consigam chegar nas seleções de base e principais com mais qualidade.”



