Apresentado na última quarta-feira (18/6), o brasileiro Tiago Splitter, de 41 anos, conversou com a imprensa e foi direto sobre o que espera dos próximos anos em Chicago.
Splitter é o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de técnico principal de uma franquia da NBA desde o começo de uma temporada e revelou recentemente que desde sua infância é fã do Bulls e está honrado de ser treinador da equipe. “Espero que o Chicago, nos próximos anos, tenha uma ascensão e que a gente possa competir por títulos no futuro.”
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O Chicago Bulls terminou a última temporada com 31 vitórias e 51 derrotas, ficou fora dos playoffs pela quarta vez seguida e assim trocou sua diretoria. Splitter chega com as picks 4 e 15 no draft, que acontece amanhã (23) e na quarta-feira (24).

Estilo de jogo e cultura como pilares
Splitter deixou claro o que quer implantar na quadra: uma identidade coletiva forte, jogo rápido e com cestas fáceis. “Criar uma cultura é o mais importante de tudo”, afirmou.
Em Portland, como interino na temporada passada, terminou entre os dez melhores defensivos da liga nos últimos 51 jogos, liderou a NBA em segundas chances de pontos e chegou ao play-in com 42 vitórias numa temporada que começou em crise, depois que Chauncey Billups foi afastado no primeiro jogo por envolvimento em escândalo de apostas ilegais.
Chicago também virou uma opção pela oportunidade de construir algo do zero, afinal, o time está em reconstrução, a saída de Coby White e Nikola Vučević abre o leque de opções para o novo treinador.
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Mestre Splitter: paciência
Splitter foi realista ao falar sobre expectativas. Para ele, desenvolvimento de jovens e vitórias imediatas não andam juntos. “Quando você desenvolve jogadores, isso significa que você vai perder muitos jogos. Quanto melhor eles forem se desenvolvendo, mais vitórias vão vir no futuro. É uma paciência que a gente tem que ter, e é um processo longo”, disse.

Splitter não revelou preferências ou nomes para o draft, mas reconheceu o peso da escolha de número 4 numa geração que classificou como muito boa. O Bulls entrou na fila dos times que apostam no desenvolvimento a longo prazo, modelo já consolidado em franquias como San Antonio e Oklahoma City. “A projeção de futuro, poder começar um time do zero”, disse Splitter ao explicar o que pesou na decisão.
Pioneiro que já pensa no próximo passo
Splitter acumula pioneirismos no basquete brasileiro: foi o primeiro campeão como jogador na NBA, com o San Antonio Spurs em 2014, o primeiro a levar uma franquia ao playoff como técnico e agora o primeiro a comandar um time desde a pré-temporada.
“Espero que eu seja o primeiro de muitos.”
No dia a dia, porém, está focado no processo: “No dia a dia, eu não penso muito nisso. Tenho outros objetivos: agora a gente tem o draft, tenho que escolher quem vai estar comigo junto”, explicou.
O que precisa mudar no basquete brasileiro
Por fim, Splitter também falou sobre o desenvolvimento do esporte no Brasil. Para ele, a solução começa na base: “Quanto mais jogadores estiverem praticando basquete, melhor. A qualidade vai sair da quantidade.”
O técnico defende investimento em outros esportes além do futebol e citou Vitor Galvani como exemplo de brasileiro abrindo portas na liga da bola laranja.
E reforçou que sua chegada ao Bulls não foi por acaso: “Eu não estou aqui porque sou brasileiro. Estou aqui porque fui o escolhido. Tive uma boa temporada, uma trajetória até aqui.”