Damiris Dantas, uma das figuras mais conhecidas da Seleção Brasileira de basquete, completou dez temporadas na WNBA. Um dia após seu aniversário, recebeu uma homenagem pelos 15 anos de atleta Nike. A jogadora conversou com o OTD durante a semana de treinamentos que a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) convocou as jogadoras para um camp.
O objetivo principal do encontro da Seleção foi fortalecer seu entrosamento visando a preparação ao Pré-Mundial que ocorre em março, em Wuham, na China. Na entrevista, Damiris se mostrou confiante com o que o grupo pode apresentar na competição. Além disso, comentou de como está a adaptação do time com a técnica norte-americana Pokey Chatman e fez um balanço da temporada no Indiana Fever.
“O ponto principal é que todo mundo aqui quer muito, desde a menina que chegou aqui pela primeira vez ou eu que estou aqui a mais tempo, junto com Tainá, Alana, Rafa. Estamos em um grupo muito entrosado e visando a mesma coisa, todo dia muito focadas. Se precisamos, ficamos uma, duas ou três horas para nosso grande objetivo. Então, esse trabalho está sendo muito produtivo, muito duro e cansativo, porém está fluindo de uma maneira muito gostosa e isso pode fazer uma grande diferença”, enalteceu Damiris.
É inevitável olhar para Damiris hoje e não enxergar uma liderança técnica e emocional da Seleção Brasileira. Acabou de completar 33 anos, pôde comemorar o aniversário ao lado das companheiras, enquanto treinava no Centro Olímpico, em São Paulo. “Foi uma semana muito importante, essa janela deu para usarmos da melhor maneira possível. Estar com as meninas aqui em São Paulo, com a coach dando os treinos, passando os comandos, foi muito importante também. Serviu para aprimorar o entrosamento para esse pré-Mundial. Meninas novas que nunca estiveram na Seleção, tiveram o primeiro contato agora.”
Evolução da Seleção
Do vice-campeonato da AmeriCup, em meados de 2025, até esse momento, Damiris enxerga, sobretudo, passos de evolução que o time do Brasil está fazendo.
“Viemos em uma crescente muito legal. A AmeriCup foi primeiro momento de um encontro com a Bella Nascimento chegando, que ninguém conhecia. Também a Pokey chegando. Acho que essa mescla das mais experientes com as meninas novas chegando está dando gosto de ver. Eu as vejo querendo muito, buscando, indo jogar fora, se dedicando nos clubes, estamos direto em contato com a comissão técnica. Então, acho que é um grupo muito promissor, estou muito confiante, as expectativas são muito altas. Sabemos que temos que trabalhar duro, porque não vai ser fácil. Mas é um saldo bem positivo”, avaliou Damiris.
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Assim, essa evolução ganhou mais um degrau com a semana de camp que a Seleção teve e que foi proveitosa também para entender melhor como a treinadora Pokey Chatman pensa o jogo. Damiris é uma das que estão acostumadas ao estilo norte-americano, porém o refinamento e a interlocução com outras atletas só vem nesses momentos de treinamentos.
“A Pokey tem uma vibe, uma energia muito legal. Inclusive, as meninas comentaram muito sobre a leveza com que ela traz o que ela quer. A execução fica mais fluída, mais leve. As meninas trouxeram um feedback bem legal. Particularmente, gosto muito da Pokey, temos uma conexão muito boa. Não trabalhamos juntas na WNBA, mas já trabalhou com Clarissa, Érika e Nádia, se não me engano. Então, ela gosta muito do Brasil, está muito disposta a fazer o melhor possível para esse time”, explicou Damiris.
Temporada com Indiana Fever
No pré-Mundial, as brasileiras terão Mali, Sudão do Sul, Bélgica, República Tcheca e China, com as três primeiras seleções garantindo sua vaga. Assim, Damiris e as demais ainda terão algum tempo para continuar sua evolução em seus clubes. Por falar em clubes, a atleta não revelou se, enquanto aguarda a nova temporada da WNBA com o Indiana Fever, aturará na temporada europeia, como fez nas últimas duas, na Turquia.
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Contudo, apesar de Damiris lamentar a não atuação nos momentos finais da principal liga nos Estados Unidos ao lado do Indiana, ela avaliou seu retorno como positivo.
“Da temporada de 2024 para esse ano, estou bem feliz. Depois que eu tive alguns problemas e voltei para a WNBA, estou cada vez mais amadurecendo e entendendo o meu momento agora. Respeitando o meu corpo, respeitando minha saúde mental, que é o mais importante, é o que estou priorizando. Infelizmente, não consegui jogar as finais porque eu bati a cabeça e fiquei dois meses parada. Eu venho amadurecendo bastante e entendendo o momento que estou vivendo. Acho que foi uma temporada muito boa, muito produtiva, mesmo sentindo que posso mais. Estou me preparando para a próxima temporada, estou me cuidando e, se Deus quiser, vai dar tudo certo”, ponderou.
Damiris fez 38 jogos pelo Indiana em 2025, com médias de 4,6 pontos e 2,4 rebotes em 11,6 minutos saindo do banco. Foi sua segunda temporada com o Fever e a décima na principal competição de basquete do mundo.