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Na última live do COB, racismo no esporte é debatido

Filósofa Djamila Ribeiro enfatiza: ‘É preciso falar sobre esse tema’; Iziane Marques e Arnaldo Oliveira compartilham experiências

O racismo foi tema de debate na última Live Especial do COB (Comitê Olímpico do Brasil). O encontro teve Arnaldo Oliveira, Djamila Ribeiro e Iziane Marques
COB faz live com Djamila Ribeiro, Iziane Marques e Arnaldo Ribeiro (divulgação/COB)

O racismo foi tema de debate na última Live Especial do COB (Comitê Olímpico do Brasil). O encontro reuniu Arnaldo Oliveira, medalhista olímpico no revezamento 4X100m em Atlanta-1996, Djamila Ribeiro, escritora e filósofa, e Iziane Marques, atleta olímpica de basquete. A conversa marcou o lançamento do Programa de Prevenção e Enfrentamento do Racismo da entidade.   

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“É importante a gente entender que racismo não é um tema específico, ele é estrutural na sociedade brasileira. Independente da área que a gente esteja falando, seja no esporte, seja no mundo corporativo. O racismo não é algo do campo somente do individual é uma estrutura que nega oportunidades iguais, que impede a mobilidade social, que desumaniza, que colocou a população negra em um lugar de inferioridade social”, disse Djamila Ribeiro.

“É preciso falar sobre racismo. A gente precisa se informar sobre racismo, sobre sexismo, ler sobre isso, entender como isso foi construído historicamente, por que isso orienta a nossa prática. Quando discutimos desigualdade, a gente vai entender a necessidade de ter diversidade. A gente entende quais foram as construções sociais do racismo, como essas desigualdades foram desconstruídas, a gente se responsabiliza por essa mudança, mas isso passa, necessariamente por um processo de educação antirracista que é fundamental” completou.   

Sentindo na pele, fora do esporte

Arnaldo OliveiraIziane Marques comentaram suas experiências e lembraram que vivenciaram o racismo fora do esporte. O medalhista olímpico de 1996 contou que em sua instituição social Projeto Futuro Olímpico ele ensina a igualdade.

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“No atletismo, eu nunca sofri nenhum ato de racismo, pelo contrário, sempre tive o apoio de todos. Mas fora do atletismo sim. Sabemos que isso precisa acabar, que é um problema cultural. A pessoa não pode se achar superior por causa de sua cor. O esporte me ensinou bastante e hoje eu tenho um projeto social aqui no Rio de Janeiro que ajuda a tirar crianças de situação de risco. Temos brancos, negros, pardos e todos são tratados igualmente. Tentamos mostrar para eles que vamos seguir juntos, independente da raça, independente da cor”.     

“Eu, como o Arnaldo, nunca sofri racismo dentro do esporte. Eu sofri quando sai do meu país para jogar basquete. Sai de um país predominantemente negro para países brancos, onde eu via poucas pessoas negras. E ai eu senti um pouco mais essa questão racial”, relembrou Iziane, que jogou nos Estados Unidos e Europa.    

O racismo foi tema de debate na última Live Especial do COB (Comitê Olímpico do Brasil). O encontro teve Arnaldo Oliveira, Djamila Ribeiro e Iziane Marques
Iziane Marques, participou de bate papo que discutiu o Programa de Prevenção e Enfrentamento do Racismo do COB (arquivo)

Programa de enfrentamento

A iniciativa do COB teve a origem na ideia da entidade de falar de assuntos que são transversais ao esporte. Levando em conta que todos os envolvidos no esporte tem que conviver em um ambiente seguro, em todos os sentidos, o Comitê quer que seja possível que os envolvidos com o universo esportivo possam enfrentar todo tipo de violência. 

O objetivo do programa do COB é desenvolver ações de reflexão e discussão sobre a temática das relações raciais. Com isso, buscar prevenção, enfrentamento e superação das desigualdades.

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