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Santa Fé 2026

 

Amigos de infância, “pupilos” de Ygor Coelho reeditam clássico em final do Sula



Jonathan Matias e Donnians Oliveira cresceram juntos no badminton, dividem treinos e até casa, e agora disputam novo ouro nos Jogos Sul-Americanos



Amigos de infância, Jonathan e Donnians fazem final brasileira no Sula
Foto: Jonne Roriz/COB

A final da simples masculina do badminton nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé-2026 terá um duelo brasileiro com uma história especial por trás. Amigos desde a infância, Jonathan Matias e Donnians Oliveira cresceram juntos no esporte, dividem treinos, convivência e desafios, e agora estarão frente a frente valendo outra medalha de ouro.

Os dois atletas são parte da nova geração do badminton brasileiro e chegaram à decisão após uma campanha dominante da delegação em Rosário. Além da final da simples masculina, o Brasil também garantiu presença nas outras quatro decisões da modalidade, sendo que em três o duelo será 100% verde e amarelo.

Mas antes de serem adversários, Jonathan e Donnians foram companheiros de jornada desde o início, na Associação Miratus de Badminton, localizado na comunidade da Chacrinha, no Rio de Janeiro. Os dois começaram cedo no esporte e construíram uma relação marcada pela rivalidade nos treinos e pela amizade fora das quadras.

“Eu acho que a gente é totalmente diferente e desde pequeno a gente brigava muito dentro dos treinos. Às vezes ele estava quieto e eu ia lá e enchia o saco dele, aí ele se irritava e aí ele ficava suspenso do treino por causa de mim. E muito mesmo por causa de mim”, contou Donnians.

Jonathan também relembrou a relação construída desde a infância e destacou como a disputa entre os dois ajudou no crescimento de ambos.

“Eu acho que dentro de quadra tem essa rivalidade, porque um quer ganhar do outro. Cada um tem os seus objetivos, então não quer deixar barato a partida”, revelou.

“Fora da quadra é uma coisa totalmente diferente. Entrando na quadra a gente pode se considerar inimigos quando entra, mas fora dela a gente treina junto, a gente tem que se ajudar, um puxa o outro. Ele está indo bem, eu estou indo bem. Então um quer ir atrás do outro, um quer ganhar, o outro também quer ganhar”.

“E essa rivalidade é boa, porque eu puxo o nível meu, eu puxo o nível dele. Quando a gente vai para fora, a gente acaba pegando outros atletas que também são bons e a gente ganha. Porque essa rivalidade faz a gente nunca relaxar por conta dos treinos e dos jogos. A gente sempre fala: tem que estar melhor, tem que estar melhor. E consequentemente a gente chega fora e ganha do pessoal que tem que ganhar”, completou o badista que hoje defende as cores do Paulistano.

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Juntos o tempo todo

A proximidade entre os dois ultrapassa as quadras. Jonathan e Donnians dividem a rotina de preparação e também moram juntos, algo que, segundo eles, fortalece a parceria. “Tempo todo junto, treinando junto, treina toda vez. Ele tem que me aturar todo santo dia, porque eu encho o saco de todo mundo lá na casa”, brincou Donnians.

Apesar da final colocar os dois em lados opostos, Donnians destacou que a relação construída ao longo dos anos continua sendo de apoio.

“Eu acho que a rivalidade fica dentro da quadra. O meu princípio fora da quadra é tentar ajudar ao máximo, dentro das condições. O Jonathan é um excelente atleta, de um nível altíssimo”, observou.

“A minha ideia é que eu sempre tente ajudar. Alguns dias eu não consigo, mas eu sempre busco tentar ajudar o máximo possível. Claro, ele está em um clube diferente hoje e eu estou em outro clube diferente, mas dentro da quadra e fora dela, no dia a dia, eu tento fazer o máximo que eu possa para estar ajudando”.

O caminho aberto por Ygor Coelho

A trajetória dos dois também passa por uma referência do badminton brasileiro: Ygor Coelho. Para Donnians, o irmão mais velho que representou o Brasil em três Jogos Olímpicos ajudou a abrir portas para a nova geração.

“Eu acho que o Ygor pavimentou o caminho, porque no início ele teve que traçar tudo basicamente sozinho. Claro, ele teve o apoio da Confederação a nível de torneio, onde ele iniciou, mas depois, quando ele foi para fora, ele estava numa rua escura. Então ele foi clareando os caminhos, que hoje, para a nova geração, é um caminho pavimentado, já é um caminho asfaltado”.

Jonathan também destacou a importância do legado deixado por Ygor para o crescimento da modalidade no país.

“Eu acho que ele fez o esporte um pouco mais forte, ele trouxe mais patrocínio, e hoje a gente tem não só os simples masculinos que era o que a gente tinha. Hoje a gente tem uma equipe completa, então acho que isso foi bom, porque ele alcançou coisas que agora estão vindo outros atletas que estão alcançando também. Ele rompeu algumas barreiras, fez com que outros atletas acreditassem no que podia se chegar e no que também a gente ainda tem para chegar. Acho que foi muito bom todo o trabalho que ele fez nesses anos”.

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Sonho olímpico

A decisão em Santa Fé acontece em um momento de crescimento do badminton brasileiro. Jonathan vive uma fase de ascensão no ranking mundial, enquanto Donnians busca transformar bons resultados em uma trajetória consistente.

“Eu acho que cada um aqui tem objetivos, em tese a nível de ranking diferente. O Jonathan agora está no top 70 mundial, então a exigência para conseguir melhores pontos é em torneios muito mais difíceis. Eu sei que hoje eu não estou num nível tão alto assim para estar dentro dos torneios que ele possa entrar. Então a minha ideia é que comece de baixo”, avaliou Donnians. Jonathan, que fez o ciclo de Paris, sabe o tamanho do desafio pela frente.

“Eu, por já ter vivido uma corrida olímpica, tenho um pouco mais de experiência e penso que já é totalmente diferente do que a gente está vivendo. Porque, para as Olimpíadas, a corrida, a gente não joga tanto contra um ou outro, mas contra todo mundo”, relembrou.

“A parte mais difícil é essa, porque a gente vai ter muitos oponentes que são bons atletas, que também estão em busca do seu próprio sonho. Acho que vai ser uma boa batalha e eu estou ansioso, esperando o momento chegar para a gente curtir essa jornada.”

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