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Kevin Aguero nos 400 m com barreiras: de Ponta Porã ao topo do continente



Aos 17 anos, jovem recordista sul-americano Sub-18 mira os Jogos Olímpicos da Juventude após se destacar no campeonato nacional



Kevin Aguero durante a prova em que quebrou o recorde sul-americano Sub-18 dos 400 m com barreiras. (Foto: Gustavo Alves/CBAt)
Kevin Aguero durante a prova em que quebrou o recorde sul-americano Sub-18 dos 400 m com barreiras. (Foto: Gustavo Alves/CBAt)

Aos 17 anos, Kevin Aguero começa a ganhar projeção no atletismo brasileiro. Natural de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, cidade que faz fronteira com o Paraguai, o jovem especialista nos 400 m com barreiras é o atual recordista sul-americano Sub-18 da prova e se prepara para um dos maiores desafios de sua ainda curta carreira: os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026.

Kevin será um dos 35 atletas que representarão o Brasil no megaevento esportivo juvenil, que começa no dia 31 de outubro. A chance de competir em Dakar ganhou ainda mais peso depois de um resultado que projetou seu nome para além das fronteiras brasileiras: a marca de 50s77, alcançada no Campeonato Brasileiro Sub-18.

O tempo foi mais do que suficiente para garantir o título nacional. Kevin Aguero também estabeleceu os recordes brasileiro, do campeonato e sul-americano da categoria. E poderia ter sido ainda mais rápido.

Antes da prova, a meta era correr abaixo dos 50 segundos. O resultado ficou a 78 centésimos do objetivo, mas o atleta acredita que erros técnicos impediram que a marca fosse ainda mais baixa.

“Eu não tô acreditando ainda. A gente vem com uma ideia de fazer um sub-50, quase saiu, né. São detalhes que eu acabei errando. E mesmo errando saiu uma marca incrível. E a ficha não caiu ainda. Recorde brasileiro, do campeonato e sul-americano é algo muito grande”, contou.

O início de Kevin Aguero no atletismo e a participação em provas de meio-fundo

O recorde ajuda a explicar porque o jovem sul-mato-grossense chegará a Dakar cercado de expectativas. Mas a história de Kevin Aguero no atletismo começou longe dos 400 m com barreiras.

Ele tinha 12 anos quando foi apresentado à modalidade por uma professora de educação física. No início, a especialidade era outra: o meio-fundo. A evolução foi rápida, e Kevin chegou a conquistar o título brasileiro Sub-16 dos 1.000 metros com obstáculos.

Depois, vieram os 400 metros rasos e, posteriormente, os 400 m com barreiras. A mudança de provas acabou revelando uma característica que pode ser importante para o futuro do atleta: velocidade aliada à capacidade de superar as barreiras sem perder ritmo.

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Alison dos Santos, o Piu, duas vezes medalhista olímpico e recordista mundial dos 400 m com barreiras, é uma das inspirações evidentes para quem está começando a trilhar um caminho nesta prova. E Kevin Aguero não esconde que chegar ao nível do principal nome da prova é um sonho. Mas, aos 17 anos, prefere enxergar a distância como algo que pode ser diminuído com trabalho.

“Tô a quatro segundos da marca dele, o que são uns 40 metros. Mas assim, é um sonho, né. Se a gente sonhar, a gente consegue”, afirmou.

Antes de pensar em alcançar o patamar de Piu, porém, Kevin sabe que ainda precisa baixar seu próprio tempo. O recorde de 50s77 não é tratado por ele como um ponto de chegada, mas como uma indicação de que existe espaço para evoluir.

“A gente continua o trabalho. Estar sempre aprimorando os detalhes. Tem muita coisa para arrumar. Se ajustar, eu falo que sai um 49 (segundos). É o que a gente trabalha para alcançar. Sempre vai ter alguém colocando expectativa, e eu também me coloco expectativa”, ressaltou.

Grande potencial e oportunidade de evoluir ainda mais com os treinamentos

É justamente essa combinação entre esforço e ambição que leva Kevin para Dakar. O recorde sul-americano não garante medalha, tampouco antecipa o que acontecerá na pista senegalesa.

Mas coloca o brasileiro em uma posição diferente daquela de quem chega apenas para ganhar experiência. Há um grande potencial e uma chance enorme de evoluir ainda mais.

O resultado de Kevin fez até com que o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos, ficasse impressionado. “Ele mostrou um potencial absurdo. E ele sabe que tem muita coisa para acontecer ainda. Está correndo fácil, com alegria”, afirmou.

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