Ouro em Helsinque-1952 e ouro em Melbourne-1956. O bicampeonato olímpico de Adhemar Ferreira da Silva completará 70 anos no dia 27 de novembro de 2026 e o feito será comemorado no 5º Troféu Adhemar Ferreira da Silva, de sexta (24) a domingo (26), em Bragança Paulista, São Paulo.
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Os troféus e medalhas a serem entregues aos participantes da competição têm o design inspirado no salto de Adhemar. Adhemar Ferreira da Silva venceu em Melbourne com 16m35 cravados no último salto.

A edição deste ano do torneio que leva o nome do bicampeão olímpico recebeu a inscrição de 1.330 atletas, número recorde. São 941 federados, 342 no feminino e 399 no masculino, e 389 são universitários, com 153 no feminino e 236 no masculino.
Os 10.000 m da marcha atlética feminina e os 5.000 m masculino, a partir das 7 horas, abrem a competição.
Registros pra história
Na ocasião, Adhemar Ferreira da Silva era atleta do Vasco da Gama, mas ainda treinava com o alemão Dietrich Gerner, seu técnico no São Paulo. Também trabalhava e estudava Educação Física, como civil, na Escola do Exército, na quartel da Urca. Nesse ano também nasceu a sua filha Adyel.
Na Vila Olímpica de Melbourne, o triplista enfrentou uma dor de dente, resolvida três dias antes de sua prova. No dia do salto que viraria o ouro para o Brasil, um grupo de estudantes ocupava o alambrado, do lado de fora do estádio. Adhemar foi até a cerca para falar com eles e ganhou a torcida de todos.
O currículo de Adhemar tem mais registros memoráveis, como cinco recordes mundiais e três medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos. Foi, ainda, o inventor da volta olímpica.

Revolucionário
Adhemar Ferreira da Silva revolucionou o salto triplo, direcionando a atenção para o segundo salto, até então apenas um impulso para o terceiro.
O último recorde mundial, 16m56, fez 70 anos em 16 de março de 2025. Em cinco passos quebrou um recorde que durava desde 1950 nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México.
Fora das pistas
Nascido no bairro da Casa Verde, em São Paulo, começou a carreira aos 19 anos, orientado por Dietrich Gerner já no São Paulo. Treinava no horário de almoço, no intervalo do trabalho.
Era formado em Educação Física, Direito e Relações Públicas, foi escultor e ator na peça “Orfeu da Conceição”, de Vinícius de Moraes, e no filme franco-italiano “Orfeu Negro”. Foi adido cultural na embaixada do Brasil em Lagos, na Nigéria.
Depois de aposentado nas pistas, com quatro olimpíadas na carreira (disputou ainda Londres-1948 e Roma-1960), trabalhou como servidor público estadual, no esporte da Uni’Santana e na organização de eventos nacionais e internacionais no Brasil – ali organizou algumas edições do troféu que juntava federados e universitários.
Herói brasileiro
Em 2000, recebeu o Mérito Olímpico pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em 2012, passou a integrar o Hall da Fama do Atletismo da World Athletics.
Integra o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. O troféu entregue anualmente pelo COB aos destaques na história do esporte olímpico brasileiro leva o nome Adhemar Ferreira da Silva.
Adhemar Ferreira da Silva também está no Panteão Tancredo Neves, livro reservado aos heróis brasileiros, na Praça dos Três Poderes em Brasília (DF). Integra o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.