Foi com emoção que Caio Bonfim conquistou sua tão sonhada medalha de ouro no Mundial de Atletismo neste sábado (20) no Japão. O brasileiro assumiu a liderança nos dois quilômetros finais. Mas ele entrou no Estádio Olímpico de Tóquio para os 400 metros finais da prova pensando que estava na segunda colocação. Foi praticamente em cima da linha de chegada onde caiu a ficha para o marchador: ele havia se tornado campeão do mundo!
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Caio Bonfim fez um início de prova conservador. A estratégia do atleta era passar mais lento nos primeiros quilômetros da prova, para usar sua velocidade no final. E deu certo. Caio colou nos líderes faltando 7km para a meta e se isolou na frente na hora que mais importava.
“Essa é uma prova muito difícil. Os 20 km são muito intensos, e eu vim crescendo. Sabia que eu tinha velocidade, então eu não podia gastar. Queria fazer os primeiros seis quilômetros bem conservadores para fazer uma prova de 14 km. Foi um Mundial de muita resiliência, de ficar pensando ‘não desiste, não desiste, mais uma volta, mais uma volta’. Fui construindo isso, claro, com muito treino, e uma equipe muito preparada”, avaliou o campeão mundial.
Cadê o japonês?
Durante boa parte da prova, quem estava na liderança era o japonês Yamanishi Toshikazu. Recordista mundial dos 20km e bicampeão do mundo na distância, ele era o grande favorito e a maior esperança de ouro para o país sede do Campeonato Mundial. Mas após três advertências por flutuar durante a prova, o japonês foi penalizado, tendo que parar de marchar durante 2 minutos. Só que Caio não viu que o recordista mundial tinha parado e pensou que ele tinha disparado na frente.
Assim, quando Caio Bonfim entrou no Estádio Nacional de Tóquio, ele pensou que estava na segunda colocação. “Ainda não caiu a ficha. Eu não sabia que era ouro. Eu passei o chinês e o espanhol na última volta, fiz a vinda para o estádio (marchando) rápido, porque eu pensei: ‘eles vão lutar e eu posso perder a medalha, são caras velozes’. Quando chego no estádio, vejo a faixa e penso: ‘ué, nos 35 km eu fui segundo e não tinha faixa’. E aí pensei: ‘meu Deus, eu vou ser campeão do mundo!'”, contou o atleta.