Em uma tarde mágica no Troféu Brasil de Atletismo, Luiz Maurício brilhou como poucos na história do lançamento de dardo mundial. Superou a marca dos 90 m duas vezes, sendo a segunda cravando nos 91 m. O feito tem o tamanho de uma medalha de ouro olímpica. Uma não, de dezenas, já que faria do brasileiro campeão em todas as edições dos Jogos, exceto na última de Paris. Na França, renderia “apenas” a prata.
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O peso do feito não para por aí. É recorde sul-americano e, em 2025, somente um atleta no mundo superou Luiz Maurício e por apenas seis centímetros. Foi o alemão Julian Weber, 91m06, no Meeting de Doha, no dia 16 de maio. Na história, apenas 17 homens fizeram lançamento melhor que o do brasileiro e os que superaram os 90 metros não passam de 27.
Muito representativo
“É marco na história que vai mudar, principalmente, minha trajetória no esporte. Agora ocupo a segunda posição no ranking mundial e isso é incrível!, falou Luiz Maurício, no domingo (3), pouco minutos após sair da prova. “Os noventa metros não era um projeto pra agora. É muito representativo, porque poucos conseguiram esse feito na história”, acrescentou. “É aproveitar essa linha de lançamentos e focar nas próximas competições, até mesmo no próximo ciclo de Los Angeles. Até lá vou estar bem mais encaixado e bem mais maduro pra competir de igual pra igual com os lançadores que estavam em Paris.”
O recorde mundial bate nos 98m48, do tcheco Jan Zeleny, registrados em 25 de maio de 1996. A segunda maior marca são 97m76, do alemão Johannes Vetter, em 6 de setembro de 2020. A partir do terceiro nome, as distâncias entre as marcas passam a ser menores. Os 91 m de Luiz Maurício estão a 2m90 da terceira maior da história, os 93m90 do alemão Thomas Rohler, em 5 de maio de 2017. O atual campeão olímpico, o paquistanês Arshad Nadeem, é o sexto com os 92m97 que valeram o ouro em Paris-2024.
Mais uma vez no Troféu Brasil
“Acredito que algumas coisas tem que acontecer pra acreditar. Ano passado, eu não estava indo pro Jogos (de Paris) até o Troféu Brasil e, no Troféu Brasil, consegui 85m57. E novamente no troféu consegui a marca de 91m”, lembrou Luiz Maurício. “Dentro da prova, não acreditei, chorei igual criança.”
Há alguns “troféus” atrás, acho que em 2023, fiz 72m e hoje fiz 91m. Então é uma evolução que veio muito rápido. Acredito que nos próximos anos tenho a possibilidade de evoluir muito mais. Evoluí mais de quatro metros da minha melhor marca”, lembrou. Antes do Troféu Brasil de domingo, o recorde pessoal dele era 86m62. “Isso é um coisa absurda, principalmente no lançamento do dardo. As três últimas marcas foram de centímetros. De 85m57 pra 86m62. Coisa de um metro.”
O brasileiro destacou, ainda, um obstáculo a mais que precisa superar para se colocar entre os melhores do mundo. “Sou de Juiz de Fora. Minas Gerais não tinha a intenção de formar atletas de alto rendimento. Então, até chegar aqui foram várias batalhas, principalmente com material, que é importado. Vem da Europa. É difícil ter um dardo de alta qualidade. Então, poder fazer esse feito, principalmente em condições que limitam a evolução.”