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Atletismo

Rosângela e Vitória fazem índice nos 100m para o Mundial

As provas dos 100 m feminino e masculino foram os destaques da tarde desta sexta-feira (dia 9) do Troféu Brasil de Atletismo 2017, disputadas na pista da Arena Caixa, em São Bernardo do Campo (SP). No feminino, Rosangela Santos (Pinheiros) e Vitória Rosa (B3 Atletismo) alcançaram os índices de qualificação para o Campeonato Mundial de Londres, em Londres (GBR). No masculino, Paulo André Camilo de Oliveira quebrou o recorde sul-americano sub-20 da prova ao vencer com 10.18 (0.5), melhorando sua liderança no Ranking Brasileiro Absoluto de 2017.

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Rosângela, integrante da equipe medalha de bronze na Olimpíada de Pequim 2008, foi a campeã com 11.20, seguida de Vitória, com 11.24, com vento de 0.0 (o índice exigido pela IAAF é 11.26). “Estava batendo na trave e agora felizmente a marca saiu. Estou muito contente e espero melhorar o tempo nas próximas semanas na Europa”, disse Rosangela.

Já Vitória, que já tinha o índice nos 200m, comemorou o resultado nos 100 m. “Eu esperava até um tempo melhor, e mesmo assim, saiu o índice”, disse Vitória, que já na semifinal correu 11s29 e melhorou seu recorde pessoal, que era 11s38, também de 2017. “O foco agora é o Mundial e eu tenho muito o que melhorar até agosto”. A carioca esteve no Mundial de Pequim/2015 nos 200 m e, agora, podendo correr as duas provas, disse não ter uma prioridade. “Mas eu tenho um gosto pessoal, sou mais fã dos 200 m.”

Vitória entrou para B3 Atletismo nesta temporada e treina com Katsuhico Nakaya. “O ano está sendo sensacional. Eu não imaginava que poderia correr essas marcas porque pensei que seria um ano de adaptação. Mas o Nakaya é um dos melhores técnicos do Brasil e está mostrando que eu posso muito mais do que eu mesma esperava. Ele me ajuda a acreditar mais, a ficar mais confiante.”

No masculino, Paulo André, que completou a corrida puxando uma perna, esqueceu do susto para comemorar a vitória, o recorde sul-americano sub-20 e a liderança do Ranking Adulto, aos 18 anos. Ele deixou a pista para abraçar o pai, Carlos Camilo, antigo velocista e seu treinador. “Foi um susto. Minha perna ‘prendeu’ e se não fosse isso poderia ter sido mais rápido”, lembrou Paulo André, que na semifinal já havia igualado o recorde sul-americano de Vitor Hugo dos Santos, de 10.22.

Seus planos, depois de correr os 200 e o 4×100 m pelo Pinheiros no Troféu Brasil, são de disputar o Sul-Americano Adulto de Assunção e o Pan-Americano Sub-20 do Peru pela Seleção Brasileira. “Fiquei 74 dias num camping de treinamento da CBAt e do COB nos Estados Unidos e os resultados estão surgindo”, disse.

Mariana Marcelino foi o outro destaque do dia ao estabelecer o recorde brasileiro para o lançamento do martelo pela terceira vez no ano. Já em sua primeira tentativa, ela conseguiu a marca de 67,02 m – o recorde anterior, 66,64 m, foi conquistado em maio.

“Geralmente, sou mais descontraída na prova nos primeiros lançamentos, mas estava muito focada para buscar esse resultado. O Montanha, primeira pessoa no Brasil a lançar acima de 70 metros, é uma inspiração”, diz Mariana, que também busca essa marca. Carla Michel, também da B3, foi segunda colocada, com 59,23 m. “Foi um retorno às pistas. No Troféu do ano passado, fiz dois lançamentos e saí da prova por um problema de saúde. Precisava dar a volta por cima, e hoje fiz minha melhor marca do ano.”

Wagner Domingos, o Montanha, também foi medalha de ouro no Troféu Brasil, com 73,82 m – ele já lançou 77,21 m em maio, na Eslovênia, índice para o Mundial de Londres. “Antes, era quase impossível pensar na presença de um lançador de martelo brasileiro em um Mundial. Mas ano passado fui finalista olímpico e vou para Londres. Isso mostra a evolução. A Mariana também tem conseguido resultados muito bons no feminino.”

No salto com vara feminino, o primeiro após a aposentadoria de Fabiana Murer, a B3 Atletismo conseguiu dois ouros: Patrícia Gabriela dos Santos e Juliana de Menis Campos, com 4,10 m, dividiram o lugar mais alto do pódio – com resultados idênticos dentro da prova, decidiram não enfrentar uma prova de desempate.

Patrícia e Juliana entraram para a B3 neste ano e treinam com Elson Miranda. “Eu não esperava vencer, porque a Karla Rosa e a Joana Costa vêm saltando muito bem. Mas, claro, iria brigar pelo pódio. Meu salto ainda está variando muito, essa é a minha maior dificuldade, porque eu ainda estou em uma transição no trabalho com o Elson. Foi uma vitória muito bem-vinda para a equipe”, disse Patrícia, de 32 anos, que já havia vencido o Troféu em 2013.

Juliana, de 20 anos, conquistou sua primeira medalha no Troféu Brasil e com recorde pessoal – ela tinha 4,05 m, marca obtida em 2017. “Ainda vou conseguir melhorar mais. Nesta temporada, dei muito enfoque na entrada do salto, fizemos muitos educativos. Mas sei que ainda tenho muito para melhorar na parte de cima do salto. Se eu melhorar uma coisinha posso saltar mais 20 centímetros.”

“O Elson está trabalhando com um grupo jovem de oito saltadores. A Juliana é uma atleta um pouco mais alta do que eu, que ainda pode melhorar a técnica e saltar alto. Tem 20 anos. É uma boa atleta, precisa ficar forte, melhorar a técnica, mas é uma atleta que pode saltar alto”, afirmou a campeã mundial do salto com vara, Fabiana Murer, manager institucional da B3 Atletismo desde que deixou as pistas.

10.000 M MASCULINO E FEMININO

O paulista Daniel Ferreira do Nascimento (Orcampi Unimed), de apenas 18 anos, venceu os 10.000 m, com o tempo de 29:13.34. Com o resultado, o multicampeão das categorias de base do Brasil conquistou seu primeiro título adulto e, ao mesmo tempo, quebrou o recorde sul-americano sub-20 da prova. O anterior era de Franck Caldeira, com 29:28.77, desde agosto de 2002.

“Foi um passo importante na minha carreira. Estou já pensando na minha mudança de juvenil para adulto e um resultado positivo como esse me dá mais confiança”, disse o corredor nascido em Paraguaçu Paulista, que venceu no final de semana passada os 5.000 e os 10.000 m no Sul-Americano Sub-20 de Georgetown, na Guiana.

No feminino, Tatiele Roberta de Carvalho (Orcampi/Unimed) comemorou o tricampeonato brasileiro nos 10.000 m. “Gostaria de ter conseguido um tempo melhor, mas o vento estava muito forte no decorrer da prova”, lembrou a corredora, que venceu, com o tempo de 33.48.50.

No decatlo, após o primeiro dia de competições, Alex Aparecido Soares (Pinheiros) lidera a classificação parcial, com 4.193 pontos, seguido de Jefferson de Carvalho Santos (Pinheiros), com 4.139, e de Kerindé Hilario de Souza Brites da Silva (Vasco da Gama), com 3.862 pontos.

Na classificação geral por equipes, a B3 Atletismo está em primeiro lugar, com 79 pontos. Pinheiros ocupa a segunda colocação, com 72, seguido da Orcampi Unimed, com 50.

Pódio 2ª etapa – sexta-feira tarde

Salto com vara feminino
1º Patricia Gabriela dos Santos (B3 Atletismo) 4,10 m
1º Juliana Campos (B3 Atletismo) 4,10
3º Joana Ribeiro Costa (Pinheiros) 4,10 m

Lançamento do martelo feminino
1º Mariana Marcelino (B3 Atletismo) 67,02 m
2º Carla Michel (B3 Atletismo) 59,23 m
3º Ana Lays Bayer (Corville) 59,18 m

10.000 m feminino
1º Tatiele Roberta de Carvalho (Orcampi Unimed) 33:48.50
2º Jenifer do Nascimento Silva (Pinheiros) 34:20.33
3º Simone Alves da Silva (Instituto ICB) 34:28.18

10.000 m masculino
1º Daniel Ferreira do Nascimento (Orcampi Unimed) 29:13.34
2º Gilmar Silvestre Lopes (Cruzeiro Caixa) 29:15.68
3º Giovani dos Santos (Pé de Vento) 29:29.88

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