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Carol celebra 2025 com Rebecca e defende liberdade de expressão



Carol Solberg faz balanço de 2025 com Rebecca Cavalcanti, comenta medalha de bronze no mundial e reforça defesa da liberdade de expressão.



Carol Solberg celebra temporada com Rebecca e defende liberdade de expressão
Carol Solberg e Rebecca após medalha de bronze no Campeonato Mundial (Foto: FIVB)

Carol Solberg e Rebecca Cavalcanti devem terminar o ano de 2025 na liderança do ranking mundial de vôlei de praia. No primeiro ano da parceria, as duas conquistaram o bronze e subiram ao pódio do Campeonato Mundial de Adelaide, na Austrália. Além disso, venceram etapas do Circuito Mundial.

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Tamanha performance rendeu à dupla o Prêmio Brasil Olímpico (PBO), organizado pelo COB, como a melhor equipe do vôlei de praia. Carol Solberg esteve no Rio de Janeiro para receber a homenagem. Em conversa exclusiva com o Olimpíada Todo Dia, falou sobre o sucesso da parceria e seu posicionamento fora das quadras.

No topo do mundo em 2025

Em balanço da parceria, Carol destacou a evolução gradual da dupla e a construção da identidade de jogo ao longo da temporada, que terminou com conquistas importantes no circuito internacional. “A cada competição acho que a gente foi se encontrando, encontrando nossa química, nosso jeito de jogar e ter conseguido fechar o ano com essa vitória e conquistando o circuito mundial foi incrível”, disse Carol.

Carol ressaltou que os resultados alcançados em 2025 não se limitaram ao desempenho das duas jogadoras em quadra, mas envolveram um trabalho coletivo diário, com participação da comissão técnica e da equipe de apoio.

Carol Solberg - PBO 2025
Foto: Paulo Mumia/COB

“Acho que a gente tem uma equipe incrível. Não somos só nós duas ali dentro da quadra, mas é uma equipe enorme por trás. Então, foi muito trabalho diário, muita dedicação. Superação, muita vontade de encontrar essa química dentro de quadra e foi muito maneiro a gente ter conseguido terminar o ano dessa forma”, disse.

Referência fora das quadras

Muito além da medalha de bronze conquistada em Adelaide, a campanha no Mundial de Vôlei de Praia também ganhou as manchetes por conta da entrevista de Carol após a vitória contra Thâmela e Vic. Na ocasião, a jogadora aproveitou a oportunidade para celebrar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. “É um dia incrível para o mundo todo”, disse à época.

“Eu sempre achei que o esporte vai muito além das quadras. Cresci numa família em que todo mundo sempre falou o que pensa. Então, para mim, essa ideia de que o atleta é só um corpo ali jogando nunca fez o menor sentido”, disse. Vale lembrar que Carol é filha de Isabel Salgado, lenda do voleibol nacional e figura política ativa na luta por ideais democráticos, justiça social e pelos direitos das mulheres no esporte.

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O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e condenou Bolsonaro por cinco crimes, entre eles o de liderar uma organização criminosa na tentativa de golpe de Estado, visando impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.

“Eu acho que o esporte tem um poder de transformar, de educar. A gente fala muito que o atleta é exemplo para a criança. Eu acho que você não pode ser exemplo de nada se você não puder falar o que você pensa”, completou.

Posicionamento firme

Não foi a primeira vez que Carol Solberg criticou o ex-governante. Em 2020, ela recebeu uma advertência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por ter gritado “Fora, Bolsonaro!” em uma entrevista pós-jogo em etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia.

“Na verdade, cada atleta tem que fazer o que quiser. Tem atletas que não estão a fim de falar. Ninguém tem obrigação de falar sobre nada. Mas acho que você ter essa liberdade para falar o que você pensa é fundamental. Então, acho que a cada vez que um atleta se manifesta, fala o que pensa, vai quebrando também esse tabu”, disse.

No julgamento, Carol acabou enquadrada em um artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que previa multa de até 100 mil reais e seis jogos de suspensão. No entanto, depois de recorrer da decisão, a atleta foi inocentada.

“Quando estou em quadra, estou ali jogando, estou com tudo o que está dentro de mim, todos os meus sentimentos, o meu olhar para o mundo. Então, quando estou dando uma entrevista, quando estou comemorando um título ou celebrando, acontece de vir o que eu estou sentindo”, destacou.

Jornalista recifense formado na Faculdade Boa Viagem apaixonado por futebol e grandes histórias. Trabalhando no movimento olímpico e paralímpico desde 2022.

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